“Todas as coisas não comunicadas, que não foram nunca confiadas a ninguém, deixam de existir, pois não há para elas lugar permanente na realidade” Vera S. Telles.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Mutirão na Rádio Santa Tereza
Em 1963, Che era um dos principais dirigentes do governo cubano, Ministro das Indústrias, viajava pelo mundo, representava seu povo e apertava a mão de presidentes. Mas, voltando a Cuba, colhia cana. Para ele, era uma forma de estimular os demais cubanos a também se dedicarem ao trabalho voluntário, uma das principais características do “homem novo”, um dos conceitos formulados por ele, que advogava a necessidade de criarmos uma nova dimensão para as relações entre os homens, baseadas na solidariedade e na justiça social
Neste sábado, vamos resgatar esta prática construindo o estúdio da futura Rádio Comunitária do Morro Santa Teresa. A concentração será às 13h em frente à Prefeitura Municipal. De lá pegaremos o ônibus Santa Teresa. Qualquer dúvida entre em contato com 9938-7862 / 91663354
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Problematizando a noção de Sujeito reflexivo de Anthony Giddens
O lugar, bem como as condições e limites do sujeito, é assunto recorrente e quase sempre polêmico em praticamente todas as teorias sociais contemporâneas. A centralidade da discussão sobre a modernidade feita por Giddens é ancorada em vários pontos, mas, sobretudo, a partir da noção de reflexividade dos agentes. Há uma tentativa de resgate do sujeito ativo, sendo ele indispensável para a construção positiva da modernidade. Ou seja, Giddens critica o sujeito estruturado e/ou subjetivo e parte para uma tentativa de resgate do sujeito através de reflexividade.
Segundo o autor, a noção de Reflexividade é inata ao sujeito, elevando, assim, tal noção ao status ontológico, sendo ela indispensável para o desenvolvimento não apenas das relações, mas de todos demais os sistemas sociais que o cercam. Em Giddens, muito mais que em Bourdieu, o sujeito reflexivo não estaria submetido a regras determinadas por alguma estrutura ou campo. No entanto,... continuação com j.educom@gmail.com
terça-feira, 31 de maio de 2011
Minicom publica a lista dos políticos donos de rádio e TVs no país
Já estão disponíveis no portal do Ministério das Comunicações os dados das outorgas de radio e teledifusão no Brasil. É a caixa-preta das telecomunicações que aos poucos vai sendo aberta.
http://www.mc.gov.br/radiodifusao/dados-de-outorga
sábado, 28 de maio de 2011
Sobrevivente do massacre de Corumbiara é morto em RO
Adelino Ramos, conhecido como Dinho, sobrevivente do Massacre de Corumbiara, ocorrido em agosto de 1995, foi assassinado nesta sexta-feira (27), por volta das 10h, em Vista Alegre do Abunã, na região da Ponta de Abunã, município de Porto Velho (RO)
Ele foi morto enquanto vendia as verduras produzidas no acampamento onde vivia. Ele foi morto por um motoqueiro, próximo ao carro da família onde estavam sua esposa e duas filhas.
Dinho vinha denunciando a ação de madeireiros na região da fronteira entre os estados de Acre, Amazônia e Rondônia. Ele e um grupo de trabalhadores reivindicavam uma área nessa região para a criação de um assentamento.
No início desse mês, o Ibama iniciou uma operação no local, onde apreendeu madeira e cabeças de gado que estavam em áreas de preservação. Segundo a CPT na região, isso leva a crer que esse tenha sido o motivo de sua morte.
Dinho vinha sendo ameaçado há anos e em reunião realizada em julho do ano passado em Manaus (AM), com o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, denunciou as ameaças contra sua vida e o risco que corria. Dinho foi líder do Movimento Camponês de Corumbiara.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Sob ordem do agronegócio, Câmara aprova devastação do Código Florestal
A Câmara dos Deputados decidiu hoje que o Brasil não deve ser o país do futuro. Por 410 votos a favor e apenas 63 contra, os deputados aprovaram mudanças no Código Florestal brasileiro que comprometem a biodiversidade do país e a sustentabilidade da agricultura brasileira. “O Brasil acordou hoje com a notícia do assassinato de um defensor da floresta amazônica”, disse Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace, homenageando José Claudio Silva, líder seringueiro morto na véspera da votação na Câmara por madeireiros no Pará. “E foi dormir com a notícia de que a maioria dos nossos deputados aprova o assassinato de nossas florestas”.
Para virar lei, o texto votado na Câmara ainda precisa passar pelo crivo do Senado. Lá, quem sabe, os senadores evitarão repetir os vexames cometidos pelos deputados federais ao longo do processo que terminou com a votaçāo de hoje à noite. Desde o começo dos trabalhos de revisāo do Código, capitaneados pelo autor do projeto de mudança, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), os parlamentares escolheram um lado da questão. E o pior dos lados, o do agronegócio que desmata e abusa dos nossos recursos naturais. Cientistas e proponentes da agricultura moderna, que não mistura produção com desmatamento, mal foram ouvidos debaixo da cacofonia do interesses rurais atrasados que sequestraram a pauta ambiental do país no Congresso Nacional.
O projeto que passou na Câmara produziu o milagre de transformar uma legislação escrita para defender as florestas brasileiras em lei de incentivo à expansão desenfreada da agricultura e da pecuária. Ele premia o desmatamento, propondo a anistia a desmatadores, e incentiva a expansão sobre o que resta ao Brasil de matas nativas, reduzindo as exigências para que fazendas mantenham um percentual de seus terrenos com vegetação original e enfraquecendo a capacidade do governo central de gerir o patrimônio ambiental brasileiro.
Além de ameaçar a biodiversidade e a produtividade agrícola brasileira, comprometendo a qualidade dos recursos naturais que ela precisa para garantir sua capacidade de produção, o projeto de mudança da legislação florestal trará impactos negativos à diplomacia e economia do país. O texto aprovado pelos deputados federais tem consequência direta nos acordos feitos por grandes corporações consumidoras de produtos agrícolas brasileiros para livrar suas cadeias de custódia da mancha do desmatamento.
Ele também põe em dúvida a capacidade do Brasil de manter seus compromissos de redução de emissões de gases do efeito-estufa assumidos durante a conferência do clima de Copenhague, em dezembro de 2009. O desmatamento é o principal responsável pela posição de destaque do Brasil no ranking dos países que mais contribuem para o aquecimento global (é o quinto maior emissor de gases-estufa). E depois de uma tendência de queda das taxas de derrubada na Amazônia nos últimos cinco anos, ele voltou a subir na região.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgou na semana passada que o desmatamento na Amazônia em abril havia sido 570% maior do que o registrado no mesmo mês do ano passado. “Há uma clara corrida pelo desmatamento incentivada pelas modificações efetuadas no código”, diz Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace. “Quem está em campo sabe que essa explosão do desmatamento não é comum nessa época. A devastação geralmente começa no período da seca.”
A votação na Câmara Federal joga os holofotes da questão ambiental no Brasil para cima da presidente Dilma Roussef. Ela prometeu, durante a campanha eleitoral no ano passado, que vetaria qualquer legislação que implicasse em aumento do desmatamento ou anistia a desmatadores. Também assegurou que não recuaria do compromisso assumido pelo seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80%. Mas seu governo praticamente lavou as māos em relação ao que aconteceu na Câmara.
A decisão dos deputados de atropelar os compromissos do governo federal colocam em questão a credibilidade do país para sediar, no ano que vem, a Rio + 20. “A capacidade do Brasil de liderar uma ação global contra o desmatamento e as mudanças climáticas está sob sérias dúvidas”, diz Adario. “Se Dilma não agir para influenciar as decisões do Congresso no sentido de manter a proteção à nossa biodiversidade, seu governo terá sucumbido aos interesses do agronegócio, comprometendo a posição internacional do país”.
domingo, 15 de maio de 2011
Chapecoense derruba previsão da RBS-SC
Chapecoense derrubou a opinião dos que se autodenominam os gurus do esporte catarinense.
A soberania do Grupo RBS foi ferida neste último final de semana. O franco atirador: Chapecoense, time do oeste e campeão catarinense 2011. Considerada o deus Hermes por muitos sulistas – o deus mensageiro dos demais deuses - o referido grupo multimidiático passou batido e nem de raspão emplacou as previsões feitas no início e durante o campeonato estadual.
Seus jornalistas, radialistas e palpiteiros esportivos anunciavam, desde Floripa, que o título dificilmente escaparia do litoral. Tiro pela culatra. Na teletransmissão da grande final, o comentarista do grupo Sirotsky deixou escapar várias expressões: "poucos esperavam esse resultado"; "o futebol do oeste surpreendeu", “as previsões não apontavam nessa direção”.
Isso nos dá margem para questionarmos a credibilidade de uma rede de comunicação que, discursivamente, diz-se catarinense, mas que na prática não se sustenta. A sua falta de pontaria nos palpites esportivos é revelador de outro problema: a prática jornalística distante dos contextos, que ocasiona a disseminação de informações atropeladas e pouco investigativas.
Exemplos são encontrados facilmente. Basta folhearmos as páginas do Diário Catarinense para encontrarmos a superioridade de matérias sobre o litoral em detrimento das outras regiões do estado. Diário Catarinense? A título de ilustração, o referido grupo midiático também é proprietário do Jornal de Santa Catarina, que, na realidade, é o jornal de Blumenau. Como morador do meio-oeste, jamais encontrei, se quer, um “Jornal de Santa Catarina” circulando pela minha cidade. Santa Catarina é, geograficamente, um dos menores estados do país e poderá ficar ainda menor se os jornais do grupo RBS não ampliarem a sua prática jornalística às demais regiões do estado.
Não dá para generalizar. O extremo e o meio-oeste aparecem lá pelas tantas; em matérias miúdas; nas páginas policiais; quando a divisão do prêmio da mega-sena vai parar na delegacia; quando OVNIS são flagrados sobrevoando a região; etc. na mesma direção, a região serrana é capa de jornal quando a festa do pinhão se aproxima ou quando os termômetros de Lages ganham dos de São Joaquim ou dos da Serra Gaúcha. As regiões oeste e meio-catarinense são para a RBS eventos fora de época ou visíveis apenas quando algo de inesperado por ali acontece.
Por um momento, até achei que este argumento estaria superado. Na semana que antecedeu o dia das mães, deparei-me com uma considerável reportagem sobre a região meio oeste. Miragem. Nada de novo, pois o teor da cuja reportagem versava sobre o grande índice de mortes ocorridas nas rodovias de Lebom Régis e Joaçaba.
Mortes, polícia, acidentes, enchentes e, logo mais com a estiagem, novos retratos cumprirão a obrigação de se falar da outra ponta do Estado. Não dá para se generalizar, pois, de vez em quando, alguma notícia menos negativa é veiculada. Mas em comparação com totalidade, a mesma se torna exceção que apenas confirma a regra: o oeste e o meio oeste catarinense são matéria prima de segunda, necessária para esquentar o investimento publicitário de algumas empresas.
Antigamente havia certo contraponto feito pelo jornal À Noticia. Mas, quando se tornou ameaça comercial para os cofres da grande rede, logo foi comprado, tornando-se, hoje, o filhinho pródigo da grande rede. O mesmo ocorreu com a extinta TV Catarinense, que acabou abaixando a antena, tornando-se mais uma sucursal da bendita rede. Ou seja, mais uma sucursal que pouco infere na cobertura final, pois as pautas são definidas pela central lageana e supervisionadas pela equipe jornalística lá do litoral.
Tudo bem, até poderemos usar o argumento de que a RBS possui sucursais em Chapecó e em Lages, mas o que há de ser questionado é o grau de representatividade ou de qualidade dos conteúdos produzidos em detrimento das gerencias editoriais que se localizam desde a grande mãe Rede Globo, o grande pai RBS-Porto Alegre e a filha bastarda RBS-Florianópolis. Ou seja, nesse processo mais ou menos vertical, a produção informacional local fica comprometida e descaracterizada. Qual o programa local realizado pelas sucursais do interior do Estado? Programa Patrola de Poa/Floripa? Galpão Crioulo da família Fagundes e de seus convidados?
Enfim, parabéns ao time da Chapecoense, que forçou a hegemonia da baita rede; esverdeou as páginas dos seus jornais na segunda-feira e derrubou a opinião dos que se autodenominam os gurus do esporte catarinense. Mas para isso precisou ser campeão; ser extraordinário, caso contrário, nada seria para a rotina produtiva de uma rede que se diz catarinense.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
GRUPO RBS e Grizotti são condenados por informações inexatas
Ação envolve publicação de matérias sobre uma rádio comunitária
O repórter Giovani Grizotti, a RBS TV Porto Alegre e a Zero Hora Editora Jornalística foram condenados a pagar R$ 15 mil de indenização ao Conselho Cultural e Artístico Pedras Brancas (de Guaíba-RS) e a seu dirigente Walter Luis Lopes, por publicarem matérias com informações inexatas sobre uma rádio comunitária. Conforme divulgado no site Espaço Vital, a sentença foi dada pelo juiz Giovanni Conti, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, na última semana. Ainda cabem recursos de apelação ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS).
Em 2007, os réus publicaram nas mídias impressa e televisiva reportagens informando que o empreendimento Rádio Jovem Comunitária de Guaíba era uma rádio pirata. Segundo o processo, foi mencionado nas publicações que as atividades de trabalho de Walter Luis Lopes teriam ligações com atividades criminosas. Conforme os denunciantes, "o segundo autor detinha pedido de licenciamento junto à Anatel desde o ano de 2001, sendo que, na época da reportagem, a rádio sequer estava funcionando". Eles reforçaram que "são falsas as afirmativas, uma vez que os autores não emitiam ondas sonoras impróprias, como foi dito nas reportagens".
A contestação dos réus sustentou que as matérias "limitaram-se a noticiar um acontecimento verídico: existência de rádios ilegais que interferem na comunicação entre pilotos e torres de controle de aeroportos brasileiros e o fechamento de transmissora clandestina em Guaíba, pela Anatel". Ainda foi afirmado que "as reportagens foram feitas a partir de informações prestadas pela Anatel e pela Polícia Federal".
Na sentença, o juiz Conti dispôs que "os autores da ação lograram êxito em comprovar que tinham um processo no Ministério das Comunicações de pedido de licenciamento para regularizar a execução de serviço de radiofusão comunitária em Guaíba”. Conforme Conti, no momento da reportagem, os equipamentos da rádio estavam lacrados, devido à espera da autorização oficial e, não pela alegação de que a frequência utilizada pela rádio prejudicava a comunicação entre pilotos de aviões e controladores de voo do Aeroporto Salgado Filh. O magistrado também ressaltou que a liberdade de imprensa quando exercida abusivamente, "haverá de ocasionar a necessidade de reparação no âmbito da responsabilidade civil".
A sentença também condena a emissora de televisão e o jornal "a retratarem os danos, no mesmo jornal ou periódico, no mesmo local, com os mesmos caracteres e sob a mesma epígrafe; ou na mesma estação e programa ou horário".
terça-feira, 26 de abril de 2011
CHERNOBYL, 25 ANOS: Mortes podem chegar a 100 mil
A dimensão da tragédia é maior do que assistimos ou imaginamos.
O dia 26 de abril de 1986 será lembrado para sempre. Passados 25 anos, Chernobyl é o pior acidente nuclear registrado na história da humanidade, pois as consequências, além das inúmeras vidas ceifadas naquele momento, também se prolongam na vida dos sobreviventes. Muitos deles continuam sobrevivendo em condições subumanas, convivendo com doenças e demais problemas causados pela irradiação nuclear.
Não há dúvida de que esta data condenou para sempre a vida daquele povo. Cientistas afirmam que as consequências da explosão poderiam ser menores se as autoridades não tivessem demorado tanto em avisar a população para que deixasse o local. Além disso, um exército de operários, sem equipamento apropriado, passou seis meses construindo uma estrutura de isolamento sobre o reator. Nenhum trabalhador sobreviveu.
É difícil de imaginar que as invenções humanas possam trazer consequências para uma vida inteira, destruindo e causando dor mesmo depois de 25 anos de seu ocorrido. A dimensão da tragédia é maior do que assistimos ou imaginamos. Ela devastou, além de corpos, os sonhos do povo ucraniano de maneira irreversível e cruel. Os doentes, vítimas da irresponsabilidade das autoridades, carregam em si a marca da destruição radioativa que se torna o estigma de um dia que jamais terminou.
O tamanho real da tragédia
Um estudo realizado pelo Greenpeace aponta que as mortes ocorridas nesse desastre, na Ucrânia, na Belarus e na Rússia, chegam a 100 mil. No entanto, autoridades locais ainda manipulam os dados ao insistirem que o número de vítimas não ultrapassou a marca de 15 mil pessoas. No mês em que se completam os 25 anos do desastre, o cenário nos arredores da usina nuclear é horrível. Não há vegetação ou qualquer possibilidade de sobrevivência humana, animal e vegetal.
O relatório "As consequências na saúde humana da catástrofe de Chernobyl" revela que nos últimos 15 anos 60 mil pessoas já morreram na Rússia. Este mesmo relatório ainda evidencia que a radiação é responsável pelo aumento do número de casos de câncer, de doenças cardiovasculares e de afecções nos sistemas imunológico e endócrino que têm ocasionado aumento da taxa de envelhecimento populacional. Ocorreu também o aumento do número de malformações fetais, mutações cromossômicas e doenças psicológicas. Outros efeitos drásticos ainda afetam a economia local. Mais de 300 mil famílias perderam suas terras ou foram remanejadas para áreas improdutivas.
Não é novidade que a imprensa local, subsidiada por multinacionais interessadas na reativação de novos reatores, tenta esconder os fatos, sobretudo os de que, mesmo após 25 anos do desastre, a presença da radioatividade nuclear na usina está 10 vezes acima do permitido. A desinformação é, segundo relatórios científicos, um dos fatos que contribuem para o agravamento da situação.
Pesadelo criado pelo homem
A catástrofe ocorrida em Chernobyl chocou o mundo e colocou em pauta a questão do perigo das usinas nucleares: a irresponsável ambição humana construiu o que destrói milhares de vidas em apenas algumas horas. Porém, depois de Chernobyl continuaram a investir em usinas nucleares mesmo sabendo dos graves riscos às pessoas. O acidente nuclear destrói vidas, sonhos e transforma tudo em um pesadelo sem fim. O perigo representado pelas usinas nucleares e o risco de contaminação por meio da radiação é grande. Então, qual é objetivo de se investir algo tão destrutivo?
Neste ano, podemos conferir mais um caso desastroso de acidente na usina nuclear de Fukushima, Tokyo Eletric Power (Tepco) no Japão, que resultou em 13.590 mil mortos e 14.447 desaparecidos. Embora este desastre com a operadora nuclear não tenha a mesma proporção de destruição de Chernobyl, acabou despertando a "radiofobia" (medo de ser contaminado por material radioativo) no mundo inteiro. Devido às emissões radioativas, milhares de famílias japonesas tiveram de deixar suas casas. Nem a água potável sobrou, evidenciando o quanto é frágil e perigosa a estrutura de uma operadora nuclear.
O homem é um ser criativo. Constrói milhares de coisas, mas a ambição e a ganância por dinheiro e sucesso individual ocasionam efeitos diretamente devastadores na vida de outras pessoas. Chernobyl e Fukushima deixam um desastroso legado à humanidade: recém-nascidos deformados, proliferação de doenças terríveis e outras somas de dor sem fim. Não há sentimento ou atitude política e econômica capaz de reparar as vidas perdidas. Esta data também serve pra relembrarmos o quanto é ínfimo e limitado o poder humano. É o resultado de um egoísmo cruel, que levou milhares de vidas em troca da acumulação de riqueza. O dia 26 de abril de 2011 marca os 25 anos de um pesadelo criado pelo homem. Pesadelo pensado e mantido por uma inconsequência que ignorou as vidas que estão ao seu lado. A chama devastadora de Chernobyl permanece na lembrança e aprisiona consigo a vida e a morte de suas vítimas.
Por Éderson Silva e Joel Felipe Guindani. Publicado em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=639JDB010
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O lugar do sujeito-ação nas reflexões de Pierre Bourdieu
Remonta aos pré-socráticos a discussão sobre lugar do sujeito no mundo. Para Parmênides (492 a.C), o sujeito é o centro e decide sobre o sentido do mundo, quer dizer, “o homem é a medida de todas as coisas” e a ele cabe a ação de revelar aquilo que o cerca. Do outro lado está Heráclito (470 a.C), para o qual a constituição do sujeito e do mundo está sempre em movimento e em relação, pois nada pode existir sem o seu outro. Ou seja, nada existiria se não existisse, ao mesmo tempo, o seu oposto. Heráclito desenvolve sua teoria em oposição a Parmênides (460 a.C), o qual defende a unidade do mundo e do Ser. Parmênides exclui qualquer realidade externa à constituição do Ser, pois, delegar a origem do Ser para algo fora si implicaria na aceitação da existência de outro Ser.
Este retorno aos pré-socráticos nos ajuda a compreender que a reflexão sobre a noção de sujeito é antiga e nada simples. Assim, este breve ensaio reflete sobre o lugar do sujeito-ação no pensamento de Pierre Bourdieu, sobretudo, a partir de algumas noções por ele desenvolvidas, como as de campo, habitus, jogo, capitais, poder simbólico e distinção.
Alguns questionamentos são centrais para a compreensão desse problema: Em que medida a ação do sujeito está mais relacionada à estrutura do que consigo mesmo? A ação do sujeito é estabelecida pela estrutura ou motivada por definições próprias? O sujeito está submetido ao destino do coletivo ou age enquanto entidade unificada e independente?
Versão completa com: j.educom@gmail.com
sábado, 16 de abril de 2011
RÁDIO VOZ DA TERRA NO AR
Aos que ainda lutam, eis a conquista e recompensa!!! Improvisada no recanto da casa de um comunicador, a Rádio Voz da Terra FM é a mais nova emissora que rompe com as cercas da comunicação. Localizada na região centro oeste de Santa Catarina, a Voz da Terra ainda opera esporádicamente. Segundo um dos comunicadores, a programação deverá ser diária, principalmente quando a sede estiver construída. Ao lado de sua irmã Terra Livre FM, a Voz da Terra é a segunda rádio localizada em assentamentos do MST no estado catarinense.
terça-feira, 12 de abril de 2011
O sensacionalismo é a alma do negócio
O sensacionalismo é marca inevitável do jornalismo brasileiro? Não gostaríamos de generalizar, mas a resposta não se cala na quase totalidade dos veículos comerciais impressos, radiofônicos ou televisivos. É nesses espaços onde o fazer jornalístico exprime seus conteúdos ágeis e brandos, quase sempre motivados pela filosofia capitalista da “maior produção no menor tempo”. Esse jornalismo de revoada - produzido a partir de flanagens rápidas sob os fatos – também nos instiga a alguns questionamentos sobre a própria atuação do jornalista, que imerso na roda alucinante da produção quantitativa, muitas vezes obriga-se a sensacionalizar fatos em troca da estabilidade profissional. A grande parte das ações desse jornalista é comandada pelas regras comerciais do campo publicitário, onde a produção, a compra e a venda se aliam a um vasto público receptor que reclama, consome e descarta cada vez mais num tempo menor.
Para onde vai a possível alma do “fazer jornalismo-jornalista”? Eduardo Galeano em “O livro dos abraços” nos oferece boas pistas para esta questão:
“Me faz bem recordar uma lição de dignidade da arte que recebi há anos, num teatro de Assis, na Itália. Helena e eu tínhamos ido ver um espetáculo de pantomima, e não havia ninguém. Ela e eu éramos os únicos espectadores. Quando a luz se apagou, juntaram-se a nós o lanterninha e a mulher da bilheteria. E, no entanto, os atores, mais numerosos que o público, trabalharam naquela noite como se estivessem vivendo a glória de uma estréia com lotação esgotada. Fizeram sua tarefa entregando-se inteiros, com tudo, com alma e vida; e foi uma maravilha. Nossos aplausos ressoaram na solidão da sala. Nós aplaudimos até esfolar as mãos.”
Não há dúvida de que o sensacionalismo constitui boa parte da prática jornalístico-comercial contemporânea. Quer dizer, o fazer jornalístico é quase sempre precedido pela necessidade de sedução em massa. A estética, e não mais a política ou a cultura, é a isca utilizada para atrair e fisgar o receptor. O “caso do Realengo”, no Rio de Janeiro é prova atualizada dessa prática jornalística. Primeiro a notícia – nada mais do que necessária -, mas depois as estratégias de retransmissão e reconstrução do fato a partir das táticas sensacionalistas. Por exemplo, no segundo dia de cobertura do acontecimento, a pergunta mais utilizada pelos repórteres foi: “Como mãe de uma das vítimas, qual é o seu sentimento”? Ou seja, nada de espaço para o debate político, sociológico e até mesmo econômico da questão. Para esse fazer jornalístico, os contextos do crime dizem respeito apenas ao fato, ao sujeito, ao número de balas utilizadas. Quer dizer, nada de conteúdo que articule tais particularidades a uma estrutura de sociedade, que exige dos sujeitos a competitividade, a distinção, o poder a partir da aniquilação do outro.
Esse jornalismo da sedução, do “fazer por fazer”, que condiz com o hábito de produzir em troca de audiência ou do patrocínio também compromete o seu precioso argumento: "a imprensa apenas reproduz fatos; apenas os relata de maneira imparcial.” Quer dizer, prova contrária a esse mandamento do jornalismo factual é a onda sensacionalista que permeia o chamado novo jornalismo, o da emoção contínua, das construções descontextualizadas e das reportagens requentadas - como foi a do jornal gaúcho Zero Hora sobre o MST -; das produções com a câmera escondida ou através de outras desonestas habilidades.
O sensacionalismo toma conta?
Não dá para duvidar. O jornalismo comercial, valendo-se do sensacionalismo produz o preconceito, a desinformação e a intensificação do sofrimento, tanto das pessoas que serviram de matéria-prima à produção, como para os diversos receptores que a consumiram. Assim, quem sofre mais com o sensacionalismo, o jornalismo, o receptor ou suas vítimas mediatizadas?
Todos pagam o preço?
Em grande medida, o jornalismo sensacionalista induz a prática de novos crimes, pois ao hiper-escancarar a face do criminoso e do episódio, também banaliza os fenômenos da criminalidade. Aparecer no Jornal Nacional por mais de 15 minutos – ou até mesmo em edições inteiras - é para poucos, alegram-se traficantes e demais políticos, que fazem desse jornalismo espaço de projeção e de reconhecimento social. O jornalismo sensacionalista tem contribuído com o agravamento das situações relacionadas ao mundo do crime?
Dentre inúmeros exemplos, o caso de suicídio da atriz Leila Lopes é revelador. A fatalidade foi publicada até pelo avesso. Ou seja, até mesmo as versões de o que seria dela sem ter cometido suicídio foram matéria para uma edição inteira do “Mais você”, apresentado em alto astral por Ana Maria Braga. Outras reportagens sobre o caso Leila Lopes foram a fundo, explicitando as fotos do frasco de veneno, o nome do veneno, a carta de despedida por ela deixada, as simulações do ato, dentre inúmeras outras encenações ou dramaturgias possíveis.
Seria possível pensar o jornalismo como uma prática imune à (re)produção desses horríveis episódios? Será apenas idealização a possibilidade de um jornalismo que informe sem agredir ninguém? Cremos que essa possibilidade se afasta enquanto o jornalismo for simplesmente uma prática guiada pela guerra por audiência ou pela lei das vendagens ilimitadas. Vale à pena subsumir uma possível ética existente em detrimento da conquista de audiências massivas e lucrativas?
Não poderíamos deixar de fora o jornalismo comercial que produz o sensacionalismo ao se pretender popular, como aquele que incorpora o hábito da voz alternativa e, tal como manda o figurino, atua como representante do povo, autodenominando-se o pai dos desvalidos. Mas nos bastidores se enriquece nas costas da desgraça e do sofrimento alheio. É assim que o jornalismo sensacionalista vende a sua verdade ilusória, especialmente quando se diz a salvação ou o porta-voz de todos os problemas sociais.
No Rio Grande do Sul, a última feita do Jornal Zero Hora, do Grupo RBS/Globo, foi emitir juízos sobre a questão da Reforma agrária. Trata-se de uma reportagem dominical, muito bem colorida e ilustrada, mas superficial em conteúdo. Sua base argumentativa é branda, apresentando dados quantitativos questionáveis, regionalizados e descontextualizados de outros fatores que compõe o complexo e histórico problema Agrário. Tal reportagem, embalada pela agenda do Abril Vermelho, é a prova de um jornalismo nada criativo; que sobrevive de pautas requentadas; que sensacionaliza vidas marginalizadas e que de alma ou de sensibilidade pouco possui ou nada entende.
Co-autoria de Éderson Silva - Graduando em Jornalismo na Unisinos
quarta-feira, 6 de abril de 2011
I Fórum da Igualdade
A CUT-RS e a Coordenação dos Movimentos Sociais do Rio Grande do Sul realizarão o “I Fórum da Igualdade: uma outra comunicação é necessária” nos dias 11 e 12 de abril de 2011, no Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa/RS. Nesta primeira edição, o Fórum da Igualdade debaterá a democratização dos meios de comunicação e o marco regulatório. O evento tem como objetivo ser um contraponto ao Fórum da Liberdade.
A democratização da comunicação, a liberdade de expressão e o fim do monopólio dos meios de comunicação no Brasil serão temas a serem debatidos pelos painelistas. Além disso, serão discutidos temas como o marco regulatório para o setor de comunicação no país e a implantação dos Conselhos Estaduais de Comunicação.
Para a CUT-RS é urgente a atualização da legislação para assegurar a liberdade de expressão e a democratização do direito à comunicação. Segundo o presidente da CUT, Celso Woyciechowski, “Estamos muito atrasados nos aspectos da comunicação no Brasil. Temos uma legislação que data de 1962. Desde então, ocorreram profundas transformações no campo das comunicações no Brasil e no mundo e não podemos mais permanecer assim”.
A partir de uma nova legislação, construiremos um projeto de lei que tramite pelo Congresso Nacional, seguindo todas as instâncias legítimas e democráticas que a sociedade brasileira acata e respeita. Regulação representa desenvolvimento, informação, igualdade a diversidade regional e respeito às minorias. Para tanto, a Central Única dos Trabalhadores está convidando painelistas e debatedores de renome nacional e internacional para contribuir com o debate proposto nesta primeira edição.
Confira a programação:
http://www.forumdaigualdade.org.br/
domingo, 3 de abril de 2011
A cidadania comunicativa na escola: um estudo do projeto Alunos em Rede - Mídias Escolares
Resumo: Este artigo objetiva problematizar/compreender as formas de construção e exercício da cidadania comunicativa a partir das práticas comunicacionais, sobretudo a de rádio-escola. Trata-se de um estudo empírico sobre o projeto “Alunos em Rede - Mídias Escolares” - protagonizado por alunos(as) do ensino fundamental do município de Porto Alegre (RS). A partir da reflexão sobre a relação comunicação, cidadania e educação, o estudo identificou que a noção cidadania comunicativa é constituída na medida em que se concretizam e se ampliam as possibilidades de acesso, de apropriação e dos usos das tecnologias, de maneira especial a radiofônica; da mediação dos poderes municipal legislativo e executivo; das dinâmicas pedagógicas subsidiadas pela colaboração solidária entre professores e alunos(as) e dos espaços de produção e de veiculação dos conteúdos produzidos.
PALAVRAS-CHAVE: Cidadania; Comunicação; Educação;
Artigo submetido ao Intercom regional Sul
Autores: Joel F. Guindani, Franciele Zarpelon e Valdir J. Morigi
Versão completa com: j.educom@gmail.com
quinta-feira, 31 de março de 2011
Diante da concentração dos meios de comunicação, o que nos resta? Meter a mão
Sábado (2/4) será um dia muito especial. Neste dia iniciará a construção (literalmente!) de uma rádio comunitária. Essa rádio, que ainda não foi batizada, será no Morro Santa Teresa. Queremos te convidar para ajudar nesta empreitada. Primeiramente, carregaremos os materiais da rua para o terreno, em seguida começaremos a construir uma ideia de rádio comunitária. Para a segunda parte, contaremos com o auxílio de Beliza Lopes (comunicadora da Rádio Comunitária de Encruzilhada do Sul) e Doraci Engel (comunicador da Rádio Ipanema Comunitária), ambos ligados à Abraço (Associação Brasileira das Rádios Comunitárias).
Atenção: se chover o mutirão será cancelado e o debate iniciará às 14h. Pedimos que confirmem presença.
terça-feira, 29 de março de 2011
Ciro Marcondes Filho ministra aula inaugural na Unisinos
Com um discurso objetivo e ideias construídas a partir de esclarecimentos conceituais sobre a comunicação, o professor Doutor Ciro Marcondes Filho, da Universidade de São Paulo, escrutinou o ano letivo do Programa de Pós-Graduação em Ciências da comunicação da Unisinos com a tese de que "a comunicação não é uma ciência aplicada". Seus argumentos explanaram que a pesquisa em comunicação realizada no Brasil é pouco reconhecida no exterior. Isso, para Marcondes Filho, deve-se a dois fatores. O primeiro é o desconhecimento dos pesquisadores estrangeiros sobre os trabalhos desenvolvidos em nosso país e o segundo é a falta de originalidade investigativa dos pesquisadores brasileiros.
A falta de originalidade amarra-se, em seu discursos, na incapacidade da pesquisa em comunicação brasileira romper com os paradigmas consagrados, sobretudo, com os métodos investigativos, que segundo ele, contaminam a natureza fenomenológica do objeto. "Devemos seguir o objeto, observá-lo e registrá-lo, dizer o que você viu, sem a preocupação de dar respostas ou de dizer o que se deve ou não se deve no modo de abordá-lo". Destaca.
Ao final, Marcondes revela seu guia investigativo fenomenológico: o Metaporos. Não sendo um método, como o usualmente construído e utilizado pelas ciências tradicionais, o Metaporos está aberto às definições do movimento objetal e não se incumbe de síntese ou de uma narrativa que cerque ou impossibilite a sua livre manifestação e apreensão.
Essas afirmações provocaram um rico debate de consensos e de insatisfações. Como o campo da comunicação terá legitimidade social e científica se ele inutilizar a matriz histórico-geradora e organizativa de todas as ciências que é o método?
A falta de originalidade amarra-se, em seu discursos, na incapacidade da pesquisa em comunicação brasileira romper com os paradigmas consagrados, sobretudo, com os métodos investigativos, que segundo ele, contaminam a natureza fenomenológica do objeto. "Devemos seguir o objeto, observá-lo e registrá-lo, dizer o que você viu, sem a preocupação de dar respostas ou de dizer o que se deve ou não se deve no modo de abordá-lo". Destaca.
Ao final, Marcondes revela seu guia investigativo fenomenológico: o Metaporos. Não sendo um método, como o usualmente construído e utilizado pelas ciências tradicionais, o Metaporos está aberto às definições do movimento objetal e não se incumbe de síntese ou de uma narrativa que cerque ou impossibilite a sua livre manifestação e apreensão.
Essas afirmações provocaram um rico debate de consensos e de insatisfações. Como o campo da comunicação terá legitimidade social e científica se ele inutilizar a matriz histórico-geradora e organizativa de todas as ciências que é o método?
quinta-feira, 17 de março de 2011
OS PROCESSOS COMUNICACIONAIS NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA DOS QUILOMBOLAS
Resumo: O artigo parte do princípio de que os processos comunicacionais são fundamentais para a construção e ampliação da cidadania como forma de emancipação social. Identifica os processos comunicacionais na comunidade quilombola, analisando como eles realizam a construção da cidadania junto às manifestações socioculturais locais. O estudo foi realizado em 2010 na comunidade rural Campina de Pedra, localizada no município de Poconé, Mato Grosso. Através de entrevistas e de observação participante com os remanescentes do quilombo foi possível perceber os processos comunicacionais na constituição da cidadania enquanto práticas da vida coletiva, que envolvem o reconhecimento da identidade do grupo, a participação comunitária, o fortalecimento de diversas experiências que preservam as tradições e que fazem avançar ações emancipadoras mediante as novas formas de regulação social.
Palavras-Chave: Cidadania 1. Processos comunicacionais 2. Quilombola 3.
Por: Joel F. Guindani; Cristóvão D. de Almeida; Valdir J. Morigi
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
E O RÁDIO? Novos horizontes midiáticos
E o rádio? Novos horizonte midiáticos, organizado pelos professores Luiz Artur Ferraretto e Luciano Klöckner, é mais um fruto do interesse manifesto do grupo pelos estudos sobre esse meio de comunicação fascinante. Há contribuições de 11 estados, mais o Distrito Federal, que abrangem um conjunto de assuntos agrupados neste volume em oito seções temáticas: a primeira é sobre história e a última trata do futuro, das tendências, da geração digital. No meio desses dois vértices estão artigos sobre ensino, emissoras e ouvintes, criatividade sonora, publicidade e programas.
São relatos de pesquisa ou textos motivados pela própria publicação, sempre conduzidos por um ponto em comum: o entendimento da característica plural do rádio. E, também da sua onipresença que o faz mais atual do que nunca, como atesta a sua versão na web e nos celulares. Como diz Castells (2007:395), “a tecnologia de comunicação móvel tem poderosos efeitos sociais ao generalizar e aprofundar a lógica em rede que define a experiência humana do nosso tempo”. Este livro comprova a peculiaridade do rádio que, democrático na sua origem, influencia gerações de pesquisadores que contribuem para o progresso do próprio campo científico.
Doris Fagundes Haussen (PUCRS) e Sonia Virgínia Moreira (UERJ)
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A história da Comunicação popular e alternativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Resumo: O artigo resgata o trajeto histórico da comunicação popular e alternativa desenvolvida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao longo dos seus 27 anos. Propõe formas de abordagem sobre o fenômeno, identificando suas possibilidades mediante as novas ofensivas da comunicação hegemônica. Primeiro, realiza-se uma delimitação teórica sobre a noção de comunicação popular e alternativa, relacionando-a como ação contra-hegemônica. Num segundo momento, articula-se tal conceituação com a experiência comunicacional protagonizada pelo Setor de Comunicação do MST, que é plural e não se limita apenas a algumas mídias - como rádios, jornais, revista, audiovisual, editora, portal na internet, Twiter -, mas, também, com outras experiências, como: simbólico-icônica, gritos de ordem, celebrações culturais, marchas, festivais de música e poesia, assessoria de imprensa, cursos formativos e documentos sobre comunicação. O estudo foi realizado nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2011 e contou com análise documental, pesquisa participante, entrevistas com lideranças, agricultores assentados e militantes.
Palavras-chave: História; Comunicação popular e alternativa; Movimento Sem Terra; Hegemonia.
Co-autoria de Solange Engelmann
Versão completa em: j.educom@gmail.com
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
“Sem comunicação não há democracia”

Entrevista com a Filósofa Marilena Chauí
Tatiana Merlino – Em 2006, a senhora ficou profundamente descontente com a postura da mídia durante o período eleitoral, e agora a imprensa teve novamente um comportamento bem complicado. A gente queria que a senhora começasse falando sobre a sua avaliação da cobertura da mídia nas eleições presidenciais.
Marilena Chauí – Eu diria que não houve cobertura. Houve a produção midiática da campanha eleitoral e das eleições. Cobertura significaria mostrar o que efetivamente estava se passando no primeiro turno com todos os candidatos e no segundo turno com os dois candidatos que restaram. E não foi isso que aconteceu. A candidata Dilma não teve em instante nenhum a sua campanha coberta pela mídia. Ela teve a sua campanha ou ignorada, ou deformada ou criminalizada. E do lado do candidato Serra, também não houve uma cobertura da campanha dele. Porque se tivesse havido uma cobertura da campanha dele, o que a mídia deveria ter mostrado? Essa coisa extraordinária que eu nunca vi acontecer em lugar nenhum de um candidato se autodestruir. Primeiro, o vice, ele não conseguiu escolher o vice e depois deu uma escolha que não foi feita por ele e insignificante. Em seguida, ele começa a campanha descendo a lenha no governo Lula, o qual, entretanto, numa pesquisa de opinião, tinha tido quase 90% de ótimo e bom, e, provavelmente, as pessoas que acompanhavam o programa do Serra, aquelas que opinam, devem ter dito que não era uma boa, aí ele passou a dizer que ia fazer o que o Lula estava fazendo, mas melhor. Aí, quando ele começou a explicar o que era melhor, começou a fazer propostas completamente alucinadas, foi uma alucinação que ele propôs. Bom, mas quando nós chegamos nesse ponto, você tem a entrada em cena do segundo turno. Ora, na hora que entra em cena o segundo turno, o que é que vem como uma avalanche? O famoso dossiê. O dossiê que foi atribuído ao PT, disseram que a Dilma tinha mandado fazer, que foi o famoso dossiê que o Aécio fez. Foi o dossiê que invadiu todos os planos da vida do Serra, e mais, atingiu diretamente a filha dele, que eles tinham dito que o PT que tinha violado a menina, a Verônica. Foi uma completa produção do Aécio, em Minas. Ora, isto que destruiria qualquer candidatura em qualquer tempo e lugar, o servilismo da mídia foi tal, que isto, ou não apareceu, ou apareceu em pequenas notícias e de uma maneira tão confusa que ninguém sabia do que se tratava. E, depois, quando entrou em cena o aborto, em primeiro lugar a mídia nunca disse que quem introduziu o tema do aborto foi a Marina, que fez um discurso conservador dos evangélicos para os evangélicos, introduziu os temas religiosos e o tema do aborto. Como ela não entra no segundo turno, o Serra se apropria desse tema. Ora, uma imprensa que está defendendo a liberdade de expressão, que está defendendo o espaço público, que está defendendo a opinião pública, está defendendo a liberdade de pensamento, como é que ela pode embarcar na entrada em cena como tema eleitoral de uma questão que pertence ao espaço privado, e é uma questão de religião, que é o aborto? A plena cobertura que foi dada a isso, contradizendo o próprio significado daquilo que a imprensa deveria de entender por coisa pública, espaço público, opinião pública e liberdade de pensamento e de expressão!
Bom, então, depois, no caso da Dilma, é mais interessante do que a não cobertura da campanha do Serra, porque no caso da Dilma, tentou-se primeiro a guerrilheira. É a guerrilheira, a guerrilheira... E eu tinha dito a uns amigos, este é um caminho perigoso. É um caminho perigoso, porque, em termos de história pessoal, é muito paralela à história do próprio Serra. Se você pega o comício dos cem mil, no Rio [de Janeiro], em 1961, o discurso mais radical do comício não foi o do Jango, não foi o do Brizola, não foi o do Julião, foi o do Serra como presidente da UNE. Ele fez o discurso afirmando... o núcleo do discurso do Serra em 1961 foi revolução armada. Então, eu dizia [é] um perigo, porque se eles enveredarem pela figura da Dilma guerrilheira, eles vão ter que dizer que o Serra pregou em 1961 para cem mil brasileiros a revolução armada.
Tatiana Merlino – A senhora acha que foi diferente essa cobertura da cobertura de 2006 e da cobertura de 1989? O que há de diferente?
M.C. – Eu acho que a diferença não é de natureza, a diferença é de grau. Eu diria que, desta vez, tudo aquilo que se realizou num grau um pouco menor, um pouco mais prudente, desta vez, o véu caiu de uma vez só e atingiu o grau máximo de procedimento. Então, eu diria, não é diferente se eu considerar o modo de proceder, mas é diferente se eu considerar o grau em que isto foi feito.
Versão completa em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=624JDB008
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
A arriscada missão de informar

A vida de Herzog é referência para a democracia e sua morte uma evidência dos limites e consequências da profissão.
O jornalismo é uma atividade onde o profissional deixa muito de si para a produção de boas matérias. Ou seja, trata-se de uma área que exige, incessantemente, certa doação e entrega deste profissional. Em nome do direito e do dever de informar a sociedade sobre os graves casos de homicídios, exploração sexual, tráfico de drogas, pedofilia e demais temas que constituem a realidade cotidiana, o jornalista investigativo, usando de sua especialidade – e, por vezes, auto-suficiência – ultrapassa alguns limites e cria certo abismo entre a profissão e a sua condição humana.
A rotina de um repórter é desafiadora, pois envolve investigação, escrita e reescrita, entrevistas, coleta de dados e a divulgação daquilo que ocorre em lugares de alto risco. Assim, o "tornar público" é apenas uma parte da atividade. Esta rotina, que envolve o contato com a dura realidade brasileira, choca-se com a condição humana do jornalista. Munidos de câmeras e demais equipamentos, muitos repórteres ocupam territórios dominados por poderes cruéis e ditatoriais, de traficantes de drogas, políticos corruptos e outros criminosos que em nada prezam pela vida. Para fazer esta mediação ou para cumprirem a missão de informar, alguns jornalistas doam-se em prol da causa social e em defesa dos mais fracos. Nesta atitude, colocam sobre si responsabilidades que excedem a tarefa jornalística.
Este comportamento ilustra-se no ditado: "O médico pensa que é Deus, o jornalista tem certeza." Nesta incessante busca por certeza, cremos que o profissional não pode colocar o jornalismo à frente de sua vida. O repórter deve seguir princípios guiados por uma reflexão do trabalho jornalístico, que é a incansável perseguição pela objetividade dos fatos. Mas, em contrapartida, existe sua condição humana, das relações familiares e do desejo de voltar para casa no final do dia.
O cinema e o jornalismo de investigação
O jornalista investigativo percorre a linha tênue do possível e da via perigosa. Tomado pelo direito de informar, muitas vezes vai ao encontro do abismo, como presa rumo ao predador. Seu conhecimento é pequeno em comparação ao arsenal vigilante mantido pelas organizações criminosas. Perdem-se grandes repórteres em nome do direito de informar sem medida. Não são poucos os exemplos de jornalistas agredidos, espancados, torturados e assassinados. São vidas jogadas fora para atender ambições individuais, políticas e corporativas, que muitas vezes destoam do interesse público ou da sua condição humana. O gaúcho Tim Lopes foi uma figura marcante nesta fascinante atividade de informar/denunciar os males e desvios sociais. Arriscou-se ao ir a uma favela para realizar reportagens sobre o tráfico de drogas e a exploração sexual de menores: foi descoberto e cruelmente morto.
Esta tragédia colocou em pauta a seguinte questão: até aonde o jornalista deve se arriscar para informar?
No filme Tropa de Elite II, O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha, Clara, personagem da atriz Tainá Muller, está fazendo uma matéria investigativa sobre o tráfico. Mas, como o próprio Capitão Nascimento diz "Jornalista é curioso", ela vai além na sua apuração e se mete no covil dos bandidos. Lá, descobre informações bombásticas do envolvimento da polícia e de políticos com o crime organizado. No filme, a repórter liga para outro jornalista na redação contando tudo o que viu. É alertada para sair imediatamente, pois os bandidos poderiam chegar a qualquer momento. Tomada pela emoção da descoberta, a repórter tem sua curiosidade cada vez mais atiçada quando depara com as provas da ligação da milícia com o tráfico de armas. Na sequência da cena, eles são descobertos e agredidos pelos bandidos; as máquinas fotográficas e gravadores são apreendidos. Os jornalistas são executados a sangue frio e seus corpos são queimados para que nenhum vestígio permaneça. O filme faz um bom paralelo entre a ação do jornalista em querer fazer uma grande matéria a todo custo e um jornalismo que valoriza a informação bombástica em detrimento do jornalista.
Informar é sinônimo de se arriscar?
Este exemplo cinematográfico, mas possível e real para quem exerce a missão de informar, é uma das diversas armadilhas da profissão, que não dignifica a categoria e só coloca o profissional em uma situação de medo e sofrimento, diante de um mundo que não pode ser concertado unicamente por ele.
No livro Arte de Fazer um Jornal Diário, Ricardo Noblat faz duras críticas a esse tipo de comportamento de arriscar a vida por uma informação: "Tim Lopes se expôs ao risco de morrer porque quis, porque foi autorizado por seus chefes a fazê-lo e também porque grassa cada vez mais por toda parte um tipo de jornalismo que não distingue o que interessa ao público do que é de interesse público", afirma. E continua Noblat: "Há ainda na tragédia protagonizada por Tim Lopes um outro aspecto que cobra uma reflexão urgente e profunda dos jornalistas e dos seus patrões. Porque sou jornalista e porque vivemos em uma democracia estou liberado para valer-me de qualquer recurso que assegure à sociedade o direito de tudo saber", diz. Porém, o escritor colombiano Gabriel García Márquez descreveu como uma paixão insaciável pelo jornalismo que leva jornalistas a cometerem estes atos.
Ricardo Noblat ainda reflete sobre as práticas jornalísticas que priorizam a informação ao invés do jornalista. Estas práticas degradam a profissão e põe em risco a vida de muitos profissionais que agem muitas vezes sem o livre arbítrio e viram reféns da inconsequência, do crime e da ação informativa desmedida.
Por outro lado, temos o exemplo de Vladimir Herzog, jornalista torturado e assassinado por exercer com radicalidade a missão de informar. A vida de Herzog é referência para a democracia e sua morte uma evidência dos limites e consequências da profissão.
Enfim, o jornalista deve se colocar em situação de risco por uma reportagem investigativa? Informar é sinônimo de se arriscar?
Em que medida a realidade, muitas vezes cruel e desumana, a que ele é levado a informar, é maior do que as suas possibilidades de vencê-las?
Por Éderson Silva e Joel Felipe Guindani
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
A cidadania comunicativa na prática radiofônica do Movimento Sem Terra

Resumo
Este artigo busca investigar as especificidades de construção e exercício da noção de cidadania comunicativa a partir da prática radiofônica do Movimento Sem Terra (MST). O corpus empírico delimita-se no discurso de lideranças nacionais do MST sobre o ‘fazer rádio’ e na experiência da Rádio Terra Livre FM, emissora protagonizada por agricultores assentados na região Oeste de Santa Catarina. Realiza a fundamentação da noção de cidadania comunicativa e identifica-a, a partir da prática radiofônica do MST, nos complexos níveis de participação - que vão desde o ‘dar voz ao sem voz’ até os processos mais orgânicos e ampliados, como a atuação dos assentados na gestão e no desenvolvimento de políticas comunicacionais - no acesso à tecnologia, nas negociações políticas internas, nas estratégias e resistências à hegemonia político-midiática local, que sinalizam indícios de uma cultura democrática.
Palavras-Chave: Cidadania comunicativa; Rádio; Movimento Sem Terra
Versão completa: Revista Rádio-leituras
http://radioleituras.files.wordpress.com/2010/12/radioleituras41.pdf
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Desconstrução metodológica na experiência da pesquisa de campo
Ao mesmo tempo em que a complexidade social questiona a utilização de teorias gerais, a pesquisa de campo problematiza a mera aplicação metodológica.
Este pode ser mais um sinal de que a metodologia não é apenas algo definido bibiograficamente ou pronto para ser aplicado de maneira instrumental. Tal reflexão até pode ser consenso para muitos pesquisadores, no entanto, para quem inicia uma pesquisa, esse entendimento precisa ser problematizado ou comprovado empiricamente, pois os primeiros passos de uma investigação são sempre em busca de segurança metodológica. Segurança que, no andar da pesquisa, vai se mesclando com imprevistos e novidades, os quais transformam a metodologia num espaço dinâmico e em permanente desconstrução.
Este artigo é fruto de uma combinação entre teorizações e fatos de uma pesquisa de mestrado, que revela a experiência de campo como lugar privilegiado de/para desconstrução metodológica. A noção de ‘desconstrução’ relaciona-se à importância da ‘processualidade’ em detrimento do ‘acabado ou estático’; condiz com ações metodológicas distantes de um positivismo racionalista, especialmente com investigações que não se reproduzem apenas a partir de técnicas construídas previamente à pesquisa de campo. O artigo também aborda o caminho metodológico anterior à incursão empírica e suas fragilidades quando fecha-se sobre si mesmo, mostrando, assim, como este fator, posteriormente, foi determinante para a identificação da pesquisa com os aportes metodológicos da Etnografia e Pesquisa participante.
Sem relativizar a elaboração prévia de um guia metodológico, o presente artigo enaltece o aspecto da ‘novidade’ que emerge durante a experiência de campo como fator constituinte do processo de desconstrução metodológica. Num constante fazer, a noção de desconstrução metodológica exige do pesquisador um olhar atento, dinâmico e uma postura disponível à co-participação na vida do universo investigado. Assim, a desconstrução metodológica situa-se como oportunidade à prática da alteridade, que considera indispensável a heterogeneidade das vozes e saberes para o seguir pesquisando.
Versão completa com: j.educom@gmail.com
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
LevanteCom Raquel Casiraghi

Olá, gostaríamos de te convidar para participar de um bate-papo sobre comunicação e a importância de nós, da esquerda, termos nossos próprios meios de comunicação. A fim de impulsionar a discussão chamamos a jornalista e assessora de imprensa do MST, Raquel Casiraghi.
O LevanteCom é um espaço criado pelo Setor de Comunicação do Levante Popular da Juventude, a fim de estimular o debate sobre temas da atualidade.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O jornalismo que nos falta

A cobertura jornalística dos acontecimentos é um importante espaço para sabermos por onde se encaminha a opinião pública, a conversa no boteco, os valores sociais, como o próprio jornalismo.
A ocupação das favelas do Rio de Janeiro pela força polícial foi um acontecimento que rendeu muita matéria prima para os veículos de comunicação. No entanto, este acontecimento nos serve para percebermos e comprovarmos como a cobertura jornalística comercial e hegemônica continua sendo espetacular, simplista e descontextualizadora.
Quer dizer, mais uma vez, esse jornalismo não nos dá indícios de uma cobertura diferenciada ou mais completa. Falta algo no jornalismo ou é um jornalismo que nos falta?
Para o professor e pesquisador da UFRJ, Muniz Sodré, "simplesmente mostrar não é informar. Pode ser, no limite, um modo de excitar a pulsão escopofílica do espectador". Para ele, é preciso "Informar criticamente. E continua:
Informar criticamente: - que se revela socialmente imprescindível no caso em pauta – seria comunicar os acontecimentos dentro do quadro explicativo de suas causas, aliás bastante evidentes para qualquer observador atento. Pode-se começar com os constituintes de 1988, que legislaram em matéria penal com a ditadura e o preso político em mente e, ao fundo, a doutrina liberal-individualista do direito pós-Revolução Francesa. Resultou daí uma legislação tíbia frente ao delinquente comum, com a impunidade no horizonte. Mata-se por dá cá essa palha.
Comedimento e responsabilidade
Em seguida, seria preciso colocar em pauta a corrupção avassaladora de governos, políticos, policiais etc. Não deixar também de indagar sobre a responsabilidade da sociedade civil (se é que esse conceito se aplica ao Brasil) no tocante às drogas e à mafialização generalizada, que vem pondo em segundo plano o problema do tráfico de drogas. Finalmente, tentar jogar alguma luz sobre as perspectivas de emprego para quem se dispõe a abandonar o crime.
Certo, o jornalista poderá responder a tudo isso com a alegação de que o imediato de sua condição profissional lança-o sob pressão sobre a superfície do fato, para dar conta a seu público das ocorrências em bruto. A notícia seria, assim, a pura e simples mercadoria de sua prática industrial. É o que se aprende, é o que se faz – e o que dá certo em termos de audiência e mercado publicitário.
Esse é, de fato, o modelo consagrado pelo jornalismo tal como o conhecemos e talvez não possa ser mudado sem mais nem menos. Mas é certamente um modelo sem amanhã cívico; portanto, algo a ser debatido e repensado.
Nesse meio tempo, seria oportuno um pouco mais de comedimento e responsabilidade social. A morte violenta do outro não pode converter-se em fantástico show da vida.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Repensar a emancipação sócio-comunicacional

Emancipação sócio-comunicacional é uma reflexão inspirada na noção de emancipação social desenvolvida pelo sociólogo Boaventura de Souza Santos. Já o aditivo "comunicacional" deve-se ao fato de que é cada vez mais inconcebível pensarmos ações sociais emancipadoras distantes do espaço comunicacional, sobretudo do midiático-tecnológico.
O campo da sociabilidade, composto também pelo econômico, religioso, cultural, político etc., é cada vez mais atravessado pelos processos de midiatização e concebê-lo fora dessa problemática é praticar uma compreensão limitada sobre a realidade. Nessa direção, as novas tecnologias estão colocando em crise o pensamento estritamente midiático-monopolista, que articula toda a sua crítica e projeção político-militante sobre o viés da manipulação, da sujeição/passividade dos ouvintes, leitores ou telespectadores.
Esta racionalidade midiático-monopolista é o principal fator que nos instiga "repensar" a racionalidade sobre o sócio-comunicacional na contemporaneidade, sobretudo, quando pretendemos desenvolver ações que sejam protagonistas de uma efetiva emancipação humana é popular.
Na perspectiva de Boaventura, o primeiro passo é revermos nosso modo de reflexão sobre as formas de produção de conhecimento [sócio-comunicacional]. Como ele mesmo enfatiza – no seu livro Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social –, antes de transformar é preciso compreender, mas, sobretudo, compreender como compreendemos. Eis uma pergunta então necessária: como compreender a realidade se não problematizamos nossa maneira de compreendê-la? Toda a compreensão é erigida a partir de um ponto, de um tempo/espaço e que, para sua eficácia ou validade, deve acompanhar as transformações daquilo que busca compreender.
Experiências emancipadorasA compreensão do sócio-comunicacional realizada por muitos movimentos, associações, sindicatos, que discursam sobre formas de libertação/emancipação, partem do ponto ou espaço/tempo que é, na grande maioria, o da manipulação/sujeição/passividade – sem contarmos que muitos deles não consideram a comunicação como importante investimento. Para Boaventura, pensamentos ou compreensões limitadas não nos servem mais. Mediante isso, um segundo passo para a emancipação sócio-comunicacional é o reconhecimento ou compreensão de experiências diversas, que emergem das novas tecnologias, apropriadas por sujeitos em distintos espaços do tempo presente.
Não podemos desperdiçar experiências, alerta Boaventura. Para isso, ou complexificamos e ampliamos a nossa racionalidade sócio-comunicacional, ou estaremos alimentando o círculo vicioso do discurso apenas crítico, que alardeia sem propor alternativas concretas.
Ações exemplares ou racionalidades amplas, que protagonizam a emancipação sócio-comunicacional são identificadas em movimentos sociais, como o Movimento Sem Terra (MST) e até mesmo em projetos do Ministério da Justiça, através do Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci. Vejamos.
Durante este segundo semestre de 2010, professores e alunos da Escola Nova Sociedade, localizada no assentamento Itapuí – Grande Porto Alegre (RS) – e militantes do MST desenvolveram oficinas de comunicação, produzindo podcasts e outros conteúdos para blogs. Um dos jovens assentados, integrante do grupo, enfatiza que "existem muitas tecnologias que podem contribuir não só para o uso pessoal. Um celular pode mandar mensagens, notícias e informações. Isso, até um tempo atrás, era coisa só de uma elite ou dos donos da mídia, mas agora não mais".
No município de Canoas (RS), a Agência da Boa Notícia Guajuviras, um dos projetos do Pronasci, mobiliza mais de 240 jovens em torno da reflexão e do uso das novas tecnologias. Para um dos jovens, "agora podemos dizer coisas do nosso bairro que antes a RBS não dizia. Além de estar aqui aprendendo uma profissão, essa oportunidade melhora a nossa vida aqui no bairro", destaca.
Por uma educação popular
Para Boaventura, estas ações, que são desenvolvidas a partir da realidade midiática local não podem ser desconsideradas por Movimentos sociais ou teorias que buscam compreender e desenvolver projetos alternativos. Mais do que reconhecer ou desenvolver é indispensável também a sistematização, divulgação e interconexão dessas experiências com outras existentes. Sair do localismo para o global é um movimento necessário, mas que requer sensibilidade e acolhida ao invés de separação e distinção entre siglas partidárias, bandeiras de luta ou posicionamentos teóricos. Precisamos ampliar o reconhecimento das diversas práticas comunicacionais do presente e reduzir a aquela expectativa salvífica posta apenas num futuro, afirma Boaventura.
Assim, a emancipação sócio-comunicacional despontará quando um processo educativo popular for implementado pelas forças contra-hegemônicas atuais, como movimentos sociais, sindicatos e associações comunitárias. Essa proposta de educação popular comunicacional deverá conceber os meios de comunicação não mais pela sua lógica instrumental, mas como um espaço capaz e tão importante de mobilização e de luta quanto o próprio partido político, o movimento social ou a associação.
Como diz o subcomandante Marcos, do movimento zapatista, se "pudemos ficar calados por 500 anos", então é porque desponta um momento positivo e de novas alternativas libertadoras. Para isso é urgente uma racionalidade mais ampla, que contemple experiências de mídia gestadas por sujeitos, mesmo que em suas individualidades ou nas mais remotas comunidades, mas que indiciam a concretude de uma comunicação social emancipadora e popular de verdade.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Tom Morello, guitarrista do Rage Against The Machine, fala no Twitter sobre apoio ao MST
Durante apresentação no festival SWU, em ITU, interior paulista, Zack de la Rocha, vocalista do Rage Against the Machine, dedicou a música People of the Sun ao MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Ele disse: "Esse som vai para os irmãos e irmãs do MST: People of the sun" Em seguida, durante a música Wake Up, o guitarrista Tom Morello colocou um boné do MST e poucos minutos depois a rede Globo, que transmitia o festival, cortou a transmissão do show. Um comunicado oficial - falando do apoio da banda ao movimento durante a apresentação - foi divulgado hoje (10) no site oficial do MST. Tom Morello também se pronunciou pelo Twitter: "Se a rede de tv cortou as cenas em que eu aparecia c/ o boné do MST, é sinal que estamos vencendo", postou o guitarrista do Rage.quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Edgar Morin: "Por reforma agrária e sustentabilidade ambiental"

Em entrevista concedida ao site do Estadão, Edgar Morin fala que "a demora em fazer uma reforma agrária no Nordeste pode significar o avanço da agroindústria na Amazônia, um perigo para a ecologia."
Confira a entrevista:
OE - O senhor costuma dizer que a pluralidade do País reflete a grandeza do Brasil, um possível modelo para o mundo. Como e onde vê essa grandeza?
MORIN- Para alguém que vem da Europa, um continente de nacionalidades fechadas, o Brasil sempre me pareceu aberto a outras etnias - e é essa civilização da mestiçagem brasileira que me interessa. Vejo a grandeza do Brasil na pluralidade étnica de Salvador e na biodiversidade da Amazônia. Acho, porém, que é importante a restituição dos territórios e o reconhecimento das culturas das populações indígenas, porque o mundo considera a Amazônia patrimônio da humanidade, mas pensa pouco na preservação dessas culturas. A noção de desenvolvimento hoje corrente pode ser devastadora para os índios - e não apenas para eles, mas para toda a humanidade, considerando que a integração dos índios à sociedade não pode significar a desintegração da cultura indígena. Isso pode trazer consequências graves, como a degradação da floresta pelo uso de pesticidas nos projetos agrícolas dos latifundiários.
Claro, há também a questão urbana e a favelização das cidades, tão grave como o crescimento do número de carros em circulação. O Brasil é um país pacífico, sem espírito colonialista ou de revanche contra os outros. É também um país em desenvolvimento, embora esse desenvolvimento seja o da classe média - o que pode representar no futuro uma intoxicação consumista. É preciso, antes de consumir, recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.
OE - O senhor falou da grandeza da Amazônia. Como vê, então, a possibilidade de proteger a floresta com a precária educação ambiental dos invasores?
MORIN- Assentar os migrantes é, de fato, um grande problema, e acho que a demora em fazer uma reforma agrária no Nordeste pode significar o avanço da agroindústria na Amazônia, um perigo para a ecologia, como já disse. Infelizmente, a corrupção no Brasil ainda é muito grande - considero mesmo o problema principal do País. Respeito profundamente o passado e o presente do presidente Lula, mas acho que ele tem de enfrentar essa máquina infernal do liberalismo econômico que ainda vai destruir a Amazônia e as culturas indígenas, que são não só um patrimônio brasileiro, mas de toda a humanidade.
Continua em:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090802/not_imp412201,0.php
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O contexto latino americano, novos saberes e a diversidade epistemológica

Em palestra realizada no mês de setembro deste ano, na Colômbia, o sociólogo Boaventura de Souza Santos apresenta suas teses sobre os caminhos e descaminhos da sociedade contemporânea, evidenciando como, nesse contexto de aberturas democráticas, emergem novas saberes, que por sua alta densidade de reconhecimento das experiências locais, problematizam as epistemologias ocidentais que até então prevaleceram sobre a produção e distribuição de conhecimento.
Há, no interior da vida cultural e política latino americana , alguns movimentos constantes de resistência e ação política e cultural. Boaventura refere-se à duas noções: Lutas ofensivas, as que questionam o capitalismo e o colonialismo, tendo em vista outro mundo possível. O capitalismo não é apenas um modo de produção, mas um modo de civilização, que caminha para a destruição e morte da vida, tanto a humana como a ambiental. Lutas defensivas: uma luta para não se perder o que já conquistamos. Boaventura também destaca que essas lutas defensivas são respostas ao ataque da política norte americana, ainda ativo na contemporaneidade. Basta, segundo ele, observarmos as tentativas de secção e isolamento aos países como Venezuela, Cuba, Costa Rica, como também o próprio golpe em Honduras, a tentativa de militarização da fronteira Amazônia tão defendida por políticos brasileiros; o terrorismo contra os movimentos sociais, especialmente no Brasil, como o pretendido contra o Movimento Sem Terra pelo governo tucano de Ieda Crusius.
Para Boaventura, o contexto latino americano é da acumulação capitalista, que se expressa na agenda política, cultural e social ainda colonialista: “a concentração da terra é colonialista, o racismo é colonialista”. Ainda ressalta que é preciso considerar o uso contra-hegemônico de instrumentos hegemônicos que a sociedade organizada vem fazendo: o uso dos espaços eleitorais e democráticos e as vias legais do estado como bem se utiliza o MST. Esse uso contra-hegemônico é algo novo que está surgindo nas brechas do neoliberalismo. Assim, devemos repensar as teorias que não as previam: "Essa imprevisibilidade é a expressão do seu distanciamento da prática". Quer dizer, são teorias que não vêem o que está se passando na prática : “os movimentos sociais do sul não estão previsto nas teorias eurocêntricas, tanto a neoliberal como boa parte da marxista. As mulheres, negros, indígenas são invisíveis e não se constituíam como uma força importante para a esperada revolução.
Isso se deve, para Boaventura, ao fato de que as epistemolgogias do norte foram criadas a partir de cinco países: Alemanha, Inglaterra, Itália, França e EUA: “o erro da teoria fora da prática gera o desperdício de experiências”. Temos, por um lado, teorias produzidas no norte e, por outro, experiências produzidas no sul. "Essas práticas ficam desprotegidas de sistematizam e na maioria das vezes são apropriadas por teorias colonialistas ou relativistas."
Segundo Boaventura, devemos inventar novas epistemologias que reconheçam essas experiências, que não são totalizantes ou que seguem uma única lógica apenas histórica como apregoam alguns aportes científicos ocidentais : “não devemos defender um único critério de validez do conhecimento”. E mais, não podemos planejar nossas ações somente a partir de outros conhecimentos. Há uma pluralidade epistemológica e ontológica no mundo: “não há uma única forma de viver e de conhecer”. É preciso escapar do conhecimento monocultural eurocêntrico. Devemos considerar o conhecimento cientifico de alta densidade e de relação com as experiências locais e com os saberes emergentes dos movimentos sociais. Aqui vale destacar a noção de ecologia dos saberes. Para Boaventura, o conhecimento ocidental tem dificuldade de reconhecer ou identificar a riqueza da espiritualidade nas manifestações culturais e políticas do sul. Por isso, “as teorias ocidentais reduzem ou desconsideram o que elas não compreendem ou produzem como inexistente o que elas não entendem”.
Há, para o sociólogo, uma diversidade de epistemologias pelo mundo e a compreensão do mundo é muito maior do que a compreensão ocidental do mundo. Por exemplo, a noção de estado não é mais a de estado único, como a concepção moderna. O estado não é mais uma unidade porque ele se constitui, cada vez mais, na tensão com as forças plurais da sociedade. Há o desponte de novos estados modernos que variam entre "democracias deliberativas, representativas, participativas e comunitárias."
Eis a diversidade das práticas, saberes e democracias que emergem no contexto latino americano e que fundamentam a necessidade de novas perspectivas epistemológicas sobre estado, política, cultura, sociedade e movimentos sociais.
domingo, 24 de outubro de 2010
Um encontro com Jorge Gonzáles:a constituição de objetos de pesquisa e a ciência como ato político

Pesquisar ou pretender-se pesquisador é um ofício que exige resiliência. Primeiro, porque os desafios, alegrias e tropeços não são poucos e, em segundo, é preciso estar atento e flexível, pois tudo particpa desta construção.
O instigante e animador encontro com o professor Dr. Jorge Gonzáles, reforçou não apenas algumas certezas, mas, sobretudo, inquietações para o “seguir pesquisando”. O encontro com Gonzáles foi dilacerante para pesquisas que por vezes configuram-se apenas como abstrações teóricas ou fabulações retóricas: é preciso ser claro e estabelecer comunicação, ao invés de obscurantismos com os problemas concretos de nossa realidade, destacou o professor. Nesta direção, Gonzáles alertou-nos sobre as formas de como vamos conhecendo e construindo nossos objetos de estudo: esse processo tem que ser claro e sempre explicito em nossas teses, artigos ou dissertações.
Não apenas defensor do empirismo, Gonzáles reforçou a ideia de que os conceitos científicos constituem teorias que iluminam a construção de um problema concreto. Prevalência do empírico sobre o teórico?
Não. Gonzáles deixou claro que a construção de um objeto de pesquisa deve ser norteada por um arcabouço conceitual e teórico, os quais ampliarão a visão do pesquisador mediante a consttrução e solução de problema concreto. Óbviamente que a construção do objeto pode ser, inicialmente, empírica, ou seja, a partir de um problema que inquieta nossa existência cotidiana. Sendo assim, o passo natural é elaboração de uma pergunta relativa ao que se identifica no concreto – ou a partir do mais evidente. Temos, então, a construção da “pergunta-problema prático”, que ao ser explorado irá requerer e estabelecer relações com conceitos e, posteriormente, designar diferenciações com os aportes teóricos em jogo.
A noção de “pergunta-problema prático” também diz respeito à necessidade de clareza da estruturação cientifica, bem como a aplicabilidade dos seus resultados, que devem ser compreendidos e, sobretudo válidos ao campo investigado: toda a pesquisa deve ser uma resposta aos diversos e urgentes problemas de nossa realidade.
Para Gonzáles, isso só será possível se os resultados da pesquisa, mesmo que em forma de abstrações teóricas, forem compreendidos por todos os sujeitos que a compõe: apresenta-se, então, a noção de ciência como ato político e de intervenção social. Observa-se, assim, não apenas um modo empírico de constituição do objeto e uma ideia de ciência cíclica ou instrumental, onde o empírico e o teórico atuam com um fim e si mesmos.
Assim, Gonzáles utiliza-se do símbolo “@” [Lê-se arroba] como revelador da constituição do objeto de pesquisa e do próprio campo científico. Ao invés do espiral ou do círculo, toda pesquisa cientifica deve ser impulsionadora; jogar conhecimento para fora; ser centrífuga; como movimento que expulsa criatividade e resultados, que sirvam à solução de problemas de nossa atualidade, esta, ainda marcada pela desigualdade econômica e degradação ambiental.
Enfim, a exemplo de Bourdieu, Gonzáles ressaltou que todo o pesquisador pode contribuir com a criaçao de condições sociais que facilitem uma produção coletiva de utopias realistas.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Vargas Llosa em Porto Alegre

"As letras e artes são os únicos campos menos afetados pela especialização e pelo domínio de uma elite”.
Distante de ser comunista ou um confesso liberal, Mário Vargas Llosa, Prêmio Nobel de literatura 2010, esteve em Porto Alegre nesta quinta-feira (14). Peruano, casado duas vezes, primeiro com uma tia e depois com uma prima, criticou os regimes de Castro e Chaves. Afirmou que a única “deformidade política” de Lula é seu excesso de cordialidade e de convívio harmonioso com os referidos companheiros.
Na coletiva, Llosa discursou por mais de uma hora e elogiou a atuação de Lula, especialmente os programas de inclusão social e de modelo econômico.
Durante a noite, em conferencia para mais de seiscentas pessoas, focou seu discurso no papel libertador da Cultura: “a cultura, artes e a literatura se justificam pela capacidade de transformação social. Apresentam-se para ocasionar estado de incômodo e de instabilidade em qualquer espaço”, destacou.
Durante o debate com os participantes afirmou estar animado, mas preocupado com os caminhos da humanidade: “Progresso da humanidade? Menos analfabetismo e aumento da produção bélica?”, interrogou.
Para Vargas, a cultura é algo que antecede o conhecimento, pois é a sensibilidade que nos leva ao conhecimento. Defensor dos direitos humanos, Llosa afirmou que “as formas de liberdade de expressão são indícios de cultura” e que em nossa história, “as letras e artes são os únicos campos menos afetados pela especialização e pelo domínio de uma elite”.
Ao final, distribuiu autógrafos e não quis revelar o que fará com o prêmio de 1,5 milhão de dólares: “perguntem para minha mulher. Ela cuida das nossas finanças. Mas espero que ao menos eu consiga algum dinheiro para continuar comprando meus livros”.
Segundo Aline Evers, 26, tradutora, “foi ótimo assistir o Llosa, ainda mais porque ganhou o prêmio na semana passada. Eu não gostei muito da palestra dele. Acho que o debate foi o mais interessante. Ele poderia ser mais espontâneo e não tanto preso no papel. Minha sugestão é que venham mais intelectuais da lingüística, como Chomsky, por exemplo", destacou.
sábado, 2 de outubro de 2010
EreCom Sul 2010

O Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social – Erecom sul é um congresso que reúne os estudantes dos diversos cursos de comunicação (jornalismo, relações públicas, publicidade, cinema, rádio e tv, etc) dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina para discutir temas relativos à comunicação como a democratização, as opressões (como o estereótipo de gays e lésbicas apresentado em novelas, a representação da mulher, a segregação dos negros, por exemplo), o currículo de seus cursos e problemas comuns nas faculdades.
O Erecom faz parte dos encontros regionais que a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação realiza (para saber mais vá em Enecos) e eles acontecem nas diversas regiões do país em que a Executiva se divide, como sudeste, centro-oeste, norte e nordeste. Nesses encontros os estudantes discutem temas mais relacionados as suas regiões e realidades, acumulando conhecimentos para o Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação, o Enecom, que reúne os estudantes de todo país e para o Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação, o Cobrecos, que define as ações da executiva ao longo do ano e seus principais posicionamentos.
O Erecom sul de 2010 vai acontecer de 9 a de 12 de outubro na Escola Municipal Thiago Würth em Canoas, no Rio Grande do Sul. O tema escolhido é “ Uma alternativa de comunicação popular”. Saiba mais em:
http://www.erecomregionalsul.blogspot.com/
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