sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Problematizando a teoria da midiatização



De maneira ampla, iniciamos a discussão pelos pressupostos teóricos da midiatização sem, no entanto, tomá-la como “a única forma estruturante das sociedades contemporâneas ou como matriz explicativa da totalidade de seu funcionamento (COGO, 2004, p.143).

A perspectiva da sociedade em vias de midiatização caracteriza-se pela inter-relação entre instituições, práticas sociais e meios de comunicação, não havendo, nesse sentido, a intenção de privilegiar apenas a dimensão tecnológica, pois tratamos, neste caso (projeto de pesquisa doutorado), além dos processos midiáticos, também sobre os processos comunicacionais.

Certamente que a evolução dos meios de comunicação vai configurando a nossa realidade, a qual também vai se caracterizando como uma sociedade midiatizada, onde as possibilidades de interação social entre indivíduos e instituições estariam de alguma forma, transpassados ou relacionados com algum suporte tecnológico de comunicação.

Com ressalvas, Braga (2006) destaca que ao observarmos as formas de sociabilidade atravessadas por suportes tecnológicos, devemos, antes de tudo, considerar os processos anteriores desenvolvidos pela dimensão criativa dos sujeitos envolvidos. Para ele a sociedade não apenas produz sua realidade através das interações sociais a que se entrega, mas igualmente produz os próprios processos interacionais que utiliza para elaborar a sua realidade – progressivamente e a partir de expectativas geradas nas construções sociais anteriores (BRAGA 2006, p. 145)

Mesmo reconhecendo que há realidades sociais onde a midiatização responsabiliza-se por todas as mediações sociais ou que regula a relação indivíduo com o mundo e com seus pares (PAIVA, 2005), cremos que a midiatização se caracteriza através de “diversos mecanismos, segundo os setores da prática social, produzindo, distintas conseqüências (VERÓN, 1997, p.9)”, ou seja, a sua incidência sobre a realidade não se dá de maneira uniforme e direta, mas sim de maneira complexa, transversal e relacional (FAUSTO-NETO, 2006).Esta inferência nos autoriza a pensar a midiatização relacionada com formas de comunicação que ainda se encontram implicadas em outras lógicas como a dimensão complexa e histórica da comunicação humana.

Por essa linha, o protagonismo midiático constrói-se tensionado pela exigência de um tipo de visibilidade pública atribuída pela lógica dos meios de comunicação, ao mesmo tempo em que os atores e movimentos sociais se apropriam e reelaboram tais lógicas, transformando a esfera das mídias em um espaço simbólico de conflitos, disputas e negociações e que se encontra, portanto, submetido permanentemente às tensões contraditórias dos interesses que circulam na sociedade (COGO, 2004, p.44).

Neste redesenho, a midiatização apresenta-se enquanto um campo de conjunções midiáticas e comunicacionais, onde tecnologias são apropriadas e re-significadas pelas dinâmicas sociais. Não objetamos a perspectiva de que as mídias se tornam matrizes configuradoras em que, “mais do que meros dispositivos técnicos passam a atuar como instâncias que atribuem visibilidade às ações de outros campos sociais e instituições (COGO, 2004, p.42).

Porém, é preciso perceber que o conceito de sociedade midiatização, comumente utilizado para se compreender as práticas sociais que se transformam em função dos meios (MATA s/d, p.4), apresenta-se permeada, ao mesmo tempo, por um processo antropológico e cultural que transforma e recria seus usos e sentidos.

Por este caminho, os processos comunicacional e midiático do MST, na cultura em midiatização, pretendem ser apreendidos como experiências comunicacionais de expressão da participação cidadã criadora e como exercício político e democrático de cidadãos que “históricamente han sido excluidos de las deciosiones, los debates y acesso a la produción de comunicación (PEREIRA, 2004 p. 138).

Importante destacar que mais do que as deficiências, até mesmo estruturais, em áreas como educação, saúde, moradia, trabalho e lazer, com as quais as camadas populares são obrigadas a conviver cotidianamente, a exclusão na produção social de informação e, logo, de comunicação destitui esses grupos do direito de decisão, participação e exercício da cidadania (SPENILLO, 2004). Desta maneira, a dimensão da sociabilidade pela qual se configura e reconfigura a cultura em midiatização, deve incluir, primordialmente, as problemáticas que advêm da luta social pelos direitos e construção da cidadania.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Pesquisar é partilhar


Para o quê serve o conhecimento social que a ciência acumula com a participação do meu trabalho? Para quem ou a quem, afinal, isso serve? Para que usos e em nome de quem? A minha pesquisa diz alguma coisa para o universo que pesquiso?Questões como essas têm ocupado boa parte da caminhada acadêmica de alguns pesquisadores. Manter uma postura atenta e crítica a respeito das condições sociais, políticas e culturais da produção científica, principalmente mediante as formas mercadológicas e hegemônicas de saber são, certamente, indispensáveis para quem deseja fazer ciência a partir de um processo dialógico, que gere comprometimento e partilha ao invés de dicotomias entre pesquisador e o mundo pesquisado.


Nessa perspectiva, o professor colombiano Antonio Brandão alerta para a necessidade de uma nova ciência capaz de pensar-se, de pensar o mundo social e de pensar as transformações sociais de uma maneira dialética, realizada a partir da presença, da posição e dos interesses das classes menos favorecidas. Por aí, afinam-se outros atributos como a reciprocidade entre sujeito e objeto e relação dialética entre teoria e prática, acúmulo e partilha do conhecimento.

No dia 29 de Junho de 2000, em aula inaugural no Collège de France, Pierre Bourdieu enfatizou que os pesquisadores/intelectuais realizam um papel importante se cumprirem duas condições: “não se fecharem em uma torre de marfim e inventar a maneira de divulgar suas verdades. A verdade, dizia Spinoza, não tem força por si só. Os intelectuais devem ser parte do movimento junto com os sindicatos ou grupos de pesquisa comprometidos com as associações que se esforçam pela crítica àquilo que oprime”. Ao finalizar, ele acrescentou: “O intelectual isolado, pode-se dizer, é o fim”.

No chão latino americano, a modalidade metodológica da pesquisa-participante tem sido uma porta de acesso à construção e à partilha do saber. A pesquisa-participante parte de um enfoque epistemológico no qual o conhecimento é considerado uma construção social permanente e não um ‘conhecimento’ que o ‘especialista’ extrai da realidade mediante procedimentos estatísticos, mas à margem da verdadeira voz e sentimento da população.

Vale ressaltar que na modalidade de pesquisa participante o papel do pesquisador não desaparece ou diminui, mas entra em articulação com outros sujeitos que também passam a contribuir com o processo de construção do conhecimento. Toda a pesquisa gera aprendizagem e toda aprendizagem, quando partilhada, gera outras mudanças. A pesquisa participante quer a interação múltipla de sujeitos: pesquisar é um ato de sujeitos, um movimento que reflete vida e que gera vida.

Este engajamento entre pesquisador e os sujeitos do universo investigado produz alternativas capazes de colocar o conhecimento, obtido através de procedimentos científicos, a serviço de alguma forma de ação social transformadora.

Paulo Freire, em entrevista reproduzida pelo Canal Futura, em setembro de 2009, lança-nos um questionamento: “Em tempos onde problemas sociais e ambientais se apresentam evidentes; onde movimentos sociais e continentes inteiros são atacados pela violência e pela fome, torna-se concebível uma pesquisa científica descomprometida com tal realidade?”

Afinal, de que lado estamos? Como diz Boaventura de Souza Santos, no seu livro “Renovar a Teoria Crítica e Reinventar a Emancipação Social”, esta é uma questão que possivelmente será respondida na medida em que expandirmos nossa razão e nosso coração. Eis ai o desafio não apenas para pesquisadores, mas acima de tudo para seres humanos ousados e sensíveis aos problemas de seu tempo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Artigo: Tensões e convergências entre proposta teórica e prática radiofônica: Um estudo sobre a Rádio Terra Livre FM


Resumo

Este trabalho objetiva compreender a relação entre proposições teóricas sobre rádio elaboradas pelo Setor de comunicação do Movimento Sem Terra (MST) e a prática radiofônica desenvolvida em um assentamento. A partir da teoria dos campos de Pierre Bourdieu e Adriano Rodrigues, visa-se aprofundar o debate sobre as tensões e convergências deflagradas entre o documento “As Rádios do MST” e a “Rádio Terra Livre FM”. Parte-se da hipótese de que o campo radiofônico está estruturado sob lógicas da comunicação comunitária e da sociedade em midiatização enquanto que o campo documental está fundamentado em uma racionalidade mais política que comunicacional. Está hipótese é identificada a partir de um questionamento deflagrado no ambiente de negociação entre os sujeitos em cena: fazer rádio para os projetos do MST e/ou para os desejos da comunidade?

Palavras-chave: Rádio, MST, teoria dos campos, midiatização

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

RS: Sem terra é morto em ação de despejo da Brigada Militar


O trabalhador rural Elton Brum da Silva, de 44 anos, foi alvejado com uma espingarda pelas costas durante despejo realizado pela Brigada Militar em São Gabriel (RS). Outras duas pessoas ainda estariam feridas à bala, mas não corriam risco de morte.

Porto Alegre (RS) - O trabalhador rural Elton Brum da Silva, de 44 anos, foi morto pelas costas durante ação de despejo da Brigada Militar ocorrida na manhã desta sexta-feira (21), em São Gabriel (RS). Elton estava entre as famílias sem terra que ocupavam a Fazenda Southall há mais de uma semana, reinvindicando a desapropriação do restante da área para a reforma agrária.

As condições em que ocorreu a morte do trabalhador ainda não estavam esclarecidas até o final de sexta-feira. No entanto, já foi confirmado que Elton foi atingido pelas costas por uma espingarda calibre 12. Na revista feita nos sem terra pela Brigada Militar, somente foram encontrados instrumentos de trabalho, como foices e facões. O que para Nina Tonin, coordenadora do Movimento Sem Terra (MST), reforça que Elton foi morto na ação dos policiais.

"O Elton, que foi assassinado brutalmente pelas costas pela Brigada Militar, ele poderia ser um dos assentados nessas áreas que o governo federal desapropriou [a fazenda Antoniazzi] e que o juiz de Santana do Livramento cancelou a sua imissão de posse. Por isso, o Elton paga com a sua própria vida a inoperância, a falta de vontade política dos governos em cumprirem aquilo que prometeram", diz.

Segundo Nina, cerca de 50 pessoas foram feridas pela Brigada Militar entre mordidas de cachorro, ferimentos por cacetete, inclusive na cabeça, e dedos e braços machucados. No entanto, nem todas foram levadas ao hospital. Ainda haveria outras duas pessoas feridas à bala, mas não corriam risco de morte.

O cerco da Brigada às famílias iniciou ainda durante a madrugada. As primeiras notícias da morte de Elton começaram a ser divulgadas em torno das 9h. Segundo informações de funcionários da Santa Casa de São Gabriel, o sem terra foi levado por policiais e já chegou sem vida ao hospital. As demais famílias permaneceram isoladas na área até pouco depois do meio dia.

Os policiais ainda prenderam 18 sem terra que foram identificados como líderes. Eles foram soltos depois de prestarem depoimento na delegacia. Para Nina, o assassinato do sem terra é o crime final de uma série de outros crimes.

"A morte desse trabalhador não se trata apenas de uma punição a quem atirou. Isso precisa ser feito, no mínimo. O que nós estamos falando é de uma violência sistemática que é a não-realização da reforma agrária. Agora ocorreu a última violência, que é a eliminação física daqueles que lutam pelos seus direitos", argumenta.

O velório de Elton inicia neste sábado, em São Gabriel. Ele deve ser sepultado em Canguçu, na região Sul, onde o trabalhador estava acampado e sua família vivia.

sábado, 1 de agosto de 2009

Artigo: RÁDIO COMUNITÁRIA: cenários de resistências e possibilidades alternativas


RESUMO

A proposta deste artigo é compreender em que medida a rádio comunitária Quilombo FM proporciona práticas sociais no bairro Restinga, região periférica de Porto Alegre, RS. Para alcançar tal objetivo, discutiremos o conceito de rádio comunitária, para em seguida, identificar a sua aplicabilidade na atividade desenvolvida pela emissora em estudo. Para isso, identificaremos no processo histórico da emissora, bem como na sua programação, veiculada semanalmente, e ainda, na formação dos comunicadores populares, as práticas de comunicação social que geram o desenvolvimento humano, a justiça social e a ampliação do exercício de cidadania. A análise evidencia, entre outros aspectos, que a rádio comunitária é um espaço de resistência e possibilidades. Resiste ao determinismo e possibilita a produção de experiências alternativas e de reconhecimento dos saberes locais.

Palavras-chave: Formação de comunicadores; Rádio Comunitária; Quilombo FM; Cidadania.

COMMUNITY RADIO: sceneries of resistance and alternative possibilities

ABSTRACT

The purpose of this paper is to understand the extent to which community radio Quilombo FM provides social practices in the Restinga district, peripheral region of Porto Alegre, RS, Brazil. To achieve this goal, we discuss the concept of community radio and then identify its applicability in the activity developed by the broadcasting station under investigation. For that, we identify, in the historical process of this company as well as in its programming, weekly broadcasted, and in the formation of people engaged in popular media, media practices that generate human development, social justice and expansion of the exercise of citizenship. The analysis shows, among other things, that community radio is a space of resistance and possibilities. It resists determinism and enables the production of alternative experiences and acknowledgement of local recognition.

Keywords: Community communication; Community radio; FM Quilombo; Citizenship.

Versão completa em: j.educom@gmail.com

Autores:
Cristóvão Domingos de ALMEIDA
Gisele Souza NEULS
Joel Felipe GUINDANI

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Contra privatização do Pontal do Estaleiro



No próximo sábado, 1 de agosto, a partir das 15h, a Casa de Cinema de Porto Alegre estará gravado depoimentos para a campanha pelo NÃO na Consulta Popular que acontece no dia 23 de agosto. Para quem chegou agora de Marte: os porto-alegrenses vão decidir, pelo voto espontâneo, se será permitido construir residências no Pontal do Estaleiro Só. Mas o resultado dessa votação transcende aquela área. Simbolicamente está em jogo um modelo de cidade. Queremos viver entre um monte de arranha-céus, alguns deles tapando o pôr do sol no Guaíba, ou numa cidade razoavelmente horizontal, como determina o atual Plano Diretor?

Muitas ONGs e associações de moradores da nossa cidade já estão engajadas. A Casa de Cinema de Porto Alegre resolveu entrar nessa também. Sábado eu vou estar na Usina, acompanhado de algumas câmaras e microfones, pra gravar depoimentos pelo NÃO. Quem quiser argumentar que argumente (desde que consiga sintetizar tudo em quinze segundos). Quem quiser simplesmente gritar "NÃO!" também vai ganhar seus dois segundos de fama no Youtube e onde mais a gente conseguir colocar o vídeo editado. Algumas celebridades da cidade já confirmaram sua presença. Espero que os milhares de leitores deste blog também compareçam

Carlos Gerbase

http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/carlos-gerbase/grite-n%C3%A3o

terça-feira, 28 de julho de 2009

O discurso sobre educação e cidadania nas rádios comunitárias catarinense


Resenha: SILVA, Terezinha. Gestão e mediações nas rádios comunitárias: um panorama do estado de Santa Catarina. Chapecó, Argos, 2008, ISBN: 978-85-98981-77-2, 290 p.

O surgimento das rádios comunitárias brasileiras fez parte de um movimento que pressionava pelo direito à comunicação e pela democratização dos meios de comunicação. Os movimentos populares cobravam do Estado o reconhecimento legal das experiências comunitárias neste setor comunicacional. Buscavam garantir o acesso dos movimentos, das organizações e das instituições da sociedade civil local a um meio de comunicação relativamente barato, através do qual pudessem multiplicar o trabalho de conscientização política, a luta por direitos, cidadania e a construção de contra-hegemonia a partir do espaço local.
É nesse sentido que entra em cena o livro Gestão e mediações nas rádios comunitárias. A obra proporciona uma... Versão em : j.educom@gmail.com

Autores: Joel Felipe GUINDANI e Cristóvão Domingos de ALMEIDA

terça-feira, 14 de julho de 2009

Reportagem especial: Blogueiros são alvo de processos judiciais no RS


Ações judiciais estão sendo usadas como forma de censurar blogs no RS. Para blogueiro, crescimento desse tipo de ação mostra que as páginas na internet já incomodam jornalistas e grandes veículos de comunicação.

Porto Alegre (RS) – Blogueiros de Porto Alegre vêm sendo alvo de processos judiciais nos últimos meses. O caso mais recente é o do jornalista Wladimir Ungaretti, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Justiça determinou que Ungaretti retirasse do blog Ponto de Vista todo conteúdo que pudesse ser considerado ofensivo a um fotógrafo do jornal Zero Hora que é criticado pelo professor. Integrantes do Blog Nova Corja já sofreram três processos de ordem cível e criminal movidos por jornalistas e pelo Banrisul.

No entanto, os processos judiciais se espalham a outros blogs, como o de Milton Ribeiro. Após emitir críticas ao livro A Casa das Sete Mulheres de Leticia Wierzchowski, que deu origem à minissérie da rede Globo, ele foi processado (acusado) por danos morais. Agora, Milton aguarda a treplica dos advogados de Leticia e enfatiza que o que fez foi emitir apenas uma opinião acerca do romance.

“O que eu fiz foi uma crítica, pois a constituição federal permite que você se expresse livremente. O processo afirma que eu disse que ela não era culta e que eu fui agressivo. Isso eu não concordo. Tudo o que eu disse é uma opinião a respeito de um livro dela; uma opinião que eu afirmo e reafirmo tranquilamente”, diz.

Milton é blogueiro desde o ano de 2003 e analisa como grave as acusações e processos que outros blogueiros vêm sofrendo no estado. Em seu caso, ressalta que as acusações feitas por Leticia vão além do conteúdo ou da crítica por ele feita ao seu romance. Para Milton, os processos judiciais estão sendo utilizados como forma de tentar censurar os blogs.

“Tem um lado que pode se transformar em censura muito facilmente. Eles alegam que eu ataco o nome Wierzchowski, que é polonês, então presumem que eu não gosto dos poloneses, como está no processo. Desta forma poderão alegar também que eu sou machista por que critico uma escritora. Desse jeito a coisa segue de uma forma incontrolável”, expõe.

Marco Aurélio Weissheimer, criador do blog RS Urgente, opina que o blog é um novo espaço para estimular o debate público e que rompe com o monopólio dos grandes veículos de comunicação. Salienta que no seu caso, o objetivo é informar sobre os fatos da política gaúcha que por outros veículos de comunicação, principalmente os de maior circulação, não são percebidos ou considerados relevantes.

“O crescimento de ações judiciais e de processos contra blogueiros indica primeiramente o reconhecimento do surgimento de um espaço novo de comunicação. Os blogs que até pouco tempo eram considerados uma produção caseira, se inserem definitivamente no espaço de comunicação e debate público. Certamente os blogs passam a incomodar o sistema dominante de comunicação e com isso eles passam a usar dessas armas contra nós blogueiros”, comenta.

No Brasil, o caso mais polêmico foi o da blogueira amapaense Alcinéa Cavalcante que foi indiciada pela Polícia Federal por um comentário publicado em seu blog considerado ofensivo ao senador José Sarney (PMDB).Tanto o comentário quanto o blog não estão mais disponíveis. A assessoria de Sarney afirmou apenas que o indiciamento não foi pela vontade do senador e sim do advogado de sua frente partidária.,
Após esta ofensiva, Alcinéa criou outro blog:

http://alcinea-cavalcante.blogspot.com

Também, há poucos meses, o jornalista e blogueiro iraniano Roozbeh Mirebrahimi, foi condenado pela Justiça iraniana a dois anos de prisão e 84 chicotadas, por "propaganda contra o sistema", "difamação do Supremo Líder" e por "perturbar a ordem pública".

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Da sociedade de campo para a sociedade em rede

...Os meios de comunicação começam a interferir com mais força na organização da sociedade .... É a emergência de novas técnicas transformando os processos de produção,vinculação e interação social.
A virtualizacao instaura novas formas de realização das relações humanas; extrapola os limites dos campos sociais, antes assegurados pela tradição e pelos contratos ou pelas agendas definidas... Enfim, na sociedade midiatizada, as instituições sociais estão atravessadas pela ação dos meios de comunicação...

Estariamos vivenciando a passagem da sociedade de “campo” para a sociedade em “rede”, de fluxos e de “aglomerações momentâneas”????

domingo, 5 de julho de 2009

Texto: Como enfrentar qualquer gripe


Vou repassar a todos a maneira mais correta e saudável de enfrentar essa Influenza A
ou qualquer gripe que porventura apareça no seu caminho.

O melhor que vc pode fazer é reforçar o seu sistema imunológico
através de uma alimentação correta e saudável, no sentido de manipular
sua imunidade, preparando suas células brancas do sangue(neutrófilos)
e os linfócitos (células T) as células B e células matadoras
naturais.Essas células B produzem anticorpos importantes que correm
para destruir os invasores estranhos, como vírus , bactérias e células
de tumores.
As células T controlam inúmeras atividades imunólogicas e produzem
duas substâncias químicas chamadas Interferon e Interleucina,
essenciais ao combate de infecções e de tumores.

Bem vamos ao que interessa, ou seja quais alimentos são
importantes(estimulam a ação do sistema imunológico e potencializam
seu funcionamento).

Antes de mais nada, tome pelo menos um litro e meio de água por dia,
pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e manter suas vias
aéreas úmidas desestimulam os vírus.Não tome gelado,sempre preferindo
água natural e de preferência água mineral de boa qualidade.
Não tome leite, principalmente se estiver resfriado ou com
sinusite,pois produz muito muco e dificulta a cura.
Use e abuse do Iogurte natural, um excelente alimento do sistema
imunológico.
Coloque bastante cebola na sua alimentação.
Use e abuse do alho que é excelente para o seu sistema imunológico.
Coloque na sua alimentação alimentos ricos em caroteno
(cenoura,damasco seco,beterraba,batata doce cozida,espinafre
crú,couve) e alimentos ricos em zinco(fígado de boi e semente de
abóbora).
Faça uma dieta vegetariana (vegetais e frutas).
Coloque na sua alimentação salmão,bacalhau e sardinha, excelentes para
o seu sistema imunológico.
O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o chá
de gengibre que destrói o vírus da gripe.
Evite ao máximo alimentos ricos em gordura(deprimem o sistema
imunológico), tais como carnes vermelhas e derivados.
Evite óleo de milho,de girassol ou de soja que são óleos vegetais
poli-insaturados.

Importante: mantenha suas mãos sempre bem limpas e use fio dental para
limpar os dentes,antes da escovação.
Com esses cuidados acima e essa alimentação............os vírus com
certeza nem chegarão perto de vc.

Dica da Maria Joana Chaise e do Prof. Dr. Odair Alfredo Gomes
Laboratório Morfofuncional
Faculdade de Medicina - Unaerp
Fone: 36036744 ou 36036795

sábado, 30 de maio de 2009

Artigo: Problematizando a pedofilia em contexto de midiatização e educação globalizada


Resumo
O artigo pretende problematizar o conceito de pedofilia especialmente neste momento em que o fenômeno da midiatização tem provocado crescentes impactos nas vivências cotidianas das pessoas. Esses impactos têm reflexos também no processo educativo, uma vez que os relatos sobre a temática estão disponíveis e podem ser acessadas nos próprios lares, na rua, na escola, e, em tantos outros espaços sociais. Mesmo sendo uma discussão inicial e aproximativa, a reflexão está construída a partir de três dimensões: a) complexidade do conceito de pedofilia, compreendendo como um fenômeno social que afeta as diferentes áreas do conhecimento, muito embora os campos da medicina, psiquiatria, psicologia e direito, normalmente são autorizados a nominar o perfil da pessoa que a pratica; b) os impactos na realidade social dos sujeitos e, qual o papel da mídia e da escola nesse cenário?; c) veiculação dos casos de pedofilia na mídia, para isso analisaremos uma reportagem sobre o tema exibido no programa Domingo Espetacular. O programa tem duração de 9’13’’ e está disponível no youtube. Fundamentamos a teoria a partir da hipótese de agendamento que o processo de midiatização realiza junto ao receptor. Conclui-se que é possível estabelecer tarefas de atuação conscientizadora/educativa por parte da mídia e da escola, muito embora os desafios são muitos. O maior deles é não tornar a pedofilia um espetáculo permanente e sem reflexão apurada e com conseqüência no coletivo social.

Palavras-chave: Pedofilia. Mídia. Educação.

Autores: Jackson Ronie Sá da Silva
Cristóvão Domingos de Almeida e Eu.

Texto: Provocações!!!


...A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas e não como ele, numa toca, aparado só pelo chão...
...A segunda provocação foi à alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe, uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
...Outra provocação foi perder a metade dos seus irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. “Era de boa paz”. Foram lhe provocando por toda a vida.
...Não pode ir à escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
...Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco, depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
...Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava. Estavam lhe provocando...
Gostava da roça...Queria voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal de reforma agrária. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar a terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
...Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer.
Garantida. Animou-se. Mobilizou-se. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
... Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: “ - Violência, não!”.

(Fonte: Luiz Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Artigo: Pesquisa documental: pistas teóricas e metodológicas


Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar alguns apontamentos teóricos e metodológicos sobre a pesquisa documental. Ao fazermos essa exposição pública, por meio de ensaio bibliográfico, queremos provocar o debate sobre a utilização desse procedimento no cotidiano das pesquisas de estudantes, professores e pesquisadores. Primeiramente, conceituamos a pesquisa documental, apresentando as similaridades e diferenças entre esta e a pesquisa bibliográfica, para, em seguida, discutirmos o conceito de documento. Na seqüência, abordamos os critérios metodológicos de pré-análise do documento escrito e, por fim, apresentamos as etapas da análise documental.

Palavras-chave: Pesquisa documental; Metodologia; Documentos escritos.

Documentary research: theoretical and methodological clues

Abstract

This paper presents some theoretical and methodological notes on the documentary research. By making this public exposure, through bibliographic essay, we want to lead the debate on the use of this procedure in daily researches of students, teachers and researchers. First, we define the documentary research, showing the similarities and differences between this research and the literature research, and then we discuss the concept of document. Next, we accost the methodological criteria for pre-analysis of the written document, and, finally, we present the steps of the documentary analysis.
Keywords: Documentary research, Methodology, Written documents.

Autores:
Jackson Ronie Sá-Silva
Cristóvão Domingos de Almeida
Joel Felipe Guindani

Versão completa em: j.educom@gmail.com

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Artigo: Perspectivas e desafios entre a dupla ruptura epistemológica e pesquisa participante

Resumo
O presente artigo trata da discussão sobre o pensamento pós-moderno e, por essa via, do impasse paradigmático que se encontra no campo da ciência. Partindo dessa reflexão, apresenta-se a articulação entre a proposta epistemológica de Boaventura de Souza Santos, denominada ‘Dupla ruptura epistemológica’, e a proposição metodológica da ‘Pesquisa participante’. A partir dessa abordagem, busca-se evidenciar que, em tempos de crise ambiental e de crescente desigualdade social, tanto a proposta de Boaventura de Souza Santos quanto a Pesquisa Participante são indissociáveis e que, juntas, poderão edificar um novo modelo de ciência efetivamente engajada e comprometida com os problemas atuais e os que possivelmente emergirão.
Palavras-chave: Pós-modernidade, Ciência; Dupla ruptura epistemológica; Pesquisa participante.

Abstract

This article deals with discussion about the post-modern thought, and in this way, the deadlock paradigm, which is in the field of science. According to that thought, is the relationship between the epistemological proposal of Boaventura de Souza Santos, called 'Double epistemological rupture', and the methodological proposition of 'participative research'. From this approach, we attempt to show that in times of environmental crisis and growing social inequality, both the proposal of Boaventura de Souza Santos and the Participative Research are inseparable and that, together, they can build a new model of science actually engaged and committed to the current problems and the ones which will possibly emerge.

Keywords: Postmodernity; Science; Dual epistemological rupture; Participative Research.


Versão completa com: j.educom@gmail.com

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Estamos por aqui! Acesse já.





Informações de interesse e do ponto de vista de movimentos sociais, populares e sindicais. Este é o objetivo da Agência Chasque de Notícias, que há três anos produz conteúdo para rádios comerciais e comunitárias, além de jornais, do sul do Brasil.

São mais de 2 mil rádios que recebem diariamente nosso boletim diário, com informações da América Latina, da agricultura, economia e das lutas sociais.

Além disso, boletins em áudio atualizados diariamente divulgam temas normalmente omitidos pela grande imprensa e apresentam um outro ponto de vista sobre temas conjunturais. Estes programas são utilizados principalmente por rádios de nosso estado, mas atingem também o Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros.

Sempre ás quintas-feiras, trazemos uma análise da conjuntura agrícola e às sextas-feiras, temos a contribuição do comentário político do sociólogo Cristóvão Feil, analisando os principais tema da semana no país e no Rio Grande do Sul.

Em julho, inauguramos nossa nova página na internet, onde além da nova diagramação diferente, ampliamos o nosso conteúdo, disponibilizando material em vídeo e fotografia.

Reiteramos o compromisso da Agência Chasque de Notícias com a luta dos trabalhadores urbanos e rurais. Esperamos que a nova página de Internet, com mais recursos, possa contribuir em mais qualidade e diversidade no nosso trabalho. Pedimos que nos enviem, sempre que for de interesse da organização, notícias para que possamos divulgar e fazer matérias.

Também nos colocamos à disposição para esclarecimentos, sugestões e críticas.

Um grande abraço e boa luta a todos e a todas.

Equipe da Agência Chasque de Notícias
www.agenciachasque.com.br


Contatos
telefone: (51) 3221-5685
e-mail: redacao@agenciachasque.com.br
MSN: agenciachasque@hotmail.com

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Texto: A importância da informação e da educação para a superação da crise ambiental

Segundo a Constituição Federal Brasileira, em seu artigo 225 “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum, e essencial a sadia qualidade de vida; Impondo-se ao Poder Público e a Coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Sendo assim, a população deve participar das decisões referentes às questões ambientais, pois é titular de direito sobre o meio ambiente. Para tanto, a sociedade deve ter um grau de informação satisfatório. Nesse momento, coloca-se em discussão um direito de grande importância, o direito à informação. Qual o grau de conhecimento que a população possui em relação à problemática ambiental, para que possa participar de forma efetiva dessas discussões? Segundo a Política Nacional de Educação Ambiental, esta deve estar presente em todos os níveis do processo educativo, tanto em caráter formal (através dos currículos escolares), quanto em caráter informal (através dos meios de comunicação, por meio do poder público, privado e da sociedade civil organizada). A partir disto, surgem dois problemas:

Como a Educação Ambiental é trabalhada nas escolas e qual o tipo de informação que está chegando à população?

Dentro do ambiente escolar, esta educação está se dando de forma satisfatória? Nossas crianças saem da escola com uma visão holística sobre as questões ambientais?Os professores são capacitados para, dentro das diversas áreas (Química, Física, Biologia, História, Geografia, Português, Matemática, etc.), inserir a problemática ambiental nos conteúdos ministrados em aula, para que os alunos percebam a conexão existente entre as diversas atividades e esferas da sociedade com os problemas ambientais?

No que diz respeito à Educação não formal da população, esta possui conhecimento técnico suficiente que lhe permita compreender como se dão as relações sociedade-natureza? Que tipo de informação veicula na mídia e chega até o cidadão?Qual o papel do Estado, das instituições privadas, das grandes empresas e das ONGs na construção da consciência ambiental coletiva? Somente a partir da compreensão da real importância do meio ambiente ecologicamente equilibrado para a continuidade da vida no planeta Terra é que as ações individuais tornar-se-ão coletivas, e as de caráter momentâneo passaram a ser permanentes, repassando-se as gerações futuras a preocupação com o meio ambiente.

O cidadão que possui informação necessária (formal e informal) sobre a questão ambiental poderá participar ativamente e conscientemente das discussões acerca desta problemática, tornado o processo mais democrático, conforme é previsto pela Constituição Brasileira e pelo Direito Ambiental, o qual tem como um dos seus princípios, o princípio da Democracia.
A crise ambiental atualmente vivenciada é fruto, antes de tudo, de uma crise de percepção.
As relações entre o meio natural, o sócio econômico e o cultural são vistas de forma fragmentada. É impossível tratar da questão ambiental sem abordar a questão social, assim como é impossível tratar desta desvinculada dos processos econômicas da sociedade capitalista na sua fase de globalização. E o único caminho possível para a construção de uma nova visão do mundo, menos fragmentada, e para a superação da crise ambiental é oferecer à sociedade acesso a Informação e a Educação de qualidade.
Por Monica M. Wiggers

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Texto: A PÁSCOA DE CADA DIA




Mesmo que a correria tome conta de nossos dias, não podemos deixar de
vivenciar os momentos com a intensidade que eles merecem...

A Páscoa é um momento vivenciado pela humanidade há milhares de anos entre
os povos pagãos e assumiu uma roupagem cristã na nossa era...

A celebração da Páscoa tem uma dimensão humana profunda, que busca
explicar a dinâmica da vida e da morte, da tristeza e da alegria, da dor e
do prazer, ou seja, explica a nossa condição humana.

A essência desse momento universal está no fato de que somos seres
inacabados e limitados. Estamos aqui hoje, e amanhã podemos não estar,
hoje estamos tristes e amanhã nos alegramos...

E o mais importante é que nossa vida e nossas relações, também vivem a
dinâmica da ressurreição, temos condição de rever nossa forma de pensar
sobre a vida e sobre o outro.

De fazer ressurgir uma amizade, a solidariedade, a fraternidade... Em
situações que aparentemente são de morte, de negatividade, de pessimismo
conseguimos transformá-las em situações de vida, de amor e de paz...

A maravilha de sermos humanos está na nossa capacidade infinita de
transformar, de amar incondicionalmente, de perdoar... Ser humano é ser um
ser de mudança, que aprende e reaprende.... Que ressurge da tragédia, da
tristeza com entusiasmo e alegria... Que tolera, que compreende...

Jesus foi profundamente humano, fez da sua vida uma Páscoa e por isso o
chamaram de Deus.

Desejo-lhe uma ótima reflexão sobre a Páscoa de cada dia que vivenciamos
às vezes heroicamente, individualmente e coletivamente

Grande abraço

Prof.Evandro Ricardo Guindani
Área de Ciências Humanas e Sociais - Coordenação
UNOESC - Joaçaba-SC

sábado, 28 de março de 2009

Notícia: Universidade Federal da Fronteira Sul começa a sair do papel


Após a conquista da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Via Campesina e a Fetraf-Sul intensificam a discussão para que a instituição tenha um caráter popular e ..... versão completa em:

http://agenciachasque.com.br/modelo01.php?idsecao=91f03f57e9aff94c35d3d21f0ef2fc5b&&idtitulo=821db1397a0f53c5478b051d8f79bb2f

quarta-feira, 18 de março de 2009

Notícia: Santa Catarina é o único estado brasileiro sem Defensoria Pública.


A Defensoria Pública é um órgão de natureza pública que garante as pessoas o acesso à justiça de forma gratuita e de qualidade. Porém Santa Catarina é o único Estado da União que nega este direito aos seus cidadãos. A professora Maria Aparecida Lucca Caovila, uma das integrantes do Movimento pela criação da Defensoria Pública no estado de Santa Catarina comenta sobre o caso.

“O movimento ele iniciou em 2006. De lá para cá ele vem mobilizando e socializando esse direito pra população catarinense. Na verdade a sociedade catarinense não sabe que tem direito a uma Defensoria Pública. Somos o único estado do Brasil que não criou uma Defensoria Publica nos moldes constitucionais”, enfatiza.
Para a pesquisadora, o que existe no estado é uma terceirização de serviços a um grupo de advogados, não sendo especificamente um serviço de Defensoria Pública à população.

“O que nós temos aqui é uma terceirização em que o governo do estado repassa aos advogados o ônus de prestação de assistência judiciária gratuita. Então o trabalho que os advogados desenvolvem aqui não é um trabalho de defensoria publica. O Trabalho da defensoria pública é bem mais amplo”, comenta.

Em pesquisa, a qual também resultou no livro “Acesso À Justiça e Cidadania”, Maria Aparecida diz que o principal motivo que tem impedido a criação deste órgão é simplesmente a falta de vontade política.“o meu tema de pesquisa resultou num livro, e a questão era saber por eu o estado de Santa Catarina não cria a Defensoria Pública. E a conclusão que eu cheguei é que é por falta de vontade política. Não há interesse no estado em outorgar ao cidadão esse benefício constitucional, esse avanço que a constituição de 1988 trouxe com a finalidade de dar autonomia e emancipação”, explica.

Desde o ano de 2006, o Movimento pela Criação da Defensoria Pública vem intensificando as suas ações no estado Catarinense. Nos próximos meses serão realizadas audiências públicas em várias cidades do estado. A primeira acontece na cidade de Chapecó neste dia 26 de Março. Você também pode apoiar essa iniciativa. Saiba mais através do telefone (49) 3321-8287.

Versão disponível em áudio em: www.agenciachasque.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2009

Artigo: Práticas Educomunicativas: Estudo de Caso do Programa Globo Ecologia


Resumo

O presente artigo, vale-se em seu desenrolar pelos princípios e possibilidades que a educomunicação disponibiliza para reflexão. Nessa perspectiva, busca-se revelar através das práticas educomunicativas, algumas alternativas que possam contribuir para a formação de sujeitos críticos mediante o conteúdo e o uso de tecnologias midiáticas. Nesse contexto, configura-se também a necessidade de um novo profissional que esteja atento as mudanças advindas da presença das mídias na educação e, por conseguinte, da viabilidade de estar mediando a reflexão acerca da produção de materiais audiovisuais com fins educativos. Por meio de uma análise empírica sobre uma edição do programa Globo Ecologia, procurou-se perceber se o mesmo se enquadra nas representações da Educomunicação, especificamente nas questões educativas sócio-ambientais.

Palavras-chave: Televisão; Educomunicação; Práticas educomunicativas; Consciência sócio-ambiental.

Versão completa em: zcfranci@yahoo.com.br, j.educom@gmail.com.

Capítulo de livro: O Protagonismo Juvenil nas ondas do Rádio


Pensar sobre o Rádio, indo além da mera instrumentalidade tecnológica e, discutir sobre juventude como não sendo somente uma etapa problemática da vida a ser superada é, certamente, o desafio da reflexão que segue.
O Rádio, com sua aura de simplicidade, efetiva-se como ambiente propício a realização de subjetividades como sonhos e inquietações, características estas, sempre latentes no coração de qualquer jovem. Desses dois universos - Rádio e Juventude, uma compatibilidade parece emergir, aproximando e reforçando laços entre ambos.
Ao ser tocado pelas mãos da juventude, o Rádio ganha novo status, tornando-se artífice para transformar o que até então parecia distante, escondido e calado.
Para enriquecer essa discussão, relato, ao final desse artigo, a experiência de um grupo de Jovens que, a mais de dez anos, vem fazendo de uma Rádio Comunitária um espaço de cidadania e de protagonismo.
Versão completa em:

GUINDANI, Joel F. ASQUIDAMINI, Fabiane. Contratempos? Juventude, Segurança e Paz. São Leopoldo:Ed.CEBI, 2009.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Apenas mais uma notícia?


Nas páginas de certo jornal de nossa cidade, em um sábado chuvoso, emplaca-se a manchete: “Pai é preso pelo crime de estupro contra sua filha!”

Um acontecimento farto, ‘prato cheio’ para se engordar uma página policial, fechar a edição e fazê-la, enfim, circular. Ou como nos adverte Balzac: um motivo bem vindo para se “colorir um pedaço de papel para então se faturar o dobro.”

Um acontecimento que para alguns leitores não passa de mais uma corriqueira ‘barbaridade’ das colunas polícias de um jornal; Um acontecimento que também, para Schopenhauer, satisfaz o desejo humano de sentir prazer pela dor alheia - “é sempre um prazer saber que os outros sofrem mais do que a gente”.

Essa matéria jornalística, a qual também traz como subtítulo: “Jovem teria engravidado do pai; investigação se iniciou após a morte do bebê”, produz outros desdobramentos, afetando diferentemente a cada leitor.

Creio que a notícia transcende a especificidade ou intenção de somente informar o fato como um acontecimento em si, ou vazio de novas implicações. Trata-se, portanto, para o professor Jairo Ferreira, de uma "lógica exógena aos campos específicos, assumida, como em si, pelas instituições especificamente noticiosas”. Qualquer fato vai além das intenções de qualquer jornalista. Para o repórter produtor dessa matéria, certamente pouco convém tal implicação, afinal, para ele, está seria apenas mais uma matéria para o setor policial.

Creio também que outro acontecimento emerge de tal reportagem; algo a mais advém após a leitura realizada pela filha, ou seja, pela vítima do fato em si e agora também leitora desse produto jornalístico. À esta vítima-leitora, após fixar o olhar sobre certa notícia, sobram-lhe poucas alternativas, a não ser ao menos expressar:

“Não é verdade, não é verdade! Eu não sabia disso! E agora?

Mas, se de tudo ela sabia e tinha sentido na própria pele, o porquê do desespero?

No penúltimo parágrafo uma informação - a meu ver, sem maiores implicâncias para tal produtor da matéria, porém impactante ao extremo para essa jovem leitora-

“a situação se agrava pelo fato de o homem agressor ser HIV positivo.”

A leitora-vítima, além de ser informada “pelo jornal” que seu agressor é HIV positivo, têm o seu problema, sua intimidade exposto aos quatro ventos. Lembro-me das suas palavras após fechar o jornal: “Agora se foi! Eu vou me sumir”!

Então! Isso foi apenas mais uma notícia? Certamente para essa leitora, não!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A posse de Obama e o vôo das crianças


O culto de domingo (18/01/09) da Igreja Batista da Rua Dezenove em Washington D.C. não foi típico. Entre as pessoas reunidas para celebrar a sua fé, estavam o presidente eleito Barack Obama e a sua família. Às vésperas da posse do novo presidente dos Estados Unidos, é possível imaginar como deveria estar festivo, comovido e agitado o ambiente da igreja. No decorrer do culto um menino declamou:

"Rosa Parks ficou sentada para que Martin Luther King Jr. pudesse andar. Martin Luther King andou para que Barack Obama pudesse correr. Barack Obama correu para que todas as crianças possam voar".

Eu penso que é fundamental, nesse momento de grande festa pela posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, manter esta perspectiva histórica. Se não tivesse havido Luther King e outros da sua geração que, através das suas lutas pelos direitos civis dos/as negros/as, dedicaram suas vidas à causa do reconhecimento da dignidade de todos os seres humanos, independente da cor da pele, da raça ou etnia, religião, sexualidade, da sua condição física ou mental e econômica, também não teria havido um Obama nos dias de hoje.

E se não tivesse havido uma Rosa Parks que foi presa por recusar a dar o seu lugar no ônibus para um homem branco no sul segregacionista dos Estados Unidos e outras mulheres e homens que um dia disseram: "chega!", também provavelmente não teria havido Luther King que conhecemos.

Na cultura atual, perdemos muito da "consciência história" e muitos pensam que a vida e história são feitas de uma somatória de presentes ou de um "eterno presente". Parece que o "salvador" ou grandes transformações ocorrem só porque ocorrem, "de repente", quase como uma geração espontânea; sem relação com as lutas do passado e as condições objetivas do presente. Recuperar a consciência história é uma tarefa educacional fundamental na luta ideológica do nosso tempo.

Versão completa em:

http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36900

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Marx é sempre capital !!!!



E quanto mais aumentam a competitividade e concorrência intercapitais, mais nefastas são suas conseqüências, das quais duas são particularmente graves: a destruição e/ou precarização, sem paralelos em toda a era moderna, da força humana que trabalha e a degradação crescente do meio ambiente, na relação metabólica entre homem, tecnologia e natureza, conduzida pela lógica societal subordinada aos parâmetros do capital e do sistema produtor de mercadorias.

Expansionista, destrutivo e, no limite, incontrolável, o capital assume cada vez mais a forma de uma crise endêmica, crônica e permanente, com a irresolubilidade de sua crise estrutural fazendo emergir, na sua linha de tendência já visível, o espectro da destruição global da humanidade, sendo que a única forma de evitá-la é colocar em pauta a atualidade histórica da alternativa societal socialista. Os episódios ocorridos em 11 de setembro e seus desdobramentos são exemplares dessa tendência destrutiva.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

É NATAL: Tempo de irmos além ...



E o Natal vai chegando... Primeiro, foi-se achegando... Em noite fria.. de porta em porta. Cada uma delas bem fechada...

A hora chegou... Choramingando logo veio. Com ou sem parteira um estábulo prontamente lhe acolheu...

Surgiu dos pobres e por jumentos, ovelhas e bois foi aquecido...

Na humildade do chão batido e aos olhos dos que lutam com esperança foi se fazendo..

E ainda hoje...

Nos corações dos que tem fome de pão e de justiça...
Nos semblantes queimados de sol...
Nas mãos calejadas e exploradas...
Nas mentes cansadas e esperançosas, continua se fazendo..

É Nestes que sua manisfetação é plena. É neles que continua renascendo...

Que o natal promova a inquietação e nos liberte de algumas amarras para que assim possamos trilhar o caminho rumo àqueles que querem ao menos sobreviver; ao encontro daqueles que gritam e mesmo assim não são ouvidos; aos que querem amar e não são compreendidos...

Sejamos luz e doação... Juntos vamos além !!! Bom natal

domingo, 14 de dezembro de 2008

A socialização como lugar para se pensar o sujeito!


Resumo

O presente artigo realiza um contraponto entre modernidade e pós-modernidade, problematizando a concepção de ciência moderna bem como o seu posicionamento epistêmico mediante o sujeito e a realidade. A partir dessa problematização, procura-se tencionar as lógicas identitárias e de sociabilidade tendo como pano de fundo a concepção pós-moderna enquanto fenômeno e paradigma. Busca-se, por essa via, compreender o sujeito tendo como lócus interpretativo a realidade societária a qual ele está imerso e, acima de tudo, evidenciar que é também através do ambiente das “relações” que o mesmo participa da vida e constitui a si mesmo.

Palavras-chave

Sociabilidades, identidade, identificações, modernidade, pós-modernidade.


***

Pensar o sujeito pela ótica das “relações” não é abstraí-lo de um processo histórico que até certo ponto o trouxe até aqui, mas sim, relevar as potencialidades do "vir a ser", da criatividade e da autonomização que constituem e orientam o seu viver.

Obviamente, cada vez mais fica difícil pensar `um sem o outro´e que se torna impossível existir um projeto individual ´puro´,sem referencia ao outro, ao social...

Como nos alerta Bauman, “estar inacabado, incompleto subdeterminado é um estado cheio de riscos e ansiedade, mas seu contrário também não traz um prazer pleno, pois fecha antecipadamente o que a liberdade precisa manter aberto.” ...

Versão completa em: j.educom@gmail.com

sábado, 6 de dezembro de 2008

Preparação para a Conferência de Comunicação cresce em evento nacional


Reunidas em Brasília no último dia 2 de dezembro, 66 organizações sociais e 250 pessoas – incluindo representantes do Executivo e do Legislativo – reafirmaram o compromisso pela realização da I Conferência Nacional de Comunicação, que deverá ser convocada pelo Governo Federal em 2009. Este foi o grande evento nacional Pró-Conferência desde a Conferência Nacional Preparatória de Comunicações realizada em 2007 na capital federal, organizada pelo Ministério das Comunicações, porque avançou em termos de participação plural e abertura para o debate.


Um público altamente diversificado e representativo presente ao Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação, em Brasília, nesta semana, deliberou e construiu, entre outras coisas, um calendário de compromissos a serem atendidos na construção da Conferência com os seguintes prazos e datas:

¤ Edição de Decreto do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, convocando a Conferência, e Portaria Ministerial constituindo o Grupo de Trabalho até 31/12 de 2008; ¤ Conferências municipais ou regionais e debates temáticos até 20 de maio de 2009; ¤ Conferências estaduais de caráter deliberativo para a eleição de delegados e debate e aprovação de propostas à Conferência Nacional: 1º de junho a 14 de agosto de 2009; ¤ Sistematização das propostas e publicação de subsídios: até 14 de setembro de 2009; ¤ Etapa nacional: 3, 4 e 5 de novembro de 2009, em Brasília.

Presente à reunião de Brasília, o Coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), jornalista Celso Schröder, destaca que este foi o grande evento nacional depois da pré-Conferência realizada no ano passado pelo Ministério das Comunicações (leia aqui). “Foi o resultado das mobilizações que ocorreram durante este ano. E foi surpreendente. Teve uma participação muito maior, mostrando que há uma adesão à idéia da Conferência por todos os setores”, relata Schröder. Para ele, a participação do governo nesta reunião foi importante, assim como a sociedade, que estava presente agora de uma maneira “muito mais espontânea”.

Schröder destaca que empresas de radiodifusão, empresas de comunicação, movimentos sociais estiveram representados demonstrando racionalidade, maturidade e compreendendo que é preciso construir a Conferência como um espaço público. “Foi um acréscimo, avançou. Acho que coloca o governo numa situação de realmente instalar a Conferência. Saímos desta reunião com o compromisso da sociedade e do Estado de produzir reflexões e debates sobre um tema que até agora não tem sido debatido suficientemente pela sociedade, que é o tema da comunicação”, relata.

O objetivo maior da realização da Conferência, do ponto de vista do FNDC, é a construção de políticas públicas para regrar, regulamentar, organizar os sistemas de comunicação públicos, mesmo os comerciais, no sentido de constituir a dimensão pública que eles têm por obrigação. A expectativa é de que a Conferência provoque os acordos, os debates para produzir políticas públicas. “O debate, por si só, já terá a função de chamar à consciência, jogar luz sobre o tema da comunicação, que neste momento carece de visão crítica e analítica”, analisa o coordenador-geral do Fórum.

Na reunião de Brasília, dia 2, não havia clima reivindicatório simplesmente ou de negação sobre qualquer tipo de debate. “Me pareceu que todos os atores presentes estavam disponíveis a se exporem no espaço público para o debate. É importante entender que os desejos são legítimos e o que temos que produzir são os consensos. E, aquilo que não for consenso, que sirva para início de conversas”, ressalta Schröder, lembrando que a Conferência não se extinguirá agora, mas deverá produzir um espaço de debate público permanente como sempre devia ter existido no Brasil.

Metas do Fórum

Em suas metas, o FNDC continuará reivindicando a Conferência, insistindo no caráter nacional e enraizamento regional, e, ainda, que ela aconteça a partir da convocação do Executivo, com os grandes temas da comunicação. “Que seja feita de tal maneira e com um grau de racionalidade que consiga apontar efetivamente para políticas públicas. Não queremos um seminário simplesmente de catarse nacional, um muro de lamentações. Temos que produzir um espaço de decisões, acordos que propiciem o governo a produzir regras oriundas da vontade da sociedade brasileira.

Centrados na realização da Conferência já perdemos um ano, diz Schröder, garantindo que já era possível haver grupos instalados, realizando conferências regionais nas quais as sociedades fossem preparando as suas intervenções, racionalizando seus conceitos, tornando públicos os seus desejos, de tal maneira que no ano que vem já exista um certo grau de conceituação mínima. "A sociedade civil agora tem a obrigação de se debruçar sobre questões muito complexas, como qual é o sistema, que modelo de TV pública e de TV digital que nós queremos? Como acontece a convergência? Como manter um conteúdo nacional dialogando com os conteúdos internacionais? Como funciona o modelo econômico global que temos hoje no mundo?”

Estas são algumas das questões que precisam ser traduzidas em propostas pela sociedade civil, de acordo com o FNDC. "E que não sejam propostas ingênuas, reduzidas a bandeiras simplesmente, que se esgotem em algumas palavras", salienta o coordenador-geral do Fórum, já prevendo que isto vai exigir muito da sociedade civil, inclusive em segmentos que não têm uma tradição na área da comunicação. Como exemplo, Schröder cita o engajamento do Conselho Federal de Psicologia (CFP), altamente atuante nas discussões acerca da comunicação social no País. “Eles já estão elaborando há algum tempo as questões da subjetividade, o que esperam de uma mídia, da comunicação, da ótica da Psicologia. Todos os outros segmentos precisam fazer isto”, provoca o jornalista. O encontro de Brasília produziu um documento cujo conteúdo pode ser lido na íntegra aqui: imprensa@fndc.org.br.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Solidariedade ao povo catarinense


Colegas,

Em solidariedade ao povo catarinense, vitimado pelas chuvas que afetaram mais de 1,5 milhão de pessoas, estamos organizando a arrecadação de valores que serão repassados à Defesa Civil de Santa Catarina. Acreditamos que cada um de nós, dentro de suas possibilidades, poderá contribuir.
Nesse sentido, há duas formas para doação. A primeira, na próxima terça-feira, dia 2, às 17h30, quando nos reuniremos em confraternização do PPGCC ou durante as aulas que acontecem na semana de 1º a 5 de dezembro. A segunda alternativa é o depósito direto nas contas da Defesa Civil, abaixo listadas.
Ressaltamos que não há um valor fixo, cada um pode contribuir com a quantia que puder e desejar. Tampouco será identificado o nome ou o valor da doação.

Certos da colaboração de todos, estamos à disposição para dúvidas e sugestões,


Christa Berger
Coordenadora PPGCC

Joel Felipe Guindani
Ângela Zamin
Representantes discentes Mestrado e Doutorado 2008


Defesa Civil SC – Contas para depósito
Caixa Econômica Federal - agência 1877; operação 006; conta 80.000-8
Banco do Brasil - agência 3582-3; conta corrente 80.000-7
Besc - agência 068-0; conta corrente 80.000-0
Bradesco - agência 0348-4; conta corrente 160.000-1
Itaú - Agência 0289, conta corrente 69971-2
O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil e o CNPJ é 04.426.883/0001-57. As empresas que fazem doações podem requerer a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), utilizando o código CFOP na nota fiscal 5910. Também deve constar em complemento: "Doação para Defesa Civil do Estado de Santa Catarina".

sábado, 15 de novembro de 2008

Seminário da Unisinos aborda aspectos metodológicos da midiatização



A Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) irá sediar, de 19 a 21 de novembro, o seminário "Midiatização e Processos Sociais - Aspectos Metodológicos", promovido pela Rede Prosul. O objetivo do encontro deste ano, que reunirá pesquisadores da Colômbia, Argentina, Uruguai e Brasil, como o enunciado sugere, é discutir a midiatização em uma perspectiva metodológica. No ano passado, também na Unisinos, o encontro da Rede Prosul refletiu sobre as pesquisas que tratam da midiatização.

Os relatores e os expositores (professores) receberão certificados, bem como os participantes (ouvintes) que tiverem 75% de presença, que é o que requer a universidade para validação do certificado. A Unisinos estará representada, uma vez mais, pelos professores-pesquisadores Antônio Fausto Neto, Jairo Ferreira, José Luiz Braga e Pedro Gilberto Gomes.

Durante os trabalhos do seminário "Midiatização e Processos Sociais - Aspectos Metodológicos", será lançado o livro Midiatização e Processos Sociais na América Latina (Paulus, 2008). O livro é organizado por Antônio Fausto Neto, Jairo Ferreira, José Luiz Braga e Pedro Gilberto Gomes. O lançamento será realizado às 17h30 do dia 20 de novembro, na Livraria Cultural da Unisinos. Informações pelo telefone (51) 3591.1100, ramais 1356 e 1357.

O Programa Sul-Americano de Apoio às Atividades de Cooperação em Ciência e Tecnologia (Prosul) apóia atividades de cooperação em ciência, tecnologia e inovação na América do Sul, contribuindo com o desenvolvimento da região, por meio da geração de conhecimento e do aumento da capacidade científico-tecnológica dos países. Já a Rede Prosul é formada pela Universidade de Buenos Aires (UBA), Universidade Católica do Uruguai (UCU), Universidade Nacional de Rosário (UNR), Universidade Nacional da Colômbia (UNCo) e Unisinos.

Segundo Jairro Ferreira, "A rede é uma evidência de que a interlocução entre pares da instituição e de outras instituições revela caminhos que podem estar guardados em nossos próprios mapas. Muito do que construímos sobre o conceito de midiatização foi provocado nestes quatro anos de sua existência, compondo um quadro de questões e remissões produtivas, ainda em funcionamento". O evento é uma promoção do Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama, as profecias de Luther King e o relato de Silvia Lorenso. Testemunha ocular!


Martin Luther King, pouco antes de ser assassinado, há quatro décadas, disse uma frase premonitória, que caiu feito luva a Barack Obama na madrugada de quarta (5/11): “Eu cheguei ao topo da montanha e vi o outro lado. Talvez eu não consiga chegar lá, mas você conseguirá”. O ideal de Martin Luther King se tornava realidade naquele momento, em que o menino negro, filho de pai queniano e mãe norte-americana, tornava-se o 44º presidente dos Estados Unidos. (mais detalhes sobre essa reflexão em www.juonline.com.br.


Abaixo, segue o relato de Silvia Lorenso. Testemunha ocular!!!

Espero que estajam bem.

É interessante falar a partir desse lugar geográfico daqui, o olho do furacao para o mundo, o espaço que mais parece a casa do big brother, onde o mundo todo está "dando uma espiadinha".

É um risco ser contaminada com um excesso de celebração, mas é impossível não expressar a satisfação de estar vivendo esse momento, de conversar com as pessoas - negros e brancos - e ouvir seus comentários, seus choros, as risadas.
A frase que mais escutei ontem e hoje de estadunidenses/as é que eles/as pela primeira vez têm orgulho do país, que, pela primeira vez, bateu uma pontinha de patriotismo.
Quando cheguei aqui, encontrei pessoas que tinham vergonha do país, do presidente, da guerra, do imperialismo- e nao era para menos e, apesar de viver o privilégio na sua abundância, essas pessoas pareceiam fracas, sem ação, minadas por dentro. Fiquei impressionada com a fala das pessoas, falas quase suicidas. Alguns diziam que se McCain ganhasse iriam procurar outro país para viver porque já nao era possível viver sob essa sombra de Bush e o que ela representa.

Por outro lado, há um sem número de senhoras bem idosas, negras, dizendo o quão estão felizes com o fato de guardar na memória imagens da família negra de Obama ao lado de imagens de linchamentos. Uma das coisas mais bonitas desde que cheguei foi participar de um concerto de Maya Angelou, a querida poeta negra, cuja fala dividia risos e choro da platéia. Maya Angelou contou sua infância e todas as coisas que a fizeram ser a pessoa que é hoje. Ela contruiu a metáfora do arco-íris que atravessa nuvem - "the rainbows in my cloud" - ela diz. E disse que há momentos e situações que nos oferecem a oportunidade de pensar a nossa condição humana. Ela menciona Barack Obama como um desses momentos.
Pede cuidado para que nao esperemos dele o que nao foi feito em anos por outros governos, que esperemos um pouco e que acima de tudo, fiquemos na torcida de que haja, de fato, condições de governabilidade.
Hoje pela manhã, Maya Angelou foi entrevistada e a reporter pediu para que ela enviasse uma mensagem para Obama. Ela disse: "Thank you, Thank you, Thank you!"
Obrigada por nos dar a chance de sermos pessoas melhores, pelo menos por algum tempo.

Mais tarde, acessei a Rádio Itatiaia, de MG, para ouvir o que as pessoas estavam comentando a respeito. Ouvi um comentário de Alexandre Garcia e agradeci aos orixás a capacidade de entender outro idioma além do Português. Alexandre comentava a fala de Lula; aquela em que ele comenta o que Obama representa para os EUA, o Chavez para a Venezuela, ele para o Brasil, e o Evo Morales para a Bolívia. O tom de Alexandre foi muito desrspeitoso, apenas para variar nao é?

De modo que, tento manter um pé aqui e outro no Brasil quanto à coleta de informações porque o que a mídia e seus comentaristas brasileiros fazem é filtrar muita coisa e postar análises que nada têm de neutras. O mesmo email que vocês receberam (com as fotos) foi enviado a outras pessoas. Uma pessoa respondeu dizendo, de maneira muito ofensiva, que é apenas brasileiro (com as palavras em caixa e muitas exclamações).
O que fazer? Nao sou extremista a ponto de dizer que Obama é tudo, ou que ele nao é nada. Ele marca um momento importante no capítulo da história. Pode vir a se consolidar como um político cuja imagem é mais limpa e melhor que a imagem do império americano, a exemplo de Lula em relaçao ao PT ou ao governo? pode. Pode cair no desgosto popular daqui a um ano? pode também.
Pra mim, é muito válido o espaço da outra margem. Minutos atrás liguei para a casa de minha mãe, em Belo Horizonte, e meu sobrinho de onze anos atendeu. A primeira coisa que ele perguntou:
"E o Obama, foi eleito né? Isso é bom, não é? Você está feliz?" Na sequência, minha mãe pegou o telefone e disse: "muita gente comentou sobre o Obama hoje comigo, e eu acredito que ele vai fazer muita coisa para os negros e os pobres. Quem sabe aqui nao fazem o mesmo, né?" Meu sobrinho e minha mão são apenas personagens comuns do dia-a-dia das periferias brasileiras. Se Obama os inspira a pensar o mundo e a se colocarem nele a partir de suas experiências, só por isso ele já tá valendo.

Sílvia

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Internet: um espaço para se ocupar, produzir e transmitir!



A Internet isola, aliena, leva à depressão, ao suicídio, enfim, a toda a espécie de coisas horríveis? Ou pelo contrário: a Internet é um mundo fantástico de liberdades, de novas interações, novas amizades, onde todos se amam e formam inúmeras comunidades?

Creio que temos ainda mais dúvidas do que respostas. Até mesmo os poucos estudos já realizados não convergem para um único caminho (Morais 2006). Ambos trafegam em algum dos extremos: a Internet aliena por um lado, mas liberta por outro. O que de fato é indiscutível é que de alguma maneira o advento da Internet trouxe consigo novas potencialidades que vão para além da esfera ou da ordem individual,de um ciclo limitado de pessoas: "A internet revela-se como espaço de socialização do conhecimento e de novas configurações para o convívio social."(Bretas 2006). É por essa ótica que pretendo desenvolver a reflexão que segue.

Por um longo período de nossa exitência, as formas de contato humano estendiam-se no espaço limitado do “ver”, do poder “tocar” e do “sentir” fisicamente. Percebe-se que o contato físico era o condicionante propulsor de nosso universo societário. As formas de interação social limitavam-se na esfera do “face-a-face” ou em conexões sociais estabelecidas somente em circunstancias de “co-presença” como salienta Giddens (2003). A vida cotidiana, arraigada na co-presença, do contato “olho-no-olho” foi, até certo período, a única forma de efetivação ou exercício de nossa sociabilidade.
Com a chegada da Internet acontece uma expressiva reconfiguração nesta realidade até então mais estável, previsível e delimitada. A emergência desse meio de comunicação congregou inéditas possibilidades de interação social até então jamais vivenciada por qualquer época humana.

Atualmete, nossas vidas são tecidas em uma nova sociabilidade, agora também sócio-técnica, à distância, onde as fronteiras e limites impostos pela nossa condição humana abrem espaço para novos alargamentos de possibilidade infinita.
O que por vezes, na condição face-a-face, limitava nossa curiosidade de transcender, de ir além do que prevíamos ser possível, pode ser facilmente rompida num piscar de olhos ou num “clicar” como nos sugere tal ferramenta. O que até então somente poderia ser conhecido através da interação humana ganha um aditivo rápido e quase instantâneo. Eis o esplendor deste meio de comunicação, que ao avanço dos tempos não se torna apenas uma tecnologia, instrumento ou extensão puramente mecânica: “a tecnologia, remete hoje, não a alguns aparelhos, mas, sim, a novos modos de percepção e de linguagem, a novas sensibilidades e escritas” diz Martín-Barbero.(2006).

Para Manuel Castells (2003), referindo-se especificamente a Internet, “esta tecnologia é mais que uma tecnologia”, dela emana múltiplas possibilidades que instauram novas dependências, as quais vão se transmutando geneticamente em nossa forma de ser e de viver. Basta imaginarmos o caos humano se a conexão “WWW” (World Wide Web) fosse interrompida. Certamente não apenas os fluxos financeiros colapsariam, como também toda a sociabilidade passaria por conseqüências imprevisíveis. Mesmo aqueles que não possuem o acesso à Internet estariam recebendo em seus aparelhos de rádio, TV etc., notícias nada agradáveis.


Outra reflexão importante diz respeito aos muitos movimentos sociais de massa que emergiram e ganharam novo fôlego a partir das potencialidades oferecidas pela Internet. Em meados da década de 1990 o movimento Zapatista mexicano mobilizou a imaginação popular pelo mundo todo, congregando apoio para sua causa através das redes eletrônicas. Da mesma forma, novos movimentos surgem, agregando adeptos em todos os continentes, disparando gritos de ordem através de torpedos instantâneos via celular ou scrap etc.

Se no ciberespaço nascem os militantes virtuais, descaracterizados de uma ação real como criticam alguns estudiosos, temos que considerar por outro lado, que muitos movimentos sociais - mesmo os avessos ou descrentes das potencialidades revolucionarias da Internet – expandem-se e movimentam-se hoje por um espaço ate então regulado e legislado por uma minoria: o espectro televisivo e radiofônico.

Para finalizar, ressalto a importância de que a Internet é a maior potencialidade de conexão do ´local´ com o ´global´. A qualquer hora e de qualquer lugar podemos reverberar pelo mundo sonhos que até então não cruzavam certas barreiras. Ações locais ganham peso e maior capacidade de dispersão, fazendo, como salienta Foucault (1996), com que o poder não se concentre em apenas um lugar ou em uma única fonte.

Vai-se aos poucos um tempo onde vozes eram facilmente caladas por regimes selvagens de censura. Por isso, sou otimista em crer que aos poucos a Internet irá se consolidando como espaço onde a liberdade de expressão também possa fluir em sua forma mais autêntica e legítima possível. Gianni Vatimo ( 2003) reforça a tese de que a internet pode também ser um espaço para se fortificar o envolvimento e a pertença entre sujeitos. A internet deve ser, diz ele, "uma comunicação em que seja cada vez mais intenso o sentimento de comunidade de sujeitos que nela se encontram envolvidos".

Neste tempo de Internet, muitas dúvidas nascem da mesma forma que se multiplicam os espaços de discussão, de difusão da critica e de mobilização contra tudo aquilo que oprime a condição humana. Creio também, que pouco conhecemos do muito que a internet transformou e pode transformar ... Enfim, vamos adiante, à frente, estudando, ocupando, produzindo e transmitindo ideais de vida através deste espaço que nos projeta para o mundo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Peço desculpas


Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, de economias familiares, o capital de seus empreendimentos.
Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés

Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade. Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.

Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização. Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me.

Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante.

Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.

Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos. Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período. Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação. Para contê-la, o governo subiu os juros... e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.

Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou. Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro. Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado! Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores. Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e precisarão repensar suas políticas econômicas.

Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência. Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.

*Autor: Frei Beto

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A construção da realidade de Maio de 1968 a partir da revista O Cruzeiro


Este artigo apresenta um aprofundamento investigativo acerca da expressiva revista brasileira O Cruzeiro, pertencente aos Diários Associados de Assis Chateaubriand. Trata-se de um estudo empírico a partir dos sumários e seus respectivos conteúdos de quatro edições do mês de Maio de 1968. Este corpus ofereceu-nos subsídios importantes para sabermos como se deu à construção da realidade a partir desse meio de comunicação para os seus mais de quatro milhões de leitores em toda América latina. O contato com os originais dessa revista nos possibilitou desenvolver um contraponto. Se por um lado o cenário vivenciado pela sociedade brasileira era de agitações, protestos públicos, repressão, censura e exílio, por outro lado, a revista O Cruzeiro explicitava assuntos corriqueiros desvinculados da conjuntura nacional. Neste sentido, interessa-nos observar os aspectos político, social e cultural a partir do conceito de representação desse produto da indústria cultural.


Palavras-chave: Representação, Revista O Cruzeiro, Ditadura, Maio de 1968.

Autor: Joel Felipe Guindani
Co-autores: Cristóvão Domingos de Almeida e Lourdes Ana Pereira Silva.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A contribuição da Educomunicação na construção do sujeito autônomo


Objetivo

Identificar, através de uma revisão bibliográfica, as possibilidades de contribuição da Educomunicação na construção do sujeito autônomo, bem como provocar novos olhares e reflexões acerca dos distanciamentos e aproximações entre os campos da Educação e da Comunicação.

Metodologia

A proposta foi realizar uma aproximação entre autores como Paulo Freire, Eugênio Bucci, Ângela Schaun, Ismar de Oliveira Soares, proporcionando um diálogo entre os mesmos, tendo como horizonte os parâmetros sugeridos pelo objetivo anteriormente delimitado. Para melhor situar essa discussão, utilizou-se uma pesquisa bibliográfica envolvendo os conceitos e práticas da Educomunicação realizada pela Professora Elza Dias Pacheco, a qual nos possibilitou uma aproximação mais empírica com esse novo campo de intervenção social denominado Educomunicação.

Resultados

Verificou-se que Paulo Freire já prenunciava a necessidade de se repensar as práticas pedagógicas tendo como problemática a realidade social cada vez mais afetada pelas tecnologias da comunicação e informação.
Fica evidente que o “educar para a autonomia” é uma arte que requer alguns procedimentos pedagógicos específicos. De acordo com Freire, cabe a esta “pedagogia da autonomia” conduzir o educando através de práticas reflexivas as quais contemplem o sujeito e a complexidade de sua realidade. Como percebemos, trata-se também agora de uma realidade construída e mediada pelos processos midiáticos.
Reforça-se a impossibilidade de se continuar concebendo distanciamentos reflexivos e práticos entre os campos da Educação e da Comunicação. Como sugestão para continuidades e aprofundamentos, apresenta-se o campo da Educomunicação, sendo este também um espaço de potencialidades e de novas construções.


Palavras-chave: Sujeito autônomo, Educação, Comunicação, Cultura Midiática, Educomunicação.

VERSÃO COMPLETA EM: j.educom@gmail.com