domingo, 2 de outubro de 2011

Acampados iniciam plantio da terra em Vacaria

Os 500 sem terra que estão acampados em uma área pública na cidade de Vacaria, Rio Grande do Sul, iniciaram, à partir das 8h30min, a lavrar a área. Eles irão fazer hortas para o autosustento das famílias. Os sem terra ocupam a área de 400 hectares de terra, que fica próxima a BR 285, à 1km da entrada da cidade, desde a segunda-feira passada (26). Já na área ocupada por 300 sem terra nas margens da RS-040, em Viamão, ocorre uma assembleia de assentados nesta sexta-feira (30), ao meio-dia.Os agricultores irão doar alimentos em solidariedade às famílias acampadas e em apoio à desapropriação da área para a Reforma Agrária. Perto desta área há um assentamento do MST com 250 famílias, onde são produzidos arroz e verduras agroecológicas (sem agrotóxico e adubos químicos), com cooperativas e grupos de produção. Os assentamentos do MST na região metropolitana de Porto Alegre constituem a maior produção de arroz agroecológico do RS. Em Sananduva, na região Norte, os mais de 200 sem terra que ocuparam uma área de 300 hectares permanecem no local. Famílias irão resistir a despejos As famílias acampadas em Viamão e Sananduva não deixarão as áreas. A Justiça já determinou a reintegração de posse imediata das duas fazendas. Os despejos podem acontecer a qualquer momento. Os acampados reafirmam que não sairão das áreas até que o governo do estado e o Incra anunciem o assentamento das famílias. Ainda em Abril, o governo do estado, depois de um acordo com o governo federal, se comprometeu a assentar as famílias que se encontram acampadas embaixo da lona preta em todo o Estado. Desde a assinatura do “Termo de Compromisso” com os camponeses, nenhuma família foi assentada. Os governos federal e estadual encaram a Reforma Agrária como questão de polícia. A decisão das famílias sem terra em resistir aos despejos é uma forma de pressionar pelos assentamentos, já que os acordos e metas têm sido constantemente descumpridas pelo poder público. Reiteramos que a responsabilidade sobre o que venha a ocorrer nas ações de despejo é dos governos estadual e federal. http://ocupacaosemterra.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Da Comunicação à Ampliação da Cidadania dos Remanescentes de Quilombo

Resumo O artigo parte do princípio de que os processos comunicacionais são fundamentais para a construção e ampliação da cidadania como forma de emancipação social. Identifica os processos comunicacionais na comunidade quilombola, analisando como eles realizam a construção da cidadania junto às manifestações socioculturais locais. O estudo foi realizado em 2010 na comunidade rural Campina de Pedra, localizada no município de Poconé, Mato Grosso. Através de entrevistas e de observação participante com os remanescentes do quilombo foi possível perceber os processos comunicacionais na constituição da cidadania enquanto práticas da vida coletiva, que envolvem o reconhecimento da identidade do grupo, a participação comunitária, o fortalecimento de diversas experiências que preservam as tradições e que fazem avançar ações emancipadoras mediante as novas formas de regulação social. Palavras-Chave: Comunicação; Cidadania; Remanescente de Quilombo. Autoria de Cristóvão Domingos de Almeida, Valdir José Morigi e Joel Felipe Guindani

domingo, 21 de agosto de 2011

A tecnologia radiofônica como ambiência comunicacional



Resumo: Apresenta a tecnologia radiofônica de modo complexo e demonstra que as afetações decorrentes da apropriação e do uso que os sujeitos fazem dela ultrapassam a dimensão do meio e da mensagem. Assim, compreende o rádio enquanto uma ambiência comunicacional derivada de processos, de interconexões em rede e de ações sócio-simbólicas. Fundamenta-se enquanto uma abordagem teórico-metodológica que é construída a partir de algumas obras de autores como: Muniz Sodré, Arthur Ferrareto, Antonio Fausto Neto, Lilian Zaremba, Manuel Castells e Pierre Bourdieu. Resgata depoimentos de comunicadores da Rádio comunitária Terra Livre FM, os quais explicitam algumas especificidades sobre os usos, os modos de apropriação e as consequentes afetações que emergem desta referida ambiência comunicacional, demonstrando-a, assim, como um campo sócio-simbólico em constante processo de disputa e de interconexão com as demais práticas sociais que a constituem.

Palavras-chave: Rádio, teoria, metodologia, sujeito.

Versão completa com: j.educom@gmail.com


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Alunos da Escola Nova Sociedade realizam oficinas de comunicação


"Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana nao encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada pelos demais" (E. Galeano).



Junto com as demais atividades da semana nacional da juventude, a oficina de comunicação foi desenvolvida com estusiasmo e criatividade pelos jovens da Escola Nova Sociedade, localizada no Assentamento Itapuí, à 50Km de Porto Alegre. Além da rádio-escola ser realizada ao vivo durante os intervalos, os jovens produziram notícias, entrevistas e gravações em áudio. As oficinas de comunicação terão continuidade durante o semestre.






V Seminário de Metodologias Transformadoras


De 16 a 19 de agosto, a Rede AmLat realiza o V Encontro de Metodologias Transformadoras e o V Seminário de Metodologias Transformadoras. Os eventos ocorrem na Unisinos e recebem professores da Argentina, Equador, Venezuela, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Paraíba.

O V Encontro de Metodologias Transformadoras será realizado nos dias 16 e 17 de agosto de 2011, reunindo pesquisadores dos Grupos que integram a Rede AmLat (PROCESSOCOM, CEA, CEPAP, FACSO, DECOM, NECOM, PRAGMA). O principal objetivo das atividades é cooperação científica acadêmica em pesquisa em comunicação entre as instituições participantes.

O V Seminário de Metodologias Transformadoras acontece em 18 e 19 de agosto de 2011, na Sala Conecta. O evento busca debater a pesquisa em Ciências da Comunicação, enfocando as problemáticas metodológicas. A atividade oferece palestras e mesas com apresentações de pesquisas acadêmicas, e também espaço para debate metodológico entre participantes e expositores.
As inscrições podem ser feitas até o início do evento (8h30, de quinta-feira, 18), as vagas são limitadas por ordem de chegada. Os inscritos que tiverem no mínimo 75% de frequência nas atividades do Seminário receberão certificado de participação.

A cobertura dos eventos será realizada pelos participantes do PROCESSOCOM e pode ser acompanhada no blog do Grupo (http://processocom.wordpress.com/) e no portal da Rede AmLat (http://redeamlat.org/).

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A notícia quente e a notícia fria.



A tragédia do voo JJ 3054 virou notícia fria para o consumo imediato? A história gera o esfriamento dos fatos? A lógica do jornalismo produtivista tem pouca memória? De 2007 a 2011, o que mudou?

Algumas notícias denunciavam certa crise no setor aéreo brasileiro: voos constantemente atrasados, aeroportos em situações precárias ou funcionando ao lado de reformas, enormes filas de passageiros para o embarque etc. Neste contexto, emerge a notícia: um avião da TAM ultrapassa a linha de segurança da pista e, em seguida, a explosão.

Foi numa tarde de terça-feira, às 17 horas e 15 minutos do dia 17 de Julho de 2007. O voo da TAM JJ 3054 aterrissava no Aeroporto Internacional de Congonhas, em São Paulo, com 187 pessoas a bordo. Para alguns, época de férias. O país inteiro vibrava com a realização dos jogos Pan-Americanos. Ao entardecer, tal euforia dava lugar ao desespero: a maior tragédia aérea já anunciada pelos meios de comunicação brasileiros. O desastre, marcado pela morte de 199 pessoas, modificou o cenário dos Jogos Pan-americanos. Minutos após, atletas brasileiros competiram com uma faixa preta no braço; as bandeiras nacionais desceram a meio mastro.

O acidente aéreo, a partir da intensa cobertura feita pelos meios de comunicação brasileiros, também serviu de matéria-prima à mídia internacional. Um dos maiores jornais do mundo, The New York Times, através de seu correspondente Larry Rother, noticiou o fato enquanto revivia a crise aérea brasileira desde o acidente do avião da Gol ocorrido em setembro de 2006. Na Argentina, o jornal Clarín estampou a tragédia na capa da edição eletrônica e rememorou o incidente com o avião da Pantanal ocorrido no dia anterior, no mesmo aeroporto. Na Espanha, o El País denunciou que uma falha na manobra de pouso fez com que o avião se chocasse com o depósito. Em poucas horas do ocorrido, a rede de televisão CNN destacou a tragédia como uma das piores da história da aviação. Na mesma linha, o grupo britânico BBC denominava o desastre como a maior tragédia do ano. No Brasil, a tragédia tomava conta da programação de todas as emissoras. Todos os detalhes eram reprisados e as novas revelações faziam do fato a notícia mais quente dos últimos tempos.

De 2007 a 2011, o que mudou?

A mídia brasileira, buscando reaver a dívida contraída nas eleições presidenciais de 2006, fez do acidente da TAM uma potente arma a ser utilizada contra o governo Lula. Os editoriais dos grandes jornais brasileiros, como o da Folha de S.Paulo, culparam Lula como o principal responsável pelo acidente. No Estadão, a opinião dos leitores, na totalidade, atacava Lula e também os seus ministros. Este comportamento jornalístico, sempre beirando o sensacionalismo ou o personalismo, utilizou-se de vários artifícios espetaculares, deixando pouco espaço para o questionamento dos familiares, os quais também denunciavam a falta de procedimentos legais, tanto do Judiciário como da própria empresa aérea.

Após quatro anos, por que a mesma mídia não tem o mesmo interesse pela tragédia? Neste último final de semana, alguns canais retocaram o assunto, porém sem a mesma ênfase e, muito menos, sem esclarecer os desdobramentos judiciais do caso. O Jornal Nacional e o Fantástico do último domingo (17/7) retrataram, brevemente, a mobilização dos familiares das vítimas. Foi um “noticiar para recordar”, pois a notícia não durou mais que um minuto. Por outro lado, a nova tragédia em Recife, referente ao voo 4896, da Noar Linhas Aéreas, foi a notícia quente, requintada, com falas registradas pela equipe de manutenção da aeronave minutos antes do acidente.

A tragédia do voo JJ 3054 virou notícia fria para o consumo imediato? A história gera o esfriamento dos fatos? A lógica do jornalismo produtivista tem pouca memória? De 2007 a 2011, o que mudou? No que diz respeito à situação dos aeroportos, pouco ou quase nada de positivo aconteceu. A superlotação e a infraestrutura atual revelam a fragilidade da segurança aeroportuária. Isto é noticiado pela grande mídia com certa frequência, tendo em vista os milhões de turistas e de dólares que poderão chegar junto com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Apenas sombras da memória

Em forma de resposta à falta de apoio concreto, ou do esfriamento do caso, tanto por parte dos órgãos competentes como da própria mídia, os familiares das vítimas do voo JJ 3054 criaram a Afavitam (Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo JJ TAM 3054). Através desta instituição, cobram esclarecimentos da Anac, da Infraero e da própria TAM. Além do exemplo de solidariedade, os familiares, mesmo após o ocorrido, continuam realizando ações concretas, de cidadania e de compromisso com a questão aérea brasileira, que ainda não é segura para os milhões de passageiros que continuam decolando e aterrissando em solo brasileiro.

O caso JJ TAM 3054 foi e continua muito mais quente e complexo do que a imprensa tenta ou pôde retratar. Enquanto notícia quente, muito se explorou, mas enquanto notícia fria, muito se esqueceu e, até mesmo, se omitiu. Restariam, então, apenas algumas sombras da memória, as quais são cada vez menos projetadas pela grande mídia na tela da realidade nacional?

***

[Joel Felipe Guindani e Éderson Silva são, respectivamente, radialista e doutorando em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; e graduando em Jornalismo pela Unisinos]

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pessoas que escutam rádio são mais felizes



Um novo estudo encomendado pelo Radio Advertising Bureau na Inglaterra mostra que pessoas que escutam rádio têm níveis mais altos de felicidade e energia, do que pessoas que consomem outros tipos de mídias.
1000 pessoas participaram do estudo, que foi feito através de smart phones. A pesquisa pedia que as pessoas declarassem através do celular, as mídias consumidas por elas e seu humor.
Um estudo feito separadamente chegou a resultados semelhantes. Utilizando eletroencefalografia para examinar a atividade cerebral de seis pessoas, cientistas perceberam que o rádio estimulou níveis de envolvimento positivos no cérebro dos voluntários.

http://www.radiofandango.com.br/archive/valor.php?noticia=22297

domingo, 17 de julho de 2011

O que é o real?




A questão da realidade, desde a grécia antiga, incomoda o pensamento humano. Seja no mundo das ideias ou no mundo do sensível , as tecnologias -tanto as que projeam sombras na caverna, quanto as que reconstroem digitalmente as coisas -, impõe a dúvida como a única certeza a ser seguida.

A realidade não se reduz ao que pode ser visto. Identifica-se também ao que pode ser dito. (Paul Ricouer)

A linguagem é mais poderosa como experiência das coisas do que a experiência das coisas. Os signos são experiências mais potentes do que tudo o mais e, por isso, quando se lida com as coisas que realmente importam, então se lida com palavras. Elas têm uma realidade que excede, em muito, as coisas a que designam.William Glass

A confusão das palavras gera a das coisas (M. Maffesoli)

O real não existe (Lacan)

O que é o real?????

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Testemunha de assassinato de sem terra é ameaçada no Paraná



Uma das principais testemunhas do assassinato de Eduardo Anghinoni recebeu uma ligação anônima para ameaçá-lo. A ligação aconteceu no dia 28 de junho, e “aconselhava” a testemunha a não comparecer ao júri a fim de “garantir sua integridade física”. A notícia é do sítio Terra de Direitos, 13-07-2011.


O júri acontecerá no dia 27 de julho, após 13 anos do assassinato. Eduardo foi morto por engano, em Querência do Norte, quando visita seu irmão, Celso, uma das principais lideranças do MST no Paraná. O acusado do crime é Jair Fermino Borracha, que chegou a ser preso durante as investigações do caso. No momento de sua prisão, Borracha empunhava uma arma contra os policiais e um exame de balística comprovou que desta arma saíram os tiros que mataram o Eduardo.

Para os advogados que trabalham na acusação do assassino, o telefonema foi uma clara intimidação para impedir a realização do júri. A denúncia do fato foi encaminhada a diversos órgãos públicos. Também foi realizado um pedido de prisão preventiva para Jair Fermino Borracha, a fim de que o andamento do júri não seja prejudicado.

A época do assassinato foi um período de intensos conflitos no campo, onde se formou uma vasta rede entre fazendeiros, políticos locais e milícias privadas, contratadas para fazerem despejos ilegais, ameaças e, ao que tudo indica, assassinatos encomendados. Entre 1994 a 2002, o Paraná teve seis trabalhadores sem terra assassinados, 47 ameaças de morte e 324 feridos em 134 ações de despejo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Comunicação alternativa: a que?


A comunicação é por natureza alternativa. Alternativa a tudo aquilo que não é comunicação, ou seja, a tudo que é incomunicação, que é obscuro, que não é entendido, que não é dito ou o que não é revelado.

Comunicação alternativa é alteridade, quer dizer, tem a ver com tudo aquilo que depende do outro para ser ou para existir. Então, comunicação alternativa é aquilo que, obrigatoriamente, necessita da inclusão do outro para ser, pois se houver alguma barreira que dificulte a inclusão do outro, já podemos começar a duvidar de que isso ou aquilo se trate de comunicação alternativa. Comunicação alternativa pode ser aquela experiência que reanima tudo o que está, por algum motivo, em um estado de incomunicação ou de silenciamento. Recordando Paulo Freire, é comunicação alternativa aquilo que possibilita a palavra do outro.

Mas, comunicação como alternativa a que tipo de incomunicação? A comunicação alternativa está na história, faz-se resistência e luta contra os atos de incomunicação praticados contra os famintos, sejam crianças, mulheres trabalhadoras, negros marginalizados ou brancos desempregados.

Atos de incomunicação

Segundo o pesquisador Giovani Semeraro, ao longo dos 500 anos de colonização não é difícil pontuarmos algumas práticas que, a nosso ver, são atos de incomunicação, como:

1) O extermínio de mais de 50 milhões de índios, na época da descoberta;

2) O tráfico dos escravos negros arrancados da África, entre os séculos 16 e 19;

3) O sistema de escravidão e de servidão imposto pelo mundo da produção capitalista;

4) As matanças e repressões contra inúmeros protestos, rebeliões e insurgências populares (Canudos, Contestado, Curumbiara, Eldorado de Carajás)

5) A tortura, a prisão, o exílio aplicados aos dirigentes e a todos os que ousaram opor-se ao sistema colonial/capitalista;

6) As ondas de migrantes expurgados de suas terras;

7) A devastação da natureza para a transferência de riquezas para os países centrais;

8) A imposição cultural, religiosa e política que sustenta os governos autoritários no poder;

9) A subordinação da soberania nacional aos circuitos políticos internacionais, como o FMI, e aos demais acordos fechados através da incomunicação com os países do hemisfério sul;

10) A especulação financeira e a armadilha da dívida externa, do déficit zero.

E a comunicação alternativa que é necessária?

Tais silenciamentos históricos são os fundamentos da concentração midiática atual, seja a dos grandes meios ou da massiva, como também a da comunicação virtual que, mesmo expandindo as possibilidades de comunicação, não possui uma base produtiva tão participativa ou democrática. Assim, a produção científica e os saberes necessários ao manuseio das novas tecnologias estão, inicialmente, nas mãos de alguns. Então, o controle da situação – tanto de fabricação, quanto de uso – partem sempre de um ponto e esse ponto está naquela ponta que detém o poder econômico e cultural: ainda são da cultura e do poder econômico dominante o uso e o controle primeiro das novas tecnologias.

A incomunicação ou a falta de comunicação é, sem dúvida, o núcleo central de todas as formas de poder, que geram os autoritarismos e silenciamentos atuais. Na página 123 do livro Direito e Democracia, Habermas afirma que “os homens não podem nem interagir, nem comunicar-se discursivamente senão na perspectiva de uma ordem social não repressiva (…) a qual, precisamente, não existe, mas que tais antecipações nos autorizam a definir como possível”. Possível, pois onde há a incomunicação há, também, resistências e lutas por comunicação.

Desponta, assim, a comunicação alternativa de maneira diversificada, que força a hegemonia da incomunicação a partir de uma nova ordem produtiva, de conteúdos e de sentidos rápidos, difíceis de serem controlados.

Enfim, há diversos modos de se compreender e de se fazer comunicação alternativa, mas creio que uma pergunta pode nos ser comum: quem sou eu mediante aquilo que precisa ser feito para que exista a comunicação alternativa que acredito ser necessária?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cartas do Cárcere, Antonio Gramsci


Roma, 20 de novembro de 1926

Minha querida Iulca,

(...) Tentei imaginar como vai se desenrolar toda a vida futura de vocês, porque vou ficar certamente muito tempo sem notícias suas; e voltei a pensar no passado, nele buscando razão de força e de confiança infinita. Sou e serei forte; amo você muito e quero rever e ver nossos pequenos filhos. Preocupa-me um pouco a questão material: seu trabalho será suficiente? Penso que não seria menos digno de nós nem exagerado pedir um pouco de ajuda. Gostaria de convencê-la disto, para que você me escute e procure meus amigos. Estaria mais tranquilo e mais forte, sabendoa-a protegida contra qualquer acontecimento ruim. Minhas responsábilidades de pai sério ainda me atormentam, como pode ver.
Minha querida, não gostaria de intranquilizá-la, de modo algum: estou um pouco cansado, porque durmo pouquíssimo e, por isso, não consigo escrever tudo o que gostaria e do modo como gostaria. Quero fazer com que você sinta de modo bem forte todo o meu amor e toda a minha confiança. Abraços para toso os seus familiares; e, com a maior ternura, abraços para você e os meninos. Antonio.

(Fragmento da primeira carta escrita por Antonio Gramsci à sua esposa após ser condenado por Mussolini e preso no cárcere romano de Regina Coeli)

terça-feira, 28 de junho de 2011

A comunicação radiofônica do Movimento Sem Terra: história, panorama e desafios





RESUMO: Este artigo realiza uma discussão teórico-histórica sobre a comunicação radiofônica protagonizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Destacam-se elementos que ajudam a compreender as especificidades da comunicação radiofônica e de como elas possibilitam ao MST formas de diálogo com sua base assentada e com a sociedade. Inicialmente, reconstroem-se os elementos históricos que constituem esse fenômeno comunicacional, os quais, em seguida, articulam-se ao debate teórico de questões centrais, como: as lógicas dos usos e apropriações dessa tecnologia pelo Movimento Sem Terra e das consequentes estratégias estruturadas no debate com suas orientações político-documentais. Adiante – ancorado em aspectos históricos e contemporâneos –, apresenta-se um breve panorama da comunicação radiofônica desenvolvida pelo Movimento Sem Terra, com ênfase nas rádios Terra Livre FM, de Santa Catarina, e 25 de Maio FM, do Ceará. A partir de entrevistas com lideranças e assentados e de observação participante com os comunicadores das duas emissoras, identifica-se, enfim, que a comunicação radiofônica apresenta-se como instrumento e ator para a luta do MST. Como instrumento ou porta-voz, é apropriada como um meio a serviço da ideologia. Mas, enquanto ator, impõe algumas lógicas aos que dela se apropriam, instaurando, assim, desafios ao MST, tornando necessário o investimento em processos de ensino-aprendizagem, uma organização comunitária facilitadora da participação de sua base assentada e estratégias que assegurem ou consolidem a sua prática radiofônica como um espaço de luta contra-hegemônica.

PALAVRAS-CHAVE: Comunicação; Rádio; Movimentos Sociais; Movimento Sem Terra.

Co-autoria de Camila Bonassa

Artigo apresentado na CONFIBERCOM - Confederación Iberoamericana de Asociaciones Científicas y Académicas de la Comunicación

Versão completa com: j.educom@gmail.com

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O lugar do sujeito nas reflexões de Habermas



O lugar do sujeito no pensamento habermasiano é sempre um ponto importante de discussão. Habermas é comumente acusado de tentar revitalizar ou resgatar o sujeito racional, como o idealizado pela cultura iluminista. Há, inclusive, aqueles que o consideram um bom iluminista. No entanto, não se encontra em suas principais obras argumentos que sobrevalorizem um sujeito ou um indivíduo totalmente consciente, unificado ou racionalmente infalível. Pelo contrário, distancia-se do pensamento habermasiano a possibilidade de um sujeito auto-suficiente.

Estaria, então, a ação do sujeito destituída de intencionalidade própria e, por isso, sendo regulada por alguma estrutura ou sistema?

Versão completa com: j.educom@gmail.com

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mutirão na Rádio Santa Tereza


Em 1963, Che era um dos principais dirigentes do governo cubano, Ministro das Indústrias, viajava pelo mundo, representava seu povo e apertava a mão de presidentes. Mas, voltando a Cuba, colhia cana. Para ele, era uma forma de estimular os demais cubanos a também se dedicarem ao trabalho voluntário, uma das principais características do “homem novo”, um dos conceitos formulados por ele, que advogava a necessidade de criarmos uma nova dimensão para as relações entre os homens, baseadas na solidariedade e na justiça social

Neste sábado, vamos resgatar esta prática construindo o estúdio da futura Rádio Comunitária do Morro Santa Teresa. A concentração será às 13h em frente à Prefeitura Municipal. De lá pegaremos o ônibus Santa Teresa. Qualquer dúvida entre em contato com 9938-7862 / 91663354

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Problematizando a noção de Sujeito reflexivo de Anthony Giddens



O lugar, bem como as condições e limites do sujeito, é assunto recorrente e quase sempre polêmico em praticamente todas as teorias sociais contemporâneas. A centralidade da discussão sobre a modernidade feita por Giddens é ancorada em vários pontos, mas, sobretudo, a partir da noção de reflexividade dos agentes. Há uma tentativa de resgate do sujeito ativo, sendo ele indispensável para a construção positiva da modernidade. Ou seja, Giddens critica o sujeito estruturado e/ou subjetivo e parte para uma tentativa de resgate do sujeito através de reflexividade.

Segundo o autor, a noção de Reflexividade é inata ao sujeito, elevando, assim, tal noção ao status ontológico, sendo ela indispensável para o desenvolvimento não apenas das relações, mas de todos demais os sistemas sociais que o cercam. Em Giddens, muito mais que em Bourdieu, o sujeito reflexivo não estaria submetido a regras determinadas por alguma estrutura ou campo. No entanto,... continuação com j.educom@gmail.com

terça-feira, 31 de maio de 2011

Minicom publica a lista dos políticos donos de rádio e TVs no país



Já estão disponíveis no portal do Ministério das Comunicações os dados das outorgas de radio e teledifusão no Brasil. É a caixa-preta das telecomunicações que aos poucos vai sendo aberta.




http://www.mc.gov.br/radiodifusao/dados-de-outorga

sábado, 28 de maio de 2011

Sobrevivente do massacre de Corumbiara é morto em RO


Adelino Ramos, conhecido como Dinho, sobrevivente do Massacre de Corumbiara, ocorrido em agosto de 1995, foi assassinado nesta sexta-feira (27), por volta das 10h, em Vista Alegre do Abunã, na região da Ponta de Abunã, município de Porto Velho (RO)

Ele foi morto enquanto vendia as verduras produzidas no acampamento onde vivia. Ele foi morto por um motoqueiro, próximo ao carro da família onde estavam sua esposa e duas filhas.

Dinho vinha denunciando a ação de madeireiros na região da fronteira entre os estados de Acre, Amazônia e Rondônia. Ele e um grupo de trabalhadores reivindicavam uma área nessa região para a criação de um assentamento.

No início desse mês, o Ibama iniciou uma operação no local, onde apreendeu madeira e cabeças de gado que estavam em áreas de preservação. Segundo a CPT na região, isso leva a crer que esse tenha sido o motivo de sua morte.

Dinho vinha sendo ameaçado há anos e em reunião realizada em julho do ano passado em Manaus (AM), com o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, denunciou as ameaças contra sua vida e o risco que corria. Dinho foi líder do Movimento Camponês de Corumbiara.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sob ordem do agronegócio, Câmara aprova devastação do Código Florestal


A Câmara dos Deputados decidiu hoje que o Brasil não deve ser o país do futuro. Por 410 votos a favor e apenas 63 contra, os deputados aprovaram mudanças no Código Florestal brasileiro que comprometem a biodiversidade do país e a sustentabilidade da agricultura brasileira. “O Brasil acordou hoje com a notícia do assassinato de um defensor da floresta amazônica”, disse Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace, homenageando José Claudio Silva, líder seringueiro morto na véspera da votação na Câmara por madeireiros no Pará. “E foi dormir com a notícia de que a maioria dos nossos deputados aprova o assassinato de nossas florestas”.

Para virar lei, o texto votado na Câmara ainda precisa passar pelo crivo do Senado. Lá, quem sabe, os senadores evitarão repetir os vexames cometidos pelos deputados federais ao longo do processo que terminou com a votaçāo de hoje à noite. Desde o começo dos trabalhos de revisāo do Código, capitaneados pelo autor do projeto de mudança, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), os parlamentares escolheram um lado da questão. E o pior dos lados, o do agronegócio que desmata e abusa dos nossos recursos naturais. Cientistas e proponentes da agricultura moderna, que não mistura produção com desmatamento, mal foram ouvidos debaixo da cacofonia do interesses rurais atrasados que sequestraram a pauta ambiental do país no Congresso Nacional.

O projeto que passou na Câmara produziu o milagre de transformar uma legislação escrita para defender as florestas brasileiras em lei de incentivo à expansão desenfreada da agricultura e da pecuária. Ele premia o desmatamento, propondo a anistia a desmatadores, e incentiva a expansão sobre o que resta ao Brasil de matas nativas, reduzindo as exigências para que fazendas mantenham um percentual de seus terrenos com vegetação original e enfraquecendo a capacidade do governo central de gerir o patrimônio ambiental brasileiro.

Além de ameaçar a biodiversidade e a produtividade agrícola brasileira, comprometendo a qualidade dos recursos naturais que ela precisa para garantir sua capacidade de produção, o projeto de mudança da legislação florestal trará impactos negativos à diplomacia e economia do país. O texto aprovado pelos deputados federais tem consequência direta nos acordos feitos por grandes corporações consumidoras de produtos agrícolas brasileiros para livrar suas cadeias de custódia da mancha do desmatamento.

Ele também põe em dúvida a capacidade do Brasil de manter seus compromissos de redução de emissões de gases do efeito-estufa assumidos durante a conferência do clima de Copenhague, em dezembro de 2009. O desmatamento é o principal responsável pela posição de destaque do Brasil no ranking dos países que mais contribuem para o aquecimento global (é o quinto maior emissor de gases-estufa). E depois de uma tendência de queda das taxas de derrubada na Amazônia nos últimos cinco anos, ele voltou a subir na região.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgou na semana passada que o desmatamento na Amazônia em abril havia sido 570% maior do que o registrado no mesmo mês do ano passado. “Há uma clara corrida pelo desmatamento incentivada pelas modificações efetuadas no código”, diz Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace. “Quem está em campo sabe que essa explosão do desmatamento não é comum nessa época. A devastação geralmente começa no período da seca.”

A votação na Câmara Federal joga os holofotes da questão ambiental no Brasil para cima da presidente Dilma Roussef. Ela prometeu, durante a campanha eleitoral no ano passado, que vetaria qualquer legislação que implicasse em aumento do desmatamento ou anistia a desmatadores. Também assegurou que não recuaria do compromisso assumido pelo seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80%. Mas seu governo praticamente lavou as māos em relação ao que aconteceu na Câmara.

A decisão dos deputados de atropelar os compromissos do governo federal colocam em questão a credibilidade do país para sediar, no ano que vem, a Rio + 20. “A capacidade do Brasil de liderar uma ação global contra o desmatamento e as mudanças climáticas está sob sérias dúvidas”, diz Adario. “Se Dilma não agir para influenciar as decisões do Congresso no sentido de manter a proteção à nossa biodiversidade, seu governo terá sucumbido aos interesses do agronegócio, comprometendo a posição internacional do país”.

domingo, 15 de maio de 2011

Chapecoense derruba previsão da RBS-SC


Chapecoense derrubou a opinião dos que se autodenominam os gurus do esporte catarinense.


A soberania do Grupo RBS foi ferida neste último final de semana. O franco atirador: Chapecoense, time do oeste e campeão catarinense 2011. Considerada o deus Hermes por muitos sulistas – o deus mensageiro dos demais deuses - o referido grupo multimidiático passou batido e nem de raspão emplacou as previsões feitas no início e durante o campeonato estadual.

Seus jornalistas, radialistas e palpiteiros esportivos anunciavam, desde Floripa, que o título dificilmente escaparia do litoral. Tiro pela culatra. Na teletransmissão da grande final, o comentarista do grupo Sirotsky deixou escapar várias expressões: "poucos esperavam esse resultado"; "o futebol do oeste surpreendeu", “as previsões não apontavam nessa direção”.

Isso nos dá margem para questionarmos a credibilidade de uma rede de comunicação que, discursivamente, diz-se catarinense, mas que na prática não se sustenta. A sua falta de pontaria nos palpites esportivos é revelador de outro problema: a prática jornalística distante dos contextos, que ocasiona a disseminação de informações atropeladas e pouco investigativas.

Exemplos são encontrados facilmente. Basta folhearmos as páginas do Diário Catarinense para encontrarmos a superioridade de matérias sobre o litoral em detrimento das outras regiões do estado. Diário Catarinense? A título de ilustração, o referido grupo midiático também é proprietário do Jornal de Santa Catarina, que, na realidade, é o jornal de Blumenau. Como morador do meio-oeste, jamais encontrei, se quer, um “Jornal de Santa Catarina” circulando pela minha cidade. Santa Catarina é, geograficamente, um dos menores estados do país e poderá ficar ainda menor se os jornais do grupo RBS não ampliarem a sua prática jornalística às demais regiões do estado.

Não dá para generalizar. O extremo e o meio-oeste aparecem lá pelas tantas; em matérias miúdas; nas páginas policiais; quando a divisão do prêmio da mega-sena vai parar na delegacia; quando OVNIS são flagrados sobrevoando a região; etc. na mesma direção, a região serrana é capa de jornal quando a festa do pinhão se aproxima ou quando os termômetros de Lages ganham dos de São Joaquim ou dos da Serra Gaúcha. As regiões oeste e meio-catarinense são para a RBS eventos fora de época ou visíveis apenas quando algo de inesperado por ali acontece.
Por um momento, até achei que este argumento estaria superado. Na semana que antecedeu o dia das mães, deparei-me com uma considerável reportagem sobre a região meio oeste. Miragem. Nada de novo, pois o teor da cuja reportagem versava sobre o grande índice de mortes ocorridas nas rodovias de Lebom Régis e Joaçaba.

Mortes, polícia, acidentes, enchentes e, logo mais com a estiagem, novos retratos cumprirão a obrigação de se falar da outra ponta do Estado. Não dá para se generalizar, pois, de vez em quando, alguma notícia menos negativa é veiculada. Mas em comparação com totalidade, a mesma se torna exceção que apenas confirma a regra: o oeste e o meio oeste catarinense são matéria prima de segunda, necessária para esquentar o investimento publicitário de algumas empresas.

Antigamente havia certo contraponto feito pelo jornal À Noticia. Mas, quando se tornou ameaça comercial para os cofres da grande rede, logo foi comprado, tornando-se, hoje, o filhinho pródigo da grande rede. O mesmo ocorreu com a extinta TV Catarinense, que acabou abaixando a antena, tornando-se mais uma sucursal da bendita rede. Ou seja, mais uma sucursal que pouco infere na cobertura final, pois as pautas são definidas pela central lageana e supervisionadas pela equipe jornalística lá do litoral.

Tudo bem, até poderemos usar o argumento de que a RBS possui sucursais em Chapecó e em Lages, mas o que há de ser questionado é o grau de representatividade ou de qualidade dos conteúdos produzidos em detrimento das gerencias editoriais que se localizam desde a grande mãe Rede Globo, o grande pai RBS-Porto Alegre e a filha bastarda RBS-Florianópolis. Ou seja, nesse processo mais ou menos vertical, a produção informacional local fica comprometida e descaracterizada. Qual o programa local realizado pelas sucursais do interior do Estado? Programa Patrola de Poa/Floripa? Galpão Crioulo da família Fagundes e de seus convidados?

Enfim, parabéns ao time da Chapecoense, que forçou a hegemonia da baita rede; esverdeou as páginas dos seus jornais na segunda-feira e derrubou a opinião dos que se autodenominam os gurus do esporte catarinense. Mas para isso precisou ser campeão; ser extraordinário, caso contrário, nada seria para a rotina produtiva de uma rede que se diz catarinense.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

GRUPO RBS e Grizotti são condenados por informações inexatas



Ação envolve publicação de matérias sobre uma rádio comunitária

O repórter Giovani Grizotti, a RBS TV Porto Alegre e a Zero Hora Editora Jornalística foram condenados a pagar R$ 15 mil de indenização ao Conselho Cultural e Artístico Pedras Brancas (de Guaíba-RS) e a seu dirigente Walter Luis Lopes, por publicarem matérias com informações inexatas sobre uma rádio comunitária. Conforme divulgado no site Espaço Vital, a sentença foi dada pelo juiz Giovanni Conti, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, na última semana. Ainda cabem recursos de apelação ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS).

Em 2007, os réus publicaram nas mídias impressa e televisiva reportagens informando que o empreendimento Rádio Jovem Comunitária de Guaíba era uma rádio pirata. Segundo o processo, foi mencionado nas publicações que as atividades de trabalho de Walter Luis Lopes teriam ligações com atividades criminosas. Conforme os denunciantes, "o segundo autor detinha pedido de licenciamento junto à Anatel desde o ano de 2001, sendo que, na época da reportagem, a rádio sequer estava funcionando". Eles reforçaram que "são falsas as afirmativas, uma vez que os autores não emitiam ondas sonoras impróprias, como foi dito nas reportagens".

A contestação dos réus sustentou que as matérias "limitaram-se a noticiar um acontecimento verídico: existência de rádios ilegais que interferem na comunicação entre pilotos e torres de controle de aeroportos brasileiros e o fechamento de transmissora clandestina em Guaíba, pela Anatel". Ainda foi afirmado que "as reportagens foram feitas a partir de informações prestadas pela Anatel e pela Polícia Federal".

Na sentença, o juiz Conti dispôs que "os autores da ação lograram êxito em comprovar que tinham um processo no Ministério das Comunicações de pedido de licenciamento para regularizar a execução de serviço de radiofusão comunitária em Guaíba”. Conforme Conti, no momento da reportagem, os equipamentos da rádio estavam lacrados, devido à espera da autorização oficial e, não pela alegação de que a frequência utilizada pela rádio prejudicava a comunicação entre pilotos de aviões e controladores de voo do Aeroporto Salgado Filh. O magistrado também ressaltou que a liberdade de imprensa quando exercida abusivamente, "haverá de ocasionar a necessidade de reparação no âmbito da responsabilidade civil".

A sentença também condena a emissora de televisão e o jornal "a retratarem os danos, no mesmo jornal ou periódico, no mesmo local, com os mesmos caracteres e sob a mesma epígrafe; ou na mesma estação e programa ou horário".

terça-feira, 26 de abril de 2011

CHERNOBYL, 25 ANOS: Mortes podem chegar a 100 mil


A dimensão da tragédia é maior do que assistimos ou imaginamos.

O dia 26 de abril de 1986 será lembrado para sempre. Passados 25 anos, Chernobyl é o pior acidente nuclear registrado na história da humanidade, pois as consequências, além das inúmeras vidas ceifadas naquele momento, também se prolongam na vida dos sobreviventes. Muitos deles continuam sobrevivendo em condições subumanas, convivendo com doenças e demais problemas causados pela irradiação nuclear.

Não há dúvida de que esta data condenou para sempre a vida daquele povo. Cientistas afirmam que as consequências da explosão poderiam ser menores se as autoridades não tivessem demorado tanto em avisar a população para que deixasse o local. Além disso, um exército de operários, sem equipamento apropriado, passou seis meses construindo uma estrutura de isolamento sobre o reator. Nenhum trabalhador sobreviveu.

É difícil de imaginar que as invenções humanas possam trazer consequências para uma vida inteira, destruindo e causando dor mesmo depois de 25 anos de seu ocorrido. A dimensão da tragédia é maior do que assistimos ou imaginamos. Ela devastou, além de corpos, os sonhos do povo ucraniano de maneira irreversível e cruel. Os doentes, vítimas da irresponsabilidade das autoridades, carregam em si a marca da destruição radioativa que se torna o estigma de um dia que jamais terminou.

O tamanho real da tragédia

Um estudo realizado pelo Greenpeace aponta que as mortes ocorridas nesse desastre, na Ucrânia, na Belarus e na Rússia, chegam a 100 mil. No entanto, autoridades locais ainda manipulam os dados ao insistirem que o número de vítimas não ultrapassou a marca de 15 mil pessoas. No mês em que se completam os 25 anos do desastre, o cenário nos arredores da usina nuclear é horrível. Não há vegetação ou qualquer possibilidade de sobrevivência humana, animal e vegetal.

O relatório "As consequências na saúde humana da catástrofe de Chernobyl" revela que nos últimos 15 anos 60 mil pessoas já morreram na Rússia. Este mesmo relatório ainda evidencia que a radiação é responsável pelo aumento do número de casos de câncer, de doenças cardiovasculares e de afecções nos sistemas imunológico e endócrino que têm ocasionado aumento da taxa de envelhecimento populacional. Ocorreu também o aumento do número de malformações fetais, mutações cromossômicas e doenças psicológicas. Outros efeitos drásticos ainda afetam a economia local. Mais de 300 mil famílias perderam suas terras ou foram remanejadas para áreas improdutivas.

Não é novidade que a imprensa local, subsidiada por multinacionais interessadas na reativação de novos reatores, tenta esconder os fatos, sobretudo os de que, mesmo após 25 anos do desastre, a presença da radioatividade nuclear na usina está 10 vezes acima do permitido. A desinformação é, segundo relatórios científicos, um dos fatos que contribuem para o agravamento da situação.

Pesadelo criado pelo homem

A catástrofe ocorrida em Chernobyl chocou o mundo e colocou em pauta a questão do perigo das usinas nucleares: a irresponsável ambição humana construiu o que destrói milhares de vidas em apenas algumas horas. Porém, depois de Chernobyl continuaram a investir em usinas nucleares mesmo sabendo dos graves riscos às pessoas. O acidente nuclear destrói vidas, sonhos e transforma tudo em um pesadelo sem fim. O perigo representado pelas usinas nucleares e o risco de contaminação por meio da radiação é grande. Então, qual é objetivo de se investir algo tão destrutivo?

Neste ano, podemos conferir mais um caso desastroso de acidente na usina nuclear de Fukushima, Tokyo Eletric Power (Tepco) no Japão, que resultou em 13.590 mil mortos e 14.447 desaparecidos. Embora este desastre com a operadora nuclear não tenha a mesma proporção de destruição de Chernobyl, acabou despertando a "radiofobia" (medo de ser contaminado por material radioativo) no mundo inteiro. Devido às emissões radioativas, milhares de famílias japonesas tiveram de deixar suas casas. Nem a água potável sobrou, evidenciando o quanto é frágil e perigosa a estrutura de uma operadora nuclear.

O homem é um ser criativo. Constrói milhares de coisas, mas a ambição e a ganância por dinheiro e sucesso individual ocasionam efeitos diretamente devastadores na vida de outras pessoas. Chernobyl e Fukushima deixam um desastroso legado à humanidade: recém-nascidos deformados, proliferação de doenças terríveis e outras somas de dor sem fim. Não há sentimento ou atitude política e econômica capaz de reparar as vidas perdidas. Esta data também serve pra relembrarmos o quanto é ínfimo e limitado o poder humano. É o resultado de um egoísmo cruel, que levou milhares de vidas em troca da acumulação de riqueza. O dia 26 de abril de 2011 marca os 25 anos de um pesadelo criado pelo homem. Pesadelo pensado e mantido por uma inconsequência que ignorou as vidas que estão ao seu lado. A chama devastadora de Chernobyl permanece na lembrança e aprisiona consigo a vida e a morte de suas vítimas.

Por Éderson Silva e Joel Felipe Guindani. Publicado em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=639JDB010

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O lugar do sujeito-ação nas reflexões de Pierre Bourdieu



Remonta aos pré-socráticos a discussão sobre lugar do sujeito no mundo. Para Parmênides (492 a.C), o sujeito é o centro e decide sobre o sentido do mundo, quer dizer, “o homem é a medida de todas as coisas” e a ele cabe a ação de revelar aquilo que o cerca. Do outro lado está Heráclito (470 a.C), para o qual a constituição do sujeito e do mundo está sempre em movimento e em relação, pois nada pode existir sem o seu outro. Ou seja, nada existiria se não existisse, ao mesmo tempo, o seu oposto. Heráclito desenvolve sua teoria em oposição a Parmênides (460 a.C), o qual defende a unidade do mundo e do Ser. Parmênides exclui qualquer realidade externa à constituição do Ser, pois, delegar a origem do Ser para algo fora si implicaria na aceitação da existência de outro Ser.

Este retorno aos pré-socráticos nos ajuda a compreender que a reflexão sobre a noção de sujeito é antiga e nada simples. Assim, este breve ensaio reflete sobre o lugar do sujeito-ação no pensamento de Pierre Bourdieu, sobretudo, a partir de algumas noções por ele desenvolvidas, como as de campo, habitus, jogo, capitais, poder simbólico e distinção.

Alguns questionamentos são centrais para a compreensão desse problema: Em que medida a ação do sujeito está mais relacionada à estrutura do que consigo mesmo? A ação do sujeito é estabelecida pela estrutura ou motivada por definições próprias? O sujeito está submetido ao destino do coletivo ou age enquanto entidade unificada e independente?

Versão completa com: j.educom@gmail.com

sábado, 16 de abril de 2011

RÁDIO VOZ DA TERRA NO AR


Aos que ainda lutam, eis a conquista e recompensa!!! Improvisada no recanto da casa de um comunicador, a Rádio Voz da Terra FM é a mais nova emissora que rompe com as cercas da comunicação. Localizada na região centro oeste de Santa Catarina, a Voz da Terra ainda opera esporádicamente. Segundo um dos comunicadores, a programação deverá ser diária, principalmente quando a sede estiver construída. Ao lado de sua irmã Terra Livre FM, a Voz da Terra é a segunda rádio localizada em assentamentos do MST no estado catarinense.


terça-feira, 12 de abril de 2011

O sensacionalismo é a alma do negócio



O sensacionalismo é marca inevitável do jornalismo brasileiro? Não gostaríamos de generalizar, mas a resposta não se cala na quase totalidade dos veículos comerciais impressos, radiofônicos ou televisivos. É nesses espaços onde o fazer jornalístico exprime seus conteúdos ágeis e brandos, quase sempre motivados pela filosofia capitalista da “maior produção no menor tempo”. Esse jornalismo de revoada - produzido a partir de flanagens rápidas sob os fatos – também nos instiga a alguns questionamentos sobre a própria atuação do jornalista, que imerso na roda alucinante da produção quantitativa, muitas vezes obriga-se a sensacionalizar fatos em troca da estabilidade profissional. A grande parte das ações desse jornalista é comandada pelas regras comerciais do campo publicitário, onde a produção, a compra e a venda se aliam a um vasto público receptor que reclama, consome e descarta cada vez mais num tempo menor.

Para onde vai a possível alma do “fazer jornalismo-jornalista”? Eduardo Galeano em “O livro dos abraços” nos oferece boas pistas para esta questão:

“Me faz bem recordar uma lição de dignidade da arte que recebi há anos, num teatro de Assis, na Itália. Helena e eu tínhamos ido ver um espetáculo de pantomima, e não havia ninguém. Ela e eu éramos os únicos espectadores. Quando a luz se apagou, juntaram-se a nós o lanterninha e a mulher da bilheteria. E, no entanto, os atores, mais numerosos que o público, trabalharam naquela noite como se estivessem vivendo a glória de uma estréia com lotação esgotada. Fizeram sua tarefa entregando-se inteiros, com tudo, com alma e vida; e foi uma maravilha. Nossos aplausos ressoaram na solidão da sala. Nós aplaudimos até esfolar as mãos.”


Não há dúvida de que o sensacionalismo constitui boa parte da prática jornalístico-comercial contemporânea. Quer dizer, o fazer jornalístico é quase sempre precedido pela necessidade de sedução em massa. A estética, e não mais a política ou a cultura, é a isca utilizada para atrair e fisgar o receptor. O “caso do Realengo”, no Rio de Janeiro é prova atualizada dessa prática jornalística. Primeiro a notícia – nada mais do que necessária -, mas depois as estratégias de retransmissão e reconstrução do fato a partir das táticas sensacionalistas. Por exemplo, no segundo dia de cobertura do acontecimento, a pergunta mais utilizada pelos repórteres foi: “Como mãe de uma das vítimas, qual é o seu sentimento”? Ou seja, nada de espaço para o debate político, sociológico e até mesmo econômico da questão. Para esse fazer jornalístico, os contextos do crime dizem respeito apenas ao fato, ao sujeito, ao número de balas utilizadas. Quer dizer, nada de conteúdo que articule tais particularidades a uma estrutura de sociedade, que exige dos sujeitos a competitividade, a distinção, o poder a partir da aniquilação do outro.

Esse jornalismo da sedução, do “fazer por fazer”, que condiz com o hábito de produzir em troca de audiência ou do patrocínio também compromete o seu precioso argumento: "a imprensa apenas reproduz fatos; apenas os relata de maneira imparcial.” Quer dizer, prova contrária a esse mandamento do jornalismo factual é a onda sensacionalista que permeia o chamado novo jornalismo, o da emoção contínua, das construções descontextualizadas e das reportagens requentadas - como foi a do jornal gaúcho Zero Hora sobre o MST -; das produções com a câmera escondida ou através de outras desonestas habilidades.

O sensacionalismo toma conta?

Não dá para duvidar. O jornalismo comercial, valendo-se do sensacionalismo produz o preconceito, a desinformação e a intensificação do sofrimento, tanto das pessoas que serviram de matéria-prima à produção, como para os diversos receptores que a consumiram. Assim, quem sofre mais com o sensacionalismo, o jornalismo, o receptor ou suas vítimas mediatizadas?

Todos pagam o preço?

Em grande medida, o jornalismo sensacionalista induz a prática de novos crimes, pois ao hiper-escancarar a face do criminoso e do episódio, também banaliza os fenômenos da criminalidade. Aparecer no Jornal Nacional por mais de 15 minutos – ou até mesmo em edições inteiras - é para poucos, alegram-se traficantes e demais políticos, que fazem desse jornalismo espaço de projeção e de reconhecimento social. O jornalismo sensacionalista tem contribuído com o agravamento das situações relacionadas ao mundo do crime?
Dentre inúmeros exemplos, o caso de suicídio da atriz Leila Lopes é revelador. A fatalidade foi publicada até pelo avesso. Ou seja, até mesmo as versões de o que seria dela sem ter cometido suicídio foram matéria para uma edição inteira do “Mais você”, apresentado em alto astral por Ana Maria Braga. Outras reportagens sobre o caso Leila Lopes foram a fundo, explicitando as fotos do frasco de veneno, o nome do veneno, a carta de despedida por ela deixada, as simulações do ato, dentre inúmeras outras encenações ou dramaturgias possíveis.
Seria possível pensar o jornalismo como uma prática imune à (re)produção desses horríveis episódios? Será apenas idealização a possibilidade de um jornalismo que informe sem agredir ninguém? Cremos que essa possibilidade se afasta enquanto o jornalismo for simplesmente uma prática guiada pela guerra por audiência ou pela lei das vendagens ilimitadas. Vale à pena subsumir uma possível ética existente em detrimento da conquista de audiências massivas e lucrativas?
Não poderíamos deixar de fora o jornalismo comercial que produz o sensacionalismo ao se pretender popular, como aquele que incorpora o hábito da voz alternativa e, tal como manda o figurino, atua como representante do povo, autodenominando-se o pai dos desvalidos. Mas nos bastidores se enriquece nas costas da desgraça e do sofrimento alheio. É assim que o jornalismo sensacionalista vende a sua verdade ilusória, especialmente quando se diz a salvação ou o porta-voz de todos os problemas sociais.

No Rio Grande do Sul, a última feita do Jornal Zero Hora, do Grupo RBS/Globo, foi emitir juízos sobre a questão da Reforma agrária. Trata-se de uma reportagem dominical, muito bem colorida e ilustrada, mas superficial em conteúdo. Sua base argumentativa é branda, apresentando dados quantitativos questionáveis, regionalizados e descontextualizados de outros fatores que compõe o complexo e histórico problema Agrário. Tal reportagem, embalada pela agenda do Abril Vermelho, é a prova de um jornalismo nada criativo; que sobrevive de pautas requentadas; que sensacionaliza vidas marginalizadas e que de alma ou de sensibilidade pouco possui ou nada entende.


Co-autoria de Éderson Silva - Graduando em Jornalismo na Unisinos

quarta-feira, 6 de abril de 2011

I Fórum da Igualdade


A CUT-RS e a Coordenação dos Movimentos Sociais do Rio Grande do Sul realizarão o “I Fórum da Igualdade: uma outra comunicação é necessária” nos dias 11 e 12 de abril de 2011, no Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa/RS. Nesta primeira edição, o Fórum da Igualdade debaterá a democratização dos meios de comunicação e o marco regulatório. O evento tem como objetivo ser um contraponto ao Fórum da Liberdade.

A democratização da comunicação, a liberdade de expressão e o fim do monopólio dos meios de comunicação no Brasil serão temas a serem debatidos pelos painelistas. Além disso, serão discutidos temas como o marco regulatório para o setor de comunicação no país e a implantação dos Conselhos Estaduais de Comunicação.

Para a CUT-RS é urgente a atualização da legislação para assegurar a liberdade de expressão e a democratização do direito à comunicação. Segundo o presidente da CUT, Celso Woyciechowski, “Estamos muito atrasados nos aspectos da comunicação no Brasil. Temos uma legislação que data de 1962. Desde então, ocorreram profundas transformações no campo das comunicações no Brasil e no mundo e não podemos mais permanecer assim”.

A partir de uma nova legislação, construiremos um projeto de lei que tramite pelo Congresso Nacional, seguindo todas as instâncias legítimas e democráticas que a sociedade brasileira acata e respeita. Regulação representa desenvolvimento, informação, igualdade a diversidade regional e respeito às minorias. Para tanto, a Central Única dos Trabalhadores está convidando painelistas e debatedores de renome nacional e internacional para contribuir com o debate proposto nesta primeira edição.

Confira a programação:

http://www.forumdaigualdade.org.br/

domingo, 3 de abril de 2011

A cidadania comunicativa na escola: um estudo do projeto Alunos em Rede - Mídias Escolares


Resumo: Este artigo objetiva problematizar/compreender as formas de construção e exercício da cidadania comunicativa a partir das práticas comunicacionais, sobretudo a de rádio-escola. Trata-se de um estudo empírico sobre o projeto “Alunos em Rede - Mídias Escolares” - protagonizado por alunos(as) do ensino fundamental do município de Porto Alegre (RS). A partir da reflexão sobre a relação comunicação, cidadania e educação, o estudo identificou que a noção cidadania comunicativa é constituída na medida em que se concretizam e se ampliam as possibilidades de acesso, de apropriação e dos usos das tecnologias, de maneira especial a radiofônica; da mediação dos poderes municipal legislativo e executivo; das dinâmicas pedagógicas subsidiadas pela colaboração solidária entre professores e alunos(as) e dos espaços de produção e de veiculação dos conteúdos produzidos.
PALAVRAS-CHAVE: Cidadania; Comunicação; Educação;
Artigo submetido ao Intercom regional Sul

Autores: Joel F. Guindani, Franciele Zarpelon e Valdir J. Morigi
Versão completa com: j.educom@gmail.com

quinta-feira, 31 de março de 2011

Diante da concentração dos meios de comunicação, o que nos resta? Meter a mão


Sábado (2/4) será um dia muito especial. Neste dia iniciará a construção (literalmente!) de uma rádio comunitária. Essa rádio, que ainda não foi batizada, será no Morro Santa Teresa. Queremos te convidar para ajudar nesta empreitada. Primeiramente, carregaremos os materiais da rua para o terreno, em seguida começaremos a construir uma ideia de rádio comunitária. Para a segunda parte, contaremos com o auxílio de Beliza Lopes (comunicadora da Rádio Comunitária de Encruzilhada do Sul) e Doraci Engel (comunicador da Rádio Ipanema Comunitária), ambos ligados à Abraço (Associação Brasileira das Rádios Comunitárias).

Atenção: se chover o mutirão será cancelado e o debate iniciará às 14h. Pedimos que confirmem presença.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ciro Marcondes Filho ministra aula inaugural na Unisinos

Com um discurso objetivo e ideias construídas a partir de esclarecimentos conceituais sobre a comunicação, o professor Doutor Ciro Marcondes Filho, da Universidade de São Paulo, escrutinou o ano letivo do Programa de Pós-Graduação em Ciências da comunicação da Unisinos com a tese de que "a comunicação não é uma ciência aplicada". Seus argumentos explanaram que a pesquisa em comunicação realizada no Brasil é pouco reconhecida no exterior. Isso, para Marcondes Filho, deve-se a dois fatores. O primeiro é o desconhecimento dos pesquisadores estrangeiros sobre os trabalhos desenvolvidos em nosso país e o segundo é a falta de originalidade investigativa dos pesquisadores brasileiros.

A falta de originalidade amarra-se, em seu discursos, na incapacidade da pesquisa em comunicação brasileira romper com os paradigmas consagrados, sobretudo, com os métodos investigativos, que segundo ele, contaminam a natureza fenomenológica do objeto. "Devemos seguir o objeto, observá-lo e registrá-lo, dizer o que você viu, sem a preocupação de dar respostas ou de dizer o que se deve ou não se deve no modo de abordá-lo". Destaca.

Ao final, Marcondes revela seu guia investigativo fenomenológico: o Metaporos. Não sendo um método, como o usualmente construído e utilizado pelas ciências tradicionais, o Metaporos está aberto às definições do movimento objetal e não se incumbe de síntese ou de uma narrativa que cerque ou impossibilite a sua livre manifestação e apreensão.

Essas afirmações provocaram um rico debate de consensos e de insatisfações. Como o campo da comunicação terá legitimidade social e científica se ele inutilizar a matriz histórico-geradora e organizativa de todas as ciências que é o método?

quinta-feira, 17 de março de 2011

OS PROCESSOS COMUNICACIONAIS NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA DOS QUILOMBOLAS


Resumo: O artigo parte do princípio de que os processos comunicacionais são fundamentais para a construção e ampliação da cidadania como forma de emancipação social. Identifica os processos comunicacionais na comunidade quilombola, analisando como eles realizam a construção da cidadania junto às manifestações socioculturais locais. O estudo foi realizado em 2010 na comunidade rural Campina de Pedra, localizada no município de Poconé, Mato Grosso. Através de entrevistas e de observação participante com os remanescentes do quilombo foi possível perceber os processos comunicacionais na constituição da cidadania enquanto práticas da vida coletiva, que envolvem o reconhecimento da identidade do grupo, a participação comunitária, o fortalecimento de diversas experiências que preservam as tradições e que fazem avançar ações emancipadoras mediante as novas formas de regulação social.
Palavras-Chave: Cidadania 1. Processos comunicacionais 2. Quilombola 3.

Por: Joel F. Guindani; Cristóvão D. de Almeida; Valdir J. Morigi

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

E O RÁDIO? Novos horizontes midiáticos


E o rádio? Novos horizonte midiáticos, organizado pelos professores Luiz Artur Ferraretto e Luciano Klöckner, é mais um fruto do interesse manifesto do grupo pelos estudos sobre esse meio de comunicação fascinante. Há contribuições de 11 estados, mais o Distrito Federal, que abrangem um conjunto de assuntos agrupados neste volume em oito seções temáticas: a primeira é sobre história e a última trata do futuro, das tendências, da geração digital. No meio desses dois vértices estão artigos sobre ensino, emissoras e ouvintes, criatividade sonora, publicidade e programas.

São relatos de pesquisa ou textos motivados pela própria publicação, sempre conduzidos por um ponto em comum: o entendimento da característica plural do rádio. E, também da sua onipresença que o faz mais atual do que nunca, como atesta a sua versão na web e nos celulares. Como diz Castells (2007:395), “a tecnologia de comunicação móvel tem poderosos efeitos sociais ao generalizar e aprofundar a lógica em rede que define a experiência humana do nosso tempo”. Este livro comprova a peculiaridade do rádio que, democrático na sua origem, influencia gerações de pesquisadores que contribuem para o progresso do próprio campo científico.

Doris Fagundes Haussen (PUCRS) e Sonia Virgínia Moreira (UERJ)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A história da Comunicação popular e alternativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra


Resumo: O artigo resgata o trajeto histórico da comunicação popular e alternativa desenvolvida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao longo dos seus 27 anos. Propõe formas de abordagem sobre o fenômeno, identificando suas possibilidades mediante as novas ofensivas da comunicação hegemônica. Primeiro, realiza-se uma delimitação teórica sobre a noção de comunicação popular e alternativa, relacionando-a como ação contra-hegemônica. Num segundo momento, articula-se tal conceituação com a experiência comunicacional protagonizada pelo Setor de Comunicação do MST, que é plural e não se limita apenas a algumas mídias - como rádios, jornais, revista, audiovisual, editora, portal na internet, Twiter -, mas, também, com outras experiências, como: simbólico-icônica, gritos de ordem, celebrações culturais, marchas, festivais de música e poesia, assessoria de imprensa, cursos formativos e documentos sobre comunicação. O estudo foi realizado nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2011 e contou com análise documental, pesquisa participante, entrevistas com lideranças, agricultores assentados e militantes.

Palavras-chave: História; Comunicação popular e alternativa; Movimento Sem Terra; Hegemonia.

Co-autoria de Solange Engelmann

Versão completa em: j.educom@gmail.com

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

“Sem comunicação não há democracia”


Entrevista com a Filósofa Marilena Chauí
Tatiana Merlino – Em 2006, a senhora ficou profundamente descontente com a postura da mídia durante o período eleitoral, e agora a imprensa teve novamente um comportamento bem complicado. A gente queria que a senhora começasse falando sobre a sua avaliação da cobertura da mídia nas eleições presidenciais.

Marilena Chauí – Eu diria que não houve cobertura. Houve a produção midiática da campanha eleitoral e das eleições. Cobertura significaria mostrar o que efetivamente estava se passando no primeiro turno com todos os candidatos e no segundo turno com os dois candidatos que restaram. E não foi isso que aconteceu. A candidata Dilma não teve em instante nenhum a sua campanha coberta pela mídia. Ela teve a sua campanha ou ignorada, ou deformada ou criminalizada. E do lado do candidato Serra, também não houve uma cobertura da campanha dele. Porque se tivesse havido uma cobertura da campanha dele, o que a mídia deveria ter mostrado? Essa coisa extraordinária que eu nunca vi acontecer em lugar nenhum de um candidato se autodestruir. Primeiro, o vice, ele não conseguiu escolher o vice e depois deu uma escolha que não foi feita por ele e insignificante. Em seguida, ele começa a campanha descendo a lenha no governo Lula, o qual, entretanto, numa pesquisa de opinião, tinha tido quase 90% de ótimo e bom, e, provavelmente, as pessoas que acompanhavam o programa do Serra, aquelas que opinam, devem ter dito que não era uma boa, aí ele passou a dizer que ia fazer o que o Lula estava fazendo, mas melhor. Aí, quando ele começou a explicar o que era melhor, começou a fazer propostas completamente alucinadas, foi uma alucinação que ele propôs. Bom, mas quando nós chegamos nesse ponto, você tem a entrada em cena do segundo turno. Ora, na hora que entra em cena o segundo turno, o que é que vem como uma avalanche? O famoso dossiê. O dossiê que foi atribuído ao PT, disseram que a Dilma tinha mandado fazer, que foi o famoso dossiê que o Aécio fez. Foi o dossiê que invadiu todos os planos da vida do Serra, e mais, atingiu diretamente a filha dele, que eles tinham dito que o PT que tinha violado a menina, a Verônica. Foi uma completa produção do Aécio, em Minas. Ora, isto que destruiria qualquer candidatura em qualquer tempo e lugar, o servilismo da mídia foi tal, que isto, ou não apareceu, ou apareceu em pequenas notícias e de uma maneira tão confusa que ninguém sabia do que se tratava. E, depois, quando entrou em cena o aborto, em primeiro lugar a mídia nunca disse que quem introduziu o tema do aborto foi a Marina, que fez um discurso conservador dos evangélicos para os evangélicos, introduziu os temas religiosos e o tema do aborto. Como ela não entra no segundo turno, o Serra se apropria desse tema. Ora, uma imprensa que está defendendo a liberdade de expressão, que está defendendo o espaço público, que está defendendo a opinião pública, está defendendo a liberdade de pensamento, como é que ela pode embarcar na entrada em cena como tema eleitoral de uma questão que pertence ao espaço privado, e é uma questão de religião, que é o aborto? A plena cobertura que foi dada a isso, contradizendo o próprio significado daquilo que a imprensa deveria de entender por coisa pública, espaço público, opinião pública e liberdade de pensamento e de expressão!

Bom, então, depois, no caso da Dilma, é mais interessante do que a não cobertura da campanha do Serra, porque no caso da Dilma, tentou-se primeiro a guerrilheira. É a guerrilheira, a guerrilheira... E eu tinha dito a uns amigos, este é um caminho perigoso. É um caminho perigoso, porque, em termos de história pessoal, é muito paralela à história do próprio Serra. Se você pega o comício dos cem mil, no Rio [de Janeiro], em 1961, o discurso mais radical do comício não foi o do Jango, não foi o do Brizola, não foi o do Julião, foi o do Serra como presidente da UNE. Ele fez o discurso afirmando... o núcleo do discurso do Serra em 1961 foi revolução armada. Então, eu dizia [é] um perigo, porque se eles enveredarem pela figura da Dilma guerrilheira, eles vão ter que dizer que o Serra pregou em 1961 para cem mil brasileiros a revolução armada.

Tatiana Merlino – A senhora acha que foi diferente essa cobertura da cobertura de 2006 e da cobertura de 1989? O que há de diferente?

M.C. – Eu acho que a diferença não é de natureza, a diferença é de grau. Eu diria que, desta vez, tudo aquilo que se realizou num grau um pouco menor, um pouco mais prudente, desta vez, o véu caiu de uma vez só e atingiu o grau máximo de procedimento. Então, eu diria, não é diferente se eu considerar o modo de proceder, mas é diferente se eu considerar o grau em que isto foi feito.

Versão completa em:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=624JDB008

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A arriscada missão de informar


A vida de Herzog é referência para a democracia e sua morte uma evidência dos limites e consequências da profissão.
O jornalismo é uma atividade onde o profissional deixa muito de si para a produção de boas matérias. Ou seja, trata-se de uma área que exige, incessantemente, certa doação e entrega deste profissional. Em nome do direito e do dever de informar a sociedade sobre os graves casos de homicídios, exploração sexual, tráfico de drogas, pedofilia e demais temas que constituem a realidade cotidiana, o jornalista investigativo, usando de sua especialidade – e, por vezes, auto-suficiência – ultrapassa alguns limites e cria certo abismo entre a profissão e a sua condição humana.

A rotina de um repórter é desafiadora, pois envolve investigação, escrita e reescrita, entrevistas, coleta de dados e a divulgação daquilo que ocorre em lugares de alto risco. Assim, o "tornar público" é apenas uma parte da atividade. Esta rotina, que envolve o contato com a dura realidade brasileira, choca-se com a condição humana do jornalista. Munidos de câmeras e demais equipamentos, muitos repórteres ocupam territórios dominados por poderes cruéis e ditatoriais, de traficantes de drogas, políticos corruptos e outros criminosos que em nada prezam pela vida. Para fazer esta mediação ou para cumprirem a missão de informar, alguns jornalistas doam-se em prol da causa social e em defesa dos mais fracos. Nesta atitude, colocam sobre si responsabilidades que excedem a tarefa jornalística.

Este comportamento ilustra-se no ditado: "O médico pensa que é Deus, o jornalista tem certeza." Nesta incessante busca por certeza, cremos que o profissional não pode colocar o jornalismo à frente de sua vida. O repórter deve seguir princípios guiados por uma reflexão do trabalho jornalístico, que é a incansável perseguição pela objetividade dos fatos. Mas, em contrapartida, existe sua condição humana, das relações familiares e do desejo de voltar para casa no final do dia.

O cinema e o jornalismo de investigação

O jornalista investigativo percorre a linha tênue do possível e da via perigosa. Tomado pelo direito de informar, muitas vezes vai ao encontro do abismo, como presa rumo ao predador. Seu conhecimento é pequeno em comparação ao arsenal vigilante mantido pelas organizações criminosas. Perdem-se grandes repórteres em nome do direito de informar sem medida. Não são poucos os exemplos de jornalistas agredidos, espancados, torturados e assassinados. São vidas jogadas fora para atender ambições individuais, políticas e corporativas, que muitas vezes destoam do interesse público ou da sua condição humana. O gaúcho Tim Lopes foi uma figura marcante nesta fascinante atividade de informar/denunciar os males e desvios sociais. Arriscou-se ao ir a uma favela para realizar reportagens sobre o tráfico de drogas e a exploração sexual de menores: foi descoberto e cruelmente morto.

Esta tragédia colocou em pauta a seguinte questão: até aonde o jornalista deve se arriscar para informar?

No filme Tropa de Elite II, O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha, Clara, personagem da atriz Tainá Muller, está fazendo uma matéria investigativa sobre o tráfico. Mas, como o próprio Capitão Nascimento diz "Jornalista é curioso", ela vai além na sua apuração e se mete no covil dos bandidos. Lá, descobre informações bombásticas do envolvimento da polícia e de políticos com o crime organizado. No filme, a repórter liga para outro jornalista na redação contando tudo o que viu. É alertada para sair imediatamente, pois os bandidos poderiam chegar a qualquer momento. Tomada pela emoção da descoberta, a repórter tem sua curiosidade cada vez mais atiçada quando depara com as provas da ligação da milícia com o tráfico de armas. Na sequência da cena, eles são descobertos e agredidos pelos bandidos; as máquinas fotográficas e gravadores são apreendidos. Os jornalistas são executados a sangue frio e seus corpos são queimados para que nenhum vestígio permaneça. O filme faz um bom paralelo entre a ação do jornalista em querer fazer uma grande matéria a todo custo e um jornalismo que valoriza a informação bombástica em detrimento do jornalista.

Informar é sinônimo de se arriscar?

Este exemplo cinematográfico, mas possível e real para quem exerce a missão de informar, é uma das diversas armadilhas da profissão, que não dignifica a categoria e só coloca o profissional em uma situação de medo e sofrimento, diante de um mundo que não pode ser concertado unicamente por ele.

No livro Arte de Fazer um Jornal Diário, Ricardo Noblat faz duras críticas a esse tipo de comportamento de arriscar a vida por uma informação: "Tim Lopes se expôs ao risco de morrer porque quis, porque foi autorizado por seus chefes a fazê-lo e também porque grassa cada vez mais por toda parte um tipo de jornalismo que não distingue o que interessa ao público do que é de interesse público", afirma. E continua Noblat: "Há ainda na tragédia protagonizada por Tim Lopes um outro aspecto que cobra uma reflexão urgente e profunda dos jornalistas e dos seus patrões. Porque sou jornalista e porque vivemos em uma democracia estou liberado para valer-me de qualquer recurso que assegure à sociedade o direito de tudo saber", diz. Porém, o escritor colombiano Gabriel García Márquez descreveu como uma paixão insaciável pelo jornalismo que leva jornalistas a cometerem estes atos.

Ricardo Noblat ainda reflete sobre as práticas jornalísticas que priorizam a informação ao invés do jornalista. Estas práticas degradam a profissão e põe em risco a vida de muitos profissionais que agem muitas vezes sem o livre arbítrio e viram reféns da inconsequência, do crime e da ação informativa desmedida.

Por outro lado, temos o exemplo de Vladimir Herzog, jornalista torturado e assassinado por exercer com radicalidade a missão de informar. A vida de Herzog é referência para a democracia e sua morte uma evidência dos limites e consequências da profissão.

Enfim, o jornalista deve se colocar em situação de risco por uma reportagem investigativa? Informar é sinônimo de se arriscar?

Em que medida a realidade, muitas vezes cruel e desumana, a que ele é levado a informar, é maior do que as suas possibilidades de vencê-las?

Por Éderson Silva e Joel Felipe Guindani